As conquistas, a vida e a luta de Oscar Schmidt, ídolo do basquete mundial
Ídolo do basquete brasileiro deixa legado histórico dentro e fora das quadras

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Uma notícia triste chocou o mundo dos esportes nesta sexta-feira (17): a morte de Oscar Schmidt, um dos maiores jogadores de basquete da história. Aos 68 anos, o ex-atleta seguia em cuidados paliativos após desistir de tratar um câncer no cérebro. Antes disso, no entanto, construiu uma carreira recheada de grandes feitos dentro de quadra.
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A morte foi causada por um mal súbito. Minutos antes, a Confederação Brasileira de Basquete havia informado que Oscar Schmidt passou mal e pediu respeito à privacidade do astro. Após o episódio, ele foi encaminhado ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), no interior de São Paulo.
O início de um sonho
Nascido em Natal, no dia 16 de fevereiro de 1958, Oscar Daniel Bezerra Schmidt era apaixonado por esportes desde a infância. O início do então futuro atleta seguiu um caminho comum no Brasil: o futebol. Após se mudar para Brasília, no entanto, deu os primeiros passos no basquete, iniciando uma trajetória de grande sucesso.
O clube que lhe deu a oportunidade de estrear no basquete foi o Unidade da Vizinhança. Cerca de três anos depois, Oscar chegou à capital paulista para defender a base do Palmeiras, onde estava quando foi convocado pela primeira vez – ainda nas categorias de base. Não demorou, porém, para Schmidt ser chamado para a Seleção principal.
A partir daí, uma estrela foi criada. O sucesso do brasileiro ultrapassou as barreiras geográficas e, logo, Oscar foi procurado por clubes da Itália e Espanha. Ele deixou o Brasil em 1982, quando assinou com o time italiano Juvecaserta, e retornou apenas 13 anos depois.
Bateu saudade de casa
O retorno de Oscar Schmidt ao Brasil, em meados da década de 1990, marcou uma nova fase de sua carreira após anos no exterior. Sua escolha inicial foi o Corinthians, dando início a uma sequência de passagens por diferentes equipes nacionais até se estabelecer no cenário carioca.

No Rio de Janeiro, teve o Flamengo como casa em um dos momentos mais emblemáticos de sua etapa final como jogador. Além de conquistas importantes, atingiu um feito histórico ao assumir o posto de maior cestinha do basquete mundial na época, ultrapassando nomes consagrados como Kareem Abdul-Jabbar – marca posteriormente superada por LeBron James.
Depois de pendurar as chuteiras, passou a investir em um projeto próprio na capital carioca, estruturando uma equipe competitiva que rapidamente conquistou títulos relevantes. Apesar do início promissor, a iniciativa teve duração limitada e foi encerrada poucos anos depois por questões financeiras.
Uma carreira de muito sucesso
O "Mão Santa" construiu uma carreira longeva e extremamente produtiva ao longo de 25 temporadas. Seus números impressionam: ultrapassou a marca de 49.700 pontos – o que o coloca como segundo maior cestinha da história do basquete – e estabeleceu um recorde duradouro nos Jogos Olímpicos, com 1.093 pontos anotados na competição.
Presença constante em cinco edições seguidas das Olimpíadas, destacou-se repetidamente como um dos principais cestinhas do torneio. Entre suas atuações mais marcantes está a exibição nos Jogos Olímpicos de Seul 1988, quando marcou 55 pontos em uma única partida contra a Espanha – um feito histórico que permanece como referência até hoje.
Com a camisa da Seleção Brasileira de Basquete, viveu momentos memoráveis, especialmente na conquista do ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis. Ao longo de sua trajetória internacional, também subiu ao pódio no Mundial de 1978 e acumulou 7.693 pontos em 326 partidas entre 1977 e 1996, consolidando um legado histórico no esporte.
Ah! E esse amor pela Seleção…
A grande chance de ingressar na NBA apareceu no histórico Draft de 1984, que também revelou nomes como Michael Jordan e Charles Barkley. Escolhido pelo New Jersey Nets (atual Brooklyn Nets), Oscar Schmidt esbarrou em uma limitação importante da época: as regras da FIBA proibiam jogadores da liga americana de representarem suas seleções nacionais.
Diante desse cenário, optou por seguir com o Brasil, priorizando sua trajetória com a seleção em vez da carreira na NBA. "Não ia trocar nunca a seleção brasileira por um time da NBA. Só faltava essa. Jogar na seleção se joga pelo país", declarou o craque em entrevista ao podcast Ticaracatica, em 2023.
Anos depois, após os Jogos Olímpicos de Barcelona 1992 – já em um contexto em que as regras haviam mudado e permitiam a presença de atletas da NBA nas seleções –, voltou a receber sondagens para jogar nos Estados Unidos. Ainda assim, preferiu não aceitar, avaliando que não estava no nível físico ideal para encarar aquele novo desafio.

Desafios com câncer marcaram anos da vida de Schmidt
Um dos maiores desafios da vida de Oscar Schmidt surgiu em 2011, anos após encerrar a carreira, quando foi diagnosticado com um tumor cerebral maligno. A partir desse momento, iniciou uma longa jornada marcada por enfrentamento e adaptação, convivendo com a doença por mais de uma década.
Ao longo desse período, passou por cirurgias e diferentes formas de tratamento, lidando com as exigências físicas e emocionais impostas pela condição. Em 2022, após anos de acompanhamento médico, decidiu interromper as sessões de quimioterapia, encerrando um ciclo importante dessa batalha.
Nos anos mais recentes, ele e sua família optaram por uma postura discreta, mantendo distância da exposição pública. A decisão de preservar a intimidade permitiu que o cuidado com a saúde fosse conduzido de forma mais reservada, longe da atenção constante da mídia.
Homenagem em vida no Hall da Fama
O basquete brasileiro viveu um dia histórico em 8 de março de 2026, com a cerimônia oficial de inclusão de Oscar Schmidt no Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil. A honraria celebrou a trajetória de um dos maiores nomes da história do esporte mundial.
A escolha do ex-jogador foi definida pela comissão avaliadora do COB e reforçou o reconhecimento nacional a uma carreira já consagrada internacionalmente. Oscar é membro do Hall da Fama da FIBA e também foi incluído, de forma excepcional, no Hall da Fama da NBA – mesmo sem ter atuado na liga norte-americana.
Para chamar o filho de Oscar ao palco, já que o ex-atleta não pôde comparecer à cerimônia, o COB escolheu outra lenda do esporte nacional: Hortência Marcari. Amiga de longa data, ela relembrou com humor momentos vividos ao lado de Schmidt durante os anos de atividade.
— Estamos falando de alguém muito determinado, e eu vi isso desde cedo. No Pan de 79, em Porto Rico, enquanto todo mundo na Vila dormia, ele estava acordado correndo antes do café. Ele fez escolhas difíceis, mas que construíram uma carreira que não é por acaso. Falo isso com propriedade, porque vi de perto. Em uma festa, por exemplo, eu pedi uma carona a ele. E ele me disse: "nenhuma mulher entra no meu carro sem a minha esposa estar junto, mas você será a primeira". O que ele representa é inquestionável. Ele construiu um legado que inspira milhares de pessoas, pela dedicação, foco e entrega que demonstrava — contou Hortência.
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