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Entrevistão: Larri elogia João Fonseca e diz como desafiar Alcaraz e Sinner

Ex-técnico de Guga Kuerten falou do momento dos melhores do país

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Gustavo Loio
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 18/04/2026
08:00
O técnico Larri Passos (Foto: Divulgação)
imagem cameraLarri Passos, ex-técnico de Guga Kuerten (Foto: Arquivo pessoal)

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Técnico mais vitorioso da história do tênis brasileiro, vide os 20 títulos conquistados ao lado de Guga Kuerten, o gaúcho Larri Passos vê com esperança o momento da modalidade no país. E, nessa entrevista exclusiva ao Lance!, por telefone, o treinador analisa o momento dos dois melhores nomes do Brasil e dá um conselho aos que pretendem desafiar o top 2 do ranking mundial masculino.

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➡️Tenistória: Larri Passos revela história inusitada após título de Guga em Monte Carlo

Nessa semana, Larri, que mora na Flórida, nos EUA, veio ao Brasil para participar, em São Paulo, do workshop 'Tênis Excelência', promovido pela Federação Paulista de Tênis, em parceria com a Federação Francesa, da qual é embaixador. O treinador também foi homenageado pela FFT.

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No evento na capital paulista, Larri reencontrou diversas personalidades do tênis. Uma delas foi o argentino Juan Martin Del Potro, ex-top 3 e último sul-americano campeão de Grand Slam, no US Open de 2009. Ao Lance!, o técnico falou sobre o ex-tenista 'hermano'

- Delpo é um cara simples, humilde, quando começou a carreira, o grande ídolo dele era o Guga. Então, o técnico dele sempre pedia para treinar com o brasileiro. E a despedida do Guga em Indian Wells foi contra o Depo, foi muito bacana.

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Larri Passos e Juan Martin Del Potro em evento da Federação Francesa em São Paulo (Foto: Marcello Zambrana/FFT)
Larri Passos e Juan Martin Del Potro em evento da Federação Francesa em São Paulo (Foto: Marcello Zambrana/FFT)

Larri, semana passada, a distância, vibrou com a campanha inédita de João Fonseca em Monte Carlo, alcançando as quartas de final. O último brasileiro que chegara tão longe no torneio foi justamente seu ex-pupilo mais famoso, o bicampeão Guga Kuerten, em 1999 e 2001:

- Foi ótimo ver o João jogando lá e super bem, é uma alegria muito grande ver um brasileiro fazendo esses resultados. Ele evoluiu bastante, jogou um tênis já mais sólido, mais consistente. Depois que o Guga venceu duas vezes lá, é uma satisfação ver um brasileiro tão bem assim.

Larri Passos, ex-técnico de Guga Kuerten (Foto: Arquivo pessoal)
Larri Passos, ex-técnico de Guga Kuerten (Foto: Arquivo pessoal)

Larri elogia relação entre João Fonseca e o técnico Gui Teixeira

Larri também vê com ótimos olhos a relação do número 1 do Brasil com o técnico Guilherme Teixeira.

- O Gui tem os pés bastante no chão. Ele é um cara jovem, mas maduro, cuida muito dos detalhes, isso é importante, ele é muito focado. Ele fez um curso comigo uma vez, da iniciação, de formação e transição.

Tricampeão de Roland Garros com Guga (em 1997, 2000 e 2001), Larri destaca que João Fonseca tem uma nova realidade, em relação à estrutura da equipe. Além da compahia do técnico, o número 1 do Brasil viaja o circuito mundial com o preparador físico, Egídio Magalhães, e o fisioterapeuta, Emmanuel Nandayapa.

- Hoje em dia é outro momento, há uma estrutura muito melhor. Pelo amor de Deus, no meu tempo eu tinha que me virar em quatro, né? Hoje o Gui está num momento muito legal, porque ele tem uma estrutura fantástica. E a família do João também, o pai, a mãe, o próprio manager.

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Mensagem à equipe de João Fonseca

Com a experiência de quem esteve ao lado de Guga em seus 20 títulos de simples, além de outros trabalhos, Larri tem certeza de que o carioca, de 19 anos, está trilhando o caminho certo:

- Eu sempre mando recado pra eles: ' Oh, pessoal, é só manter o pé no chão e o coração na quadra, vamos lá, está tudo certo. É muito importante também, de vez em quando, não ouvir e nem ver certas coisas. Acho que está tudo feito, não tem nada a corrigir, o João está no caminho certo - acredita.

Recado para enfrentar Sinner e Alcaraz

No circuito mundial masculino, há um domínio, desde 2024, do espanhol Carlos Alcaraz e do italiano Jannik Sinner, que venceram os últimos nove Grand Slams e 10 dos 11 mais recentes Masters 1000 (que ambos participaram). Larri acredita que João Fonseca é um representante da 'garotada' que está crescendo e pode interromper a hegemonia dos dois melhores do mundo num futuro breve. Mas qual a receita para encarar o top 2?

- Tem que entrar na cabeça deles de não respeitar tanto. Existe uma geração que tem que se moldar para jogar contra determinado adversário, tem que fazer isso ou aquilo. Quando a gente ia jogar contra o Sampras (Pete, americano, ex-líder do ranking) ou Agassi (Andre, também dos EUA e ex-número 1 do mundo), dois monstros, a gente ia se moldando. Na geração do Nadal (Rafael, espanhol, que também liderou o ranking), por exemplo, alguns atletas já entravam em quadra derrotados. Não pode ser assim.

Guga Kuerten e Larri Passos em quadra (Foto: Divulgação)
Guga Kuerten e Larri Passos em quadra (Foto: Divulgação)

Fé na volta por cima de Bia

Além do trabalho histórico com Guga, Larri treinou, entre outros, a austríaca Tamira Paszek, a eslovaca Daniela Hantuchova. Em 2014, o técnico esteve ao lado de Bia Haddad, de qual guarda carinho e amizade. Nesta semana, a paulistana, de 29 anos, ex-top 10 e atual 69º do mundo, estreou a parceria com o técnico espanhol Carlos Martinez Comet, parando na segunda rodada do WTA 125 de Oeiras, em Portugal.

- Duas semanas antes de anunciar o novo técnico, ela conversou comigo. Conheço o Carlos desde que ele era jogador, um cara dedicado, um cara trabalhador. O primeiro trabalho dele foi com a Kuznetsova (Svetlana, russa, ex-top 10), na época até o manager dela queria que eu trabalhasse com ela, mas não quis, seria muito cansativo ficar na Europa o tempo inteiro. Ele é um cara que trabalha, vai pra quadra. A frase que passei pra ela foi: você vai ter que aceitar as mudanças. Ele vai entrar com algumas mudanças. Tenho certeza que a Bia pode dar a volta por cima e voltar a jogar um tênis que ela gosta, consistente, agressivo. Tênis feminino é correr, consistência e pegar na bola. Defender, atacar, correr, o tênis é isso aí, não tem segredo. Trabalho, trabalho e trabalho. A última palavra é trabalho, não adianta.

Bia Haddad e Larri Passos em foto de arquivo (Reprodução)
Bia Haddad e Larri Passos em foto de arquivo (Reprodução)

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