Manifestantes entram em confronto com polícia em Milão durante Olimpíadas de Inverno
Protestantes criticam detrimento de montanhas para construção de malha ferroviária para os Jogos de Inverno

O início dos Jogos Olímpicos de Inverno, em Milão, foi marcado neste sábado (7) por confrontos entre manifestantes e forças de segurança, além de uma suspeita de sabotagem na malha ferroviária do norte da Itália. A tensão na cidade do norte italiano, uma das sedes do evento, escalou durante protestos que reuniram milhares de cidadãos, culminando na detenção de seis pessoas pela polícia.
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Os incidentes mais violentos ocorreram quando alguns manifestantes atiraram pedras e lançaram fogos de artifício contra policiais, que responderam com canhões de água. Embora a maioria tenha protestado pacificamente, a violência pontual reflete a insatisfação com temas como o alto custo de vida e o impacto ambiental do evento.
Endurecimento da lei em meio à crise
Os protestos em Milão acontecem dias após o governo italiano aprovar novas e rígidas medidas de segurança, uma reação direta aos distúrbios violentos em Turim no fim de semana anterior. O pacote de segurança, adotado na quinta-feira em tramitação acelerada, permite à polícia deter suspeitos de tumultos por até 12 horas antes das manifestações, com o objetivo de prevenir a desordem.
Segundo dados oficiais, os confrontos em Turim deixaram mais de 100 policiais feridos e resultaram na prisão de mais de 30 pessoas. O vice-primeiro-ministro e ministro dos Transportes, Matteo Salvini, classificou os envolvidos nos conflitos de Milão como "criminosos". "Poucos dias após a violência vergonhosa em Turim, mais confrontos, mais ataques às forças de segurança", declarou, defendendo o pacote de segurança que promete intervenções "ainda mais eficazes contra bandidos e criminosos".

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Sustentabilidade em xeque
Os manifestantes de Milão levantaram preocupações diversas. Francesca Missana, uma das participantes, disse à agência AFP que o evento "não é mais sustentável do ponto de vista ambiental ou social, o tempo deles acabou". Alberto di Monte, organizador do protesto, ecoou a crítica à sustentabilidade. Ele afirmou que os Jogos foram promovidos como "sustentáveis e de custo neutro", mas a distribuição em múltiplos locais resultou em bilhões gastos em infraestrutura rodoviária, em detrimento da proteção das montanhas.
Investigação de sabotagem ferroviária
Paralelamente as manifestações, as autoridades investigam incidentes na rede ferroviária. Registros de um incêndio na infraestrutura entre Bolonha e Veneza, cabos cortados e um dispositivo explosivo em locais próximos levaram o Ministério dos Transportes a classificar os atos como "suspeita de sabotagem", notando semelhança com vandalismos ocorridos nos Jogos de Paris em 2024.
Perto de Pesaro, na costa adriática, foi identificado um interruptor de trilho incendiado, e cabos elétricos foram cortados próximos a Bolonha, um hub ferroviário vital que conecta o norte e sul do país, onde um dispositivo explosivo rudimentar foi encontrado. Salvini minimizou o impacto dos incidentes ferroviários: "Estas ações de gravidade sem precedentes não mancham de forma alguma a imagem da Itália no mundo".
Os Jogos Olímpicos de Inverno estão sendo realizados em várias localidades, estendendo-se de Milão até a cidade turística de Cortina d'Ampezzo, as regiões dolomíticas de Predazzo e Tesero, e as estações alpinas de Livigno e Bormio. As competições seguem até 22 de fevereiro.
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