Das pistas ao trenó: como o atletismo abastece o bobsled
Seleção brasileira em Milão-Cortina é liderada pelo ex-decatleta Edson Bindilatti

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A explosão na largada, a potência na corrida e a precisão a cada centésimo de segundo aproximam duas modalidades que, à primeira vista, parecem distantes. Das pistas de atletismo ao gelo, o Brasil tem unido força e velocidade em um caminho improvável para impulsionar o bobsled. A estratégia se reflete na delegação nos Jogos de Inverno Milão-Cortina, liderada pelo ex-atleta de decatlo Edson Bindilatti.
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A tática de levar talentos do atletismo ao bobsled já era aplicada pelas principais potências da modalidade, como Estados Unidos, Canadá e Alemanha. No bobsled, a largada, também chamada de "push", é um momento decisivo para o sucesso da prova. Os atletas empurram o trenó por cerca de 50 metros para sair da imobilidade e atingir a maior velocidade possível. É nesse momento que velocistas e atletas de potência, como os saltadores, levam vantagem.
Seguindo a tendência, a Confederação Brasileira fez o convite a Edson, que já tinha uma trajetória estabelecida no decatlo - ele foi nove vezes campeão brasileiro e conquistou o título sul-americano. A aposta deu tão certo que ele vai para sua sexta edição de Jogos Olímpicos de Inverno. E mais do que isso, se tornou um "olheiro" para captar novos talentos para o bobsled brasileiro. O piloto costuma sondar amigos treinadores e frequentar competições de atletismo, como o Troféu Brasil, para observar as provas de velocidade, saltos e analisar o biotipo dos atletas.
— O atletismo é a base, porque hoje a gente não consegue fazer a iniciação focada no bobsled. Como a gente não tem essa estrutura, o que chega mais próximo de acelerar o processo de preparação e alto rendimento no bobsled é o atletismo, o rugby... Modalidades de explosão muscular, velocidade e força. A gente consegue fazer esse trabalho de força e base que vai ajudar no bobsled, mas sem deixar de treinar a parte física do atletismo quando começa a temporada. É uma possibilidade a mais pro atleta ir aos Jogos Olímpicos, de inverno e de verão - declarou.
Todos os convocados para representar o Brasil nos Jogos de Milão-Cortina iniciaram suas trajetórias no esporte pelo atletismo. Assim como Edson Bindilatti, Rafael Souza também competia no decatlo. Luís Bacca foi campeão brasileiro no salto triplo, enquanto Davidson de Souza era especialista em lançamento de disco e dardo. O jovem piloto Gustavo Ferreira despontou como velocista.
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Da história em Sydney ao gelo de Turim
Um dos maiores nomes do atletismo brasileiro também fez a ponte para o bobsled. Seis anos após entrar para a história com a conquista da medalha de prata no revezamento 4x100m nos Jogos Olímpicos de Sydney, Claudinei Quirino deixou seu nome marcado mais uma vez ao se tornar o primeiro brasileiro a competir nas Olimpíadas de Verão e de Inverno.
O atleta integrou a equipe que foi aos Jogos de Turim 2006, ao lado do próprio Edson Bindilatti. Além deles, Ricardo Raschini e Márcio Silva completaram o time. Infelizmente, a participação brasileira não terminou bem. Conhecidos como "Bananas Congeladas", os brasileiros perderam o controle do trenó nas duas primeiras descidas e foram eliminados.
Os Jogos de Turim marcaram apenas a segunda participação do bobsled brasileiro em Jogos Olímpicos de Inverno. Agora, em Milão-Cortina, o país marcará presença no evento pela sexta vez.
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