Luto, trenó alugado e um feito inédito: a primeira final olímpica do Brasil no bobsled
Equipe enfrentou ciclo conturbado rumo aos Jogos de Pequim por resultado histórico

- Matéria
- Mais Notícias
Ao cruzar a linha de chegada da prova do 4-man no top-20 dos Jogos de Inverno Pequim 2022 e garantir a participação na final olímpica do bobsled pela primeira vez, a equipe brasileira não apenas conquistava um resultado histórico. Aquele momento era símbolo de superação dos próprios limites, de um ciclo olímpico complicado e, principalmente, da perda de um amigo e membro fundamental do time. Vivendo sua despedida das pistas, o piloto Edson Bindilatti relembrou, ao Lance!, a trajetória da equipe.
➡️Das pistas ao trenó: como o atletismo abastece o bobsled
➡️A última dança no gelo: Edson Bindilatti é história do Brasil no bobsled
O Brasil vivia um momento de ascensão no bobsled e vinha conquistando resultados positivos no ciclo anterior. Bicampeão da Copa América no 4-man, o país chegou aos Jogos de PyeongChang 2018 classificado para a disputa nas duplas e quartetos. O cenário era animador para as Olimpíadas de Inverno na China, em 2022, até que veio a notícia que parou o mundo: em março de 2020, era declarada a pandemia do covid-19.
Isolamento rígido e fronteiras fechadas marcaram a vida da população mundial. Para os atletas, isso significava possibilidades reduzidas de realizar treinamentos adequados, se reunir para traçar estratégias e manter o ritmo na corrida olímpica. Significava também ver aumentar a distância em relação às principais potências do esporte.
— Todos os times aqui fora já estavam competindo, mas a gente só voltou a competir na temporada olímpica, já em 2021/2022. A gente ia conversando. Quando a gente conseguia, se encontrava pra fazer treino juntos. Mas começamos a temporada muito fora de ritmo - contou Edson.
O maior baque, porém, ainda estava por vir. Em março de 2021, o pusher Odirlei Pessoni, que se preparava para sua terceira participação em Olimpíadas de Inverno, faleceu aos 38 anos, em um acidente de moto, em Minas Gerais.
Para entender o impacto da perda de Odirlei para o time brasileiro, é importante relembrar a trajetória do atleta no bobsled. Parte da equipe nos Jogos de Sochi 2014 e PyeongChang 2018, ele se destacava por sua dedicação e criatividade. Odirlei construiu, na garagem de casa, em Marília, a própria pista de push móvel, uma estrutura que permitiria aos atletas treinar a fase da "empurrada", em que os atletas correm e empurram o trenó por 50 metros, e é crucial para a descida na pista de gelo.
— Ele era o coração do time. Era nosso mecânico, engenheiro, atleta…Era um cara que tinha um coração gigante. A gente foi para os Jogos com muita vontade, especialmente por causa do nosso amigo - disse.
🤑⛷️ Aposte em seu atleta favorito!
*É preciso ter mais de 18 anos para participar de qualquer atividade de jogo de apostas. Jogue de forma responsável.

Superação e dever cumprido
Foi com toda essa bagagem extra que Edson Bindilatti, Edson Martins, Erick Vianna e Rafael Souza finalmente chegaram a Pequim, em busca de fazer história e honrar o legado do amigo. Seriam necessárias três descidas na pista do Centro Nacional de Sliding de Yanqing, ainda pouco desbravada pelos brasileiros, para garantir o melhor resultado da história.
Na primeira descida, sucesso: o Brasil marcou 59.49, o 20º tempo entre 28 trenós. Com 59.60 na segunda bateria, a equipe garantiu o 16º melhor tempo. Bastava repetir a performance na terceira descida para garantir o lugar no top-20 e ganhar o direito de disputar a quarta bateria, considerada a final olímpica, pela primeira vez na história.
Apesar de um susto na terceira bateria, em que o Brasil conseguiu apenas o 23º melhor tempo entre 28 times, a equipe terminou a etapa no top-20. Finalmente, com sensação de alívio e dever cumprido, o quarteto pôde finalmente fazer a quarta e última descida no gelo e, com tempo de 59.61, o 16º melhor, gravou um episódio na história do esporte brasileiro.
— Fomos com trenó alugado, lâmina emprestada, e a vontade de fazer acontecer. Chegamos no nosso pico nos Jogos Olímpicos. Ali virou a chave: a gente tá no caminho e sabe do que precisa - finalizou Edson.
➡️ Tudo sobre os esportes Olímpicos agora no WhatsApp. Siga o nosso novo canal Lance! Olímpico
➡️Siga o Lance! no Google para saber tudo sobre o melhor do esporte brasileiro e mundial
- Matéria
- Mais Notícias


















