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Potência nos 50m, fora do pódio olímpico: as medalhas 'perdidas' da natação brasileira

País tem forte tradição nas provas de velocidade, incluídas no programa de LA 2028

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Beatriz Pinheiro
São Paulo (SP)
Dia 29/01/2026
10:00
Cesar Cielo, Etiene Medeiros, Nicholas Santos, Felipe França e João Gomes Júnior subiram ao pódio mundial nos 50m
imagem cameraCesar Cielo, Etiene Medeiros, Nicholas Santos, Felipe França e João Gomes Júnior subiram ao pódio mundial nos 50m (Fotos: Satiro Sodré/CBDA, COB)

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Como seria se as provas rápidas de natação nos estilos peito, costas e borboleta já fizessem parte das Olimpíadas há décadas? Essa pergunta surgiu na cabeça dos brasileiros desde que o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou a inclusão das provas no programa para os Jogos de Los Angeles 2028, já que o país tem um forte histórico nessas disciplinas, com nomes de destaque no cenário internacional.

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As provas dos 50m estilos já faziam parte do calendário do Mundial de Esportes Aquáticos mas, até então, o programa olímpico incluía apenas a disputa dos 50m livres. Foi nessa disciplina que o Brasil conquistou quatro do total de 15 medalhas olímpicas de sua história: um bronze de Fernando Scherer (Atlanta 1996), ouro (Pequim 2008) e bronze (Londres 2012) de Cesar Cielo, e um bronze de Bruno Fratus (Tóquio 2020).

Um dos principais velocistas da história da natação, Nicholas Santos sempre defendeu a inclusão das provas dos 50m estilos no programa olímpico e refletiu sobre a possibilidade de ter subido ao pódio caso a mudança tivesse acontecido antes. O brasileiro foi quatro vezes campeão dos 50m borboleta em Mundiais de piscina curta, além de somar quatro medalhas (três pratas e um bronze) na disciplina em Mundiais de Esportes Aquáticos.

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— Eu achei fantástico quando soltaram a nota da inclusão dessas provas, muito provavelmente eu teria medalha olímpica se essa prova estivesse nos planos quando eu estava competindo. O Brasil tem grandes nadadores de prova de 50m. Eu nadei também muito tempo 50m livre e fui cada vez mais direcionando para os 50m borboleta, mas, por não ser uma prova olímpica, eu penei muito. Eu fui me direcionando pra outro lado da história, mas eu acho que realmente é uma pena - analisou, em entrevista ao Lance!.

A mudança agitou o cenário da natação. Campeão olímpico nos Jogos de Londres 2012 e especialista em nado peito, o sul-africano Cameron Van Der Burgh anunciou que voltaria ao cenário competitivo, quase sete anos após sua aposentadoria. Em solo brasileiro, a novidade incentivou o retorno às piscinas de Etiene Medeiros, que em 2017 se sagrou campeã mundial nos 50m costas.

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A tendência é que, com a inclusão no programa olímpico, as provas de velocidade sejam mais valorizadas pelas principais potências da natação mundial e a concorrência aumente. Assim, para que o Brasil realmente faça bom proveito do novo programa, não bastará apenas se apoiar no histórico positivo e DNA velocista do país.

Etiene Medeiros anunciou retorno ao cenário competitivo
Etiene Medeiros anunciou retorno ao cenário competitivo (Foto: Divulgação Sesi)

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Como poderia ter sido

O Lance! preparou um levantamento hipotético para calcular as medalhas "perdidas" pelo Brasil. Neste cenário, consideramos apenas os resultados em provas do Mundial de Esportes Aquáticos, o evento máximo organizado pela World Aquatics. Os pódios nas disputas dos 50m livres não entram no cálculo de medalhas "extras" porque a disciplina já fazia parte do programa olímpico.

É impossível calcular o número com exatidão, já que a definição do pódio olímpico depende de uma série de fatores. Porém, levando em consideração as 14 medalhas mundiais do Brasil em provas de 50m nos estilos, o país teria boas chances de aumentar sua presença no pódio.

Medalhas do Brasil nos 50m estilos em Mundiais de Esportes Aquáticos

MedalhaAtletaProvaMundial (ano)

🥇 Ouro

César Cielo

50 m borboleta

Shanghai 2011

🥇 Ouro

Felipe França

50 m peito

Shanghai 2011

🥇 Ouro

César Cielo

50 m borboleta

Barcelona 2013

🥇 Ouro

Etiene Medeiros

50 m costas

Budapeste 2017

🥈 Prata

Felipe França

50 m peito

Roma 2009

🥈 Prata

Nicholas Santos

50 m borboleta

Kazan 2015

🥈 Prata

Etiene Medeiros

50 m costas

Kazan 2015

🥈 Prata

Nicholas Santos

50 m borboleta

Budapeste 2017

🥈 Prata

João Gomes Júnior

50 m peito

Budapeste 2017

🥈 Prata

Felipe Lima

50 m peito

Gwangju 2019

🥈 Prata

Etiene Medeiros

50 m costas

Gwangju 2019

🥈 Prata

Nicholas Santos

50 m borboleta

Budapeste 2022

🥉 Bronze

Nicholas Santos

50 m borboleta

Gwangju 2019

🥉 Bronze

João Gomes Júnior

50 m peito

Gwangju 2019

Vivendo grande fase nos Jogos de Londres 2012, César Cielo chegaria nesta edição como favorito ao ouro nos 50m borboleta, disciplina em que se sagrou campeão mundial em 2011 e 2013. O cenário é parecido para Felipe França, que subiu ao pódio dos 50m peito, com um ouro e uma prata, em duas ocasiões ao longo do ciclo.

Etiene Medeiros também seria uma forte candidata ao pódio dos 50m costas nos Jogos do Rio 2016. Um ano antes do evento no Brasil, ela conquistou a prata mundial e se sagrou campeã um ano depois, em 2017. A prata no Mundial de 2019 também a colocaria no páreo para os Jogos de Tóquio.

Pelo desempenho em Mundiais, Nicholas Santos teria chances de pódio em duas edições olímpicas. Medalhista de prata nos 50m borboleta em 2015 e 2017, ele seria um dos principais candidatos a pódio nos Jogos do Rio 2016. As possibilidades também eram boas no ciclo de Tóquio: o veterano conquistou um bronze em 2019 e uma prata em 2022, na mesma disciplina.

Por fim, João Gomes Júnior apareceria como candidato a medalha nos 50m peito nos Jogos Olímpicos de Tóquio. O atleta subiu ao pódio duas vezes ao longo do ciclo, com uma prata em 2017 e um bronze em 2019.

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