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Barcelona com a mão no título, Real Madrid em chamas: veja o cenário do El Clásico decisivo

Culés podem erguer o troféu caso vençam ou empatem com os merengues

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Rio de Janeiro (RJ)
Supervisionado porNathalia Gomes,
Dia 09/05/2026
11:00
Jogadores do Real Madrid e Barcelona comemorando gol
imagem cameraJogadores do Real Madrid e Barcelona comemorando gol (Foto: AFP)

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Neste domingo (10), um duelo gigante tomará os holofotes do futebol mundial. Real Madrid e Barcelona se enfrentam no Camp Nou, pela 36ª rodada do Campeonato Espanhol. Como se não bastasse a grandeza dos times e a história centenária de rivalidade, o 264º El Clásico terá um tempero especial: vale o título de La Liga. Se os culés vencerem ou empatarem com o rival, faturarão o 29º campeonato nacional de sua história. Para o Real Madrid, além da missão quase impossível de adiar a festa catalã, o confronto ocorre em meio a uma das piores crises internas já vistas no clube.

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Com tantos elementos em jogo, o Lance! analisa as trajetórias das duas equipes ao longo da temporada, os acertos, os erros e as dificuldades que as levaram a este momento de extremos opostos: o Barcelona na iminência da glória, o Real Madrid à beira do colapso.

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Barcelona: dominante, mas não invencível

Dominante na temporada passada, o Barcelona ainda sustenta sua supremacia no cenário nacional, porém com uma força ligeiramente menor e mais exposição defensiva. O time teve um começo tempestuoso, lidando com lesões de craques como Raphinha e Yamal. No entanto, aos poucos, a equipe de Hansi Flick começou a dar liga e mostrou por que é uma das grandes potências europeias a ser temida. Em La Liga, o Barcelona assumiu a liderança em dezembro e, de lá para cá, só saiu do topo uma única vez – para tomar impulso e se isolar ainda mais na ponta da tabela.

A campanha culé na competição é impressionante. São 29 vitórias, um empate e quatro derrotas em 35 jogos, com 88 pontos conquistados. A eliminação precoce na Champions League (quartas de final para o Atlético de Madrid) e na Copa do Rei (semifinal para o mesmo Atlético) foram os principais reveses de uma temporada que, ainda assim, caminha para o coroamento no âmbito nacional.

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A linha alta sendo fragilidades defensiva do Barcelona

Entretanto, a temporada do Barcelona está longe do usual quando se olha para os detalhes. A equipe enfrenta recorrentes problemas de lesões, com Raphinha perdendo 21 partidas nesta temporada – ante 13 em 2024/25. Na eliminação da Champions, por exemplo, o brasileiro não esteve em campo. Lamine Yamal, o camisa 10 e grande protagonista da equipe, também sofreu com baixas no início da temporada e será desfalque confirmado para o El Clásico, com o joelho lesionado.

Raphinha comemora hat-trick na vitória do Barcelona sobre o Sevilla, pela La Liga
Raphinha comemora hat-trick na vitória do Barcelona sobre o Sevilla, pela La Liga (Foto: Lluis Gene/AFP)

Para além disso, o time lida com um problema tático crônico: sua defesa. Após a saída de Iñigo Martínez para o futebol árabe, o Barcelona perdeu seu xerifão na linha defensiva – o responsável pelo gatilho da subida da linha e elemento-chave para que a estratégia funcionasse. Ronald Araújo passou por problemas e chegou a se afastar do futebol para cuidar da saúde mental. Koundé deixou de ser um nome confiável, assim como Alejandro Balde, que acumulou falhas. Eric García também não conseguiu dar o salto e passar confiança.

A estratégia de Hansi Flick de usar uma linha alta na defesa tem sido uma faca de dois gumes. A tática é ótima para povoar o meio-campo e ter mais jogadores para o apoio, mas, quando pega o time desprevenido, a chance de um contra-ataque letal é grande. Esse foi um dos venenos do Barcelona na temporada, culminando na eliminação para o Atlético de Madrid tanto na Copa do Rei quanto na Champions League, com os colchoneros aproveitando as costas da defesa em velocidade.

As falhas mostram uma realidade: o Barcelona, apesar de dominante, não é o mesmo da temporada passada, quando ficou a um passo da tríplice coroa. O setor defensivo se tornou um ponto de atenção, e o meio-campo – além do ataque – apesar de manter eficácia, conviveu com baixas importantes.

O ataque e as armas decisivas

Mesmo com os problemas, a equipe passou por cima das adversidades com relativa tranquilidade. Venceu a Supercopa da Espanha em janeiro, em cima do Real Madrid, por 3 a 2, com uma atuação decisiva de Raphinha, eleito o melhor em campo.

Lamine Yamal, quando disponível, mostrou por que é o grande protagonista da equipe, alcançando altos números, grandes performances e capacidade de decisão. Até a lesão, o jovem de 18 anos soma 16 gols e 11 assistências em La Liga. O mesmo pode ser dito de Raphinha, que, ao lado de Yamal, formou uma dupla poderosa. Ainda assim, a ausência do camisa 10 para o clássico é um duro golpe.

Robert Lewandowski segue em boa fase, com participações em gols em cada um dos últimos três jogos de La Liga. Ferran Torres também tem contribuído, com 15 gols na competição. O Barcelona, portanto, tem armas para vencer mesmo sem seu principal jovem talento.

De acordo com o supercomputador da Opta, o Barcelona tem 49,8% de chance de vencer o clássico, contra 27,2% do Real Madrid. A probabilidade de empate é de 23%. Um empate já é suficiente para o título.

Real Madrid: um camarim em chamas

O Real Madrid que entra em campo no Camp Nou é uma sombra do clube que, há menos de duas temporadas, conquistava a Champions League com autoridade. O ano de 2026 será lembrado não por títulos, mas como o período em que o vestiário merengue implodiu de maneira nunca antes vista na era Florentino Pérez.

O ponto de inflexão ocorreu em outubro de 2025, no primeiro El Clásico da temporada, no Santiago Bernabéu. O Real Madrid venceu o Barcelona por 2 a 1, com gols de Mbappé e Bellingham. Mas a partida ficou marcada por outra coisa: Vini Jr., eleito o melhor jogador do mundo pela Fifa, foi substituído aos 72 minutos mesmo quando fazia uma grande atuação. A reação do camisa 7 foi explosiva. Ele gritou ao deixar o campo, se recusou a cumprimentar o técnico Xabi Alonso e seguiu direto para o túnel.

O mal-estar entre Vini Jr. e Xabi Alonso não era de agora. O brasileiro vinha sendo substituído com frequência, mesmo quando apresentava bom desempenho. Paralelamente, Rodrygo declarara preferência por atuar pelo lado esquerdo, setor tradicionalmente ocupado por Vini Jr. O técnico passou a revezar os dois, gerando insatisfação.

O resultado foi devastador. O Real Madrid, que liderava La Liga com vantagem confortável, viu a diferença na tabela diminuir até ser ultrapassado pelo Barcelona. Na Champions League, a queda veio de forma precoce. Em janeiro de 2026, Xabi Alonso foi demitido após uma derrota para o Barcelona na final da Supercopa da Espanha. A decisão, no entanto, não foi unânime. Parte do elenco era favorável à permanência do treinador, enquanto outro grupo apoiava a mudança. Essa divisão nunca foi resolvida – apenas aprofundou os atritos internos.

A chegada de Arbeloa no Real Madrid

Para o lugar de Xabi Alonso, a diretoria trouxe Álvaro Arbeloa, ex-lateral da casa, com a missão de reorganizar o vestiário. Arbeloa chegou prometendo abraçar os jogadores e devolver o protagonismo a Vini Jr.

Por um breve momento, funcionou. Vini Jr. renasceu. As atuações e os gols voltaram. Mas o efeito foi superficial. Os problemas estruturais permaneciam. Abaixo da superfície, o vestiário continuava rachado. O próprio Arbeloa não conseguiu conter os conflitos. Uma fonte do clube classificou o grupo como imaturo e disparou que pareciam crianças.

Vini Jr tenta driblar defensor em Real Madrid x Getafe
Vini Jr tenta driblar defensor em Real Madrid x Getafe (Foto: Javier Soriano/AFP)

A temporada virou um cabo de guerra. A cada semana, um novo episódio. Em fevereiro, Carvajal fez uma entrada excessivamente dura em um companheiro durante treino, causando lesão. Em março, Asencio se desentendeu com Arbeloa e só retornou após se desculpar com o grupo. Ainda em março, o caso Ceballos explodiu: o meia foi cortado definitivamente após compartilhar indiretas nas redes sociais sobre lealdade.

Em abril, a crise atingiu Mbappé. O francês discutiu com um membro da comissão técnica durante treino. Semanas depois, sua viagem à Itália com a namorada, enquanto o time jogava e ele se recuperava de lesão, gerou revolta generalizada. Sua chegada a Madri 12 minutos antes da partida contra o Espanyol foi a gota d'água. Uma petição organizada por torcedores pedindo sua saída ultrapassou 30 milhões de assinaturas.

A explosão: Valverde e Tchouaméni

O ponto mais baixo chegou nos últimos dias. Na quarta-feira (6), Valverde e Tchouaméni tiveram uma discussão acalorada durante o treino, trocaram empurrões e precisaram ser separados. Na quinta-feira (7), a situação se repetiu de forma muito mais grave.

Segundo o Marca, Valverde se recusou a cumprimentar Tchouaméni pela manhã. Durante o treino, o uruguaio passou a acusar o francês de ter vazado informações para a imprensa. Arbeloa não interveio. No vestiário, após o fim do treino, Tchouaméni, irritado, desferiu um soco em Valverde. O uruguaio caiu, bateu a cabeça e sofreu um corte profundo. Ele precisou sair de cadeira de rodas e foi levado ao hospital, onde levou pontos. Arbeloa o acompanhou.

O clube instaurou um processo disciplinar e anunciou uma multa histórica de 500 mil euros para cada um. Valverde está fora do clássico – o afastamento será de 10 a 14 dias. Tchouaméni foi liberado e deve ficar à disposição.

➡️ Entenda o que é o traumatismo cranioencefálico, lesão de Valverde

O desempenho em campo e o futuro incerto

Em campo, o desempenho do Real Madrid foi à altura da crise interna. A segunda temporada consecutiva sem títulos é uma realidade. Eliminado nas quartas da Champions League pelo Bayern de Munique e a onze pontos do Barcelona em La Liga, o time tem apenas 0,08% de chance de título, segundo o supercomputador da Opta.

A diretoria já planeja uma reformulação. Arbeloa, pressionado e sem respaldo, não deve continuar. O favorito para assumir é José Mourinho, mais de dez anos depois de sua primeira passagem – uma tentativa de trazer de volta a figura de autoridade que o vestiário tanto carece. Mesmo em meio ao caos, há uma pequena chance de redenção para o Real Madrid: adiar o título do rival.

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