Entrevistão: Do infarto em 2021 a novo projeto, Carlos Bernardes celebra a vida
Ex-árbitro vai trabalhar como consultor de Challenger em fevereiro
- Matéria
- Mais Notícias
O tênis está no sangue de Carlos Bernardes desde a adolescência. Do atleta amador que chegava a pular o muro do clube com amigos para jogar, a uma das carreiras mais brilhantes como árbitro de cadeira, o paulista de São Caetano, de 61 anos, de sorriso fácil, gosta de contar histórias. Nessa entrevista exclusiva ao Lance!, o brasileiro fala de sua trajetória e do novo projeto, em um Challenger na Itália, onde mora há mais de 15 anos. E também de seu renascimento no dia 20 de janeiro de 2021, quando sofreu um infarto durante quarentena na Austrália.
Relacionadas
➡️ Tudo sobre os esportes Olímpicos agora no WhatsApp. Siga o nosso novo canal Lance! Olímpico
➡️Siga o Lance! no Google para saber tudo sobre o melhor do esporte brasileiro e mundial
➡️Demoliner tenta tranquilizar fãs de João Fonseca sobre coluna retificada; vídeo
➡️Loio no Lance! da euforia à preocupação com João Fonseca
Diante de todas as restrições que o combate à Covid exigia há cinco anos, Bernardes estava passeando de bicicleta e conversando por telefone com a filha, Anna Luiza, que estava no Brasil, quando sentiu uma dor no peito e começou a suar bastante.
- Parecia que eu estava há três dias pedalando. Era o quarto dos 14 dias de quarentena. Voltei para o hotel, a dor não passou após o banho. Liguei para a recepção, expliquei que não era nada a ver com Covid, mas que estava sofrendo um ataque cardíaco. A atendente começou a gritar, o médico logo chegou ao meu quarto, e a ambulância veio em minutos. No caminho até o hospital, que era quase em frente, o médico confirmou a minha suspeita e disse: sorte que você me chamou, porque, caso contrário, nem adiantaria a ambulância - recorda.
Mesmo ao contar esse momento que marcou a sua vida, Bernardes não perde o humor e tem uma lembrança de descontração quando estava a caminho do hospital naquele marcante 20 de janeiro:
- Estava no Whatsapp com o Ricardo Reis (também árbitro), que me falou: está saindo alguém de ambulância. Respondi: sou eu.
Inicialmente, ao chegar hospital, Bernardes receberia um cateter para limpar as artérias. Mas, ao conversar com uma enfermeira sobre a dificuldade em relaxar e até de ficar sentado, seu coração parou de bater.
- Não sei quanto tempo durou, pensei que tivesse dormido ou desmaiado. Quando recobrei a consciência, a chefe do setor de cardiologia estava ao meu lado e perguntei o que aconteceu. Ela respondeu, com a maior naturalidade: seu coração parou, mas fizemos você voltar. Aí colocaram dois stents - conta o brasileiro, que depois ficou mais 10 dias hospitalizado para se recuperar.
Desde então, a vida passou a ter novos significados para Bernardes:
- É uma sensação que você não esquece mais, te mostra um monte de coisas e me fez mudar muito. Sobre o tempo para fazer as coisas, o porquê, de não ter que dar satisfação para tudo, não precisa ser o que as pessoas querem que você seja. Você não tem o controle. O dia 20 de janeiro passou a ser meu segundo aniversário.

Depois dessa experiência tão marcante, que o ex-árbitro só tinha visto em filmes, ele passou a conhecer histórias de pais e mães de jogadores e até parentes de médicos que faleceram de infarto.
- É um dia após o outro, temos que aproveitar - ensina.
Dos 40 anos da carreira como árbitro de tênis, encerrada em novembro de 2024 (na decisão do ATP Finals, vídeo abaixo), com muitas e justas homenagens, Bernardes guarda outras muitas histórias vividas nos mais de 100 países.
As cidades preferidas de Bernardes
- Deu pra fazer bastante milhagem (risos). É muito interessante conhecer as culturas, as pessoas, me enriqueceu bastante.
Entre tantas as cidades que visitou, o brasileiro cita as preferidas:
- Gosto muito de Melbourne, Nova York já visitei mais de 30 vezes, meu aniversário cai no US Open e passei lá mais da metade (risos). Também sou apaixonado por Tóquio, e Xangai me impressiona bastante. Gosto demais também de Gstaad, uma cidade pequena na Suíça, com torneio fantástico, lugar maravilhoso. São muitas cidades e lugares que tenho boas memórias.
E do que Bernardes menos tem saudade da vida como árbitro?
- Odeio aeroporto (risos). Você não faz ideia do quanto sou feliz por não ir mais a aeroporto, aquele estresse, desespero, não sinto falta de andar em aeroporto. Entre tantas histórias, a gente sempre pegava aquele voo da Malaysia Airlines (Carlos Bernardes faz referência a um avião que desapareceu em 2014 e seus destroços jamais foram encontrados).
Nova função em Challenger na Itália
No mês que vem, mais precisamente de 2 a 8 de fevereiro, o paulista tem um novo desafio: atuar como consultor do Challenger de Cesenático, a cerca de duas horas de carro de Bérgamo, na Itália, onde mora.
- Já tinha ido lá para falar sobre minha vida no circuito, até que me convidaram, meio que na brincadeira, para ser diretor do torneio. Vou ser como uma imagem para o torneio, estou ajudando de todas as formas possíveis, entrando em contato com a ATP. É algo interessante e novo para mim, nunca imaginava o tanto de tarefas que tinha que fazer. Vai ser jogado numa quadra rápida coberta, porque vai ser um frio terrível, provavelmente a zero grau. Espero que seja um torneio agradável
Na conversa com o Lance!, Bernardes também falou sobre as novas tecnologias no tênis, João Fonseca e histórias como árbitro. A íntegra está no vídeo abaixo:

Tudo sobre
- Matéria
- Mais Notícias

















