Entrevistão: Larri elogia João Fonseca e diz como desafiar Alcaraz e Sinner
Ex-técnico de Guga Kuerten falou do momento dos melhores do país

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Técnico mais vitorioso da história do tênis brasileiro, vide os 20 títulos conquistados ao lado de Guga Kuerten, o gaúcho Larri Passos vê com esperança o momento da modalidade no país. E, nessa entrevista exclusiva ao Lance!, por telefone, o treinador analisa o momento dos dois melhores nomes do Brasil e dá um conselho aos que pretendem desafiar o top 2 do ranking mundial masculino.
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Nessa semana, Larri, que mora na Flórida, nos EUA, veio ao Brasil para participar, em São Paulo, do workshop 'Tênis Excelência', promovido pela Federação Paulista de Tênis, em parceria com a Federação Francesa, da qual é embaixador. O treinador também foi homenageado pela FFT.
No evento na capital paulista, Larri reencontrou diversas personalidades do tênis. Uma delas foi o argentino Juan Martin Del Potro, ex-top 3 e último sul-americano campeão de Grand Slam, no US Open de 2009. Ao Lance!, o técnico falou sobre o ex-tenista 'hermano'
- Delpo é um cara simples, humilde, quando começou a carreira, o grande ídolo dele era o Guga. Então, o técnico dele sempre pedia para treinar com o brasileiro. E a despedida do Guga em Indian Wells foi contra o Depo, foi muito bacana.

Larri, semana passada, a distância, vibrou com a campanha inédita de João Fonseca em Monte Carlo, alcançando as quartas de final. O último brasileiro que chegara tão longe no torneio foi justamente seu ex-pupilo mais famoso, o bicampeão Guga Kuerten, em 1999 e 2001:
- Foi ótimo ver o João jogando lá e super bem, é uma alegria muito grande ver um brasileiro fazendo esses resultados. Ele evoluiu bastante, jogou um tênis já mais sólido, mais consistente. Depois que o Guga venceu duas vezes lá, é uma satisfação ver um brasileiro tão bem assim.

Larri elogia relação entre João Fonseca e o técnico Gui Teixeira
Larri também vê com ótimos olhos a relação do número 1 do Brasil com o técnico Guilherme Teixeira.
- O Gui tem os pés bastante no chão. Ele é um cara jovem, mas maduro, cuida muito dos detalhes, isso é importante, ele é muito focado. Ele fez um curso comigo uma vez, da iniciação, de formação e transição.
Tricampeão de Roland Garros com Guga (em 1997, 2000 e 2001), Larri destaca que João Fonseca tem uma nova realidade, em relação à estrutura da equipe. Além da compahia do técnico, o número 1 do Brasil viaja o circuito mundial com o preparador físico, Egídio Magalhães, e o fisioterapeuta, Emmanuel Nandayapa.
- Hoje em dia é outro momento, há uma estrutura muito melhor. Pelo amor de Deus, no meu tempo eu tinha que me virar em quatro, né? Hoje o Gui está num momento muito legal, porque ele tem uma estrutura fantástica. E a família do João também, o pai, a mãe, o próprio manager.
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Mensagem à equipe de João Fonseca
Com a experiência de quem esteve ao lado de Guga em seus 20 títulos de simples, além de outros trabalhos, Larri tem certeza de que o carioca, de 19 anos, está trilhando o caminho certo:
- Eu sempre mando recado pra eles: ' Oh, pessoal, é só manter o pé no chão e o coração na quadra, vamos lá, está tudo certo. É muito importante também, de vez em quando, não ouvir e nem ver certas coisas. Acho que está tudo feito, não tem nada a corrigir, o João está no caminho certo - acredita.
Recado para enfrentar Sinner e Alcaraz
No circuito mundial masculino, há um domínio, desde 2024, do espanhol Carlos Alcaraz e do italiano Jannik Sinner, que venceram os últimos nove Grand Slams e 10 dos 11 mais recentes Masters 1000 (que ambos participaram). Larri acredita que João Fonseca é um representante da 'garotada' que está crescendo e pode interromper a hegemonia dos dois melhores do mundo num futuro breve. Mas qual a receita para encarar o top 2?
- Tem que entrar na cabeça deles de não respeitar tanto. Existe uma geração que tem que se moldar para jogar contra determinado adversário, tem que fazer isso ou aquilo. Quando a gente ia jogar contra o Sampras (Pete, americano, ex-líder do ranking) ou Agassi (Andre, também dos EUA e ex-número 1 do mundo), dois monstros, a gente ia se moldando. Na geração do Nadal (Rafael, espanhol, que também liderou o ranking), por exemplo, alguns atletas já entravam em quadra derrotados. Não pode ser assim.

Fé na volta por cima de Bia
Além do trabalho histórico com Guga, Larri treinou, entre outros, a austríaca Tamira Paszek, a eslovaca Daniela Hantuchova. Em 2014, o técnico esteve ao lado de Bia Haddad, de qual guarda carinho e amizade. Nesta semana, a paulistana, de 29 anos, ex-top 10 e atual 69º do mundo, estreou a parceria com o técnico espanhol Carlos Martinez Comet, parando na segunda rodada do WTA 125 de Oeiras, em Portugal.
- Duas semanas antes de anunciar o novo técnico, ela conversou comigo. Conheço o Carlos desde que ele era jogador, um cara dedicado, um cara trabalhador. O primeiro trabalho dele foi com a Kuznetsova (Svetlana, russa, ex-top 10), na época até o manager dela queria que eu trabalhasse com ela, mas não quis, seria muito cansativo ficar na Europa o tempo inteiro. Ele é um cara que trabalha, vai pra quadra. A frase que passei pra ela foi: você vai ter que aceitar as mudanças. Ele vai entrar com algumas mudanças. Tenho certeza que a Bia pode dar a volta por cima e voltar a jogar um tênis que ela gosta, consistente, agressivo. Tênis feminino é correr, consistência e pegar na bola. Defender, atacar, correr, o tênis é isso aí, não tem segredo. Trabalho, trabalho e trabalho. A última palavra é trabalho, não adianta.

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