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A última dança no gelo: Edson Bindilatti é história do Brasil no bobsled

Aos 46 anos, piloto chega à sua sexta edição de Olimpíadas de Inverno

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Beatriz Pinheiro
São Paulo (SP)
Dia 15/02/2026
08:00
Edson Bindilatti se despedirá do bobsled em sua sexta Olimpíada
imagem cameraEdson Bindilatti se despedirá do bobsled em sua sexta Olimpíada (Foto: Reprodução/ Instagram)

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Edson Bindilatti não gosta de altura. O homem que desafia a gravidade a quase 150 km/h em uma pista de gelo confessa, sem cerimônia, que tem medo de atividades radicais. Salto de paraquedas? Nem pensar. Asa-delta? Fora de cogitação. Mesmo assim, a paixão pelo bobsled falou mais alto e, há mais de duas décadas, ele não sente medo ao construir a história do Brasil na modalidade. Aos 46 anos, chega a Milão-Cortina, em sua sexta edição de Olimpíadas de Inverno, para a "última dança" no gelo.

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Ex-atleta do decatlo, Bindilatti seguiu uma trilha comum a muitos velocistas e saltadores: a transição das pistas de atletismo para o "Fórmula 1 do gelo". Mas o batismo, em Lake Placid (EUA), base da seleção brasileira, foi longe de ser um protocolo suave.

— Quando eu cheguei, achei que a gente ia olhar o trenó descendo e só depois começar a descer. Mas não, só me disseram: 'põe esse capacete aí, você vai ficar nessa posição, abaixa a cabeça, não levanta pra nada'. E vamo embora. Eu fui rezando a descida inteira. Aí depois que passou a linha de chegada, eu pensei: 'dá pra ir de novo' - contou, aos risos.

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"Era tudo mato"

Bindilatti viu o Brasil deixar de ser uma curiosidade, pouco levada a sério, para se tornar um competidor respeitado. Se em suas primeiras participações olímpicas, em Salt Lake City 2002 e Turim 2006, o aprendizado era na base do improviso, o cenário atual teve alguns avanços.

— Lá atrás a gente não sabia nada, era tudo mato. Hoje, o atleta que chega aqui encontra uma estrutura de alto nível. A gente sabe desmontar, montar e regular trenó. Entendemos de pilotagem, de física, do que é importante para a performance na empurrada (push). É um outro Brasil - avalia.

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Apesar do salto de qualidade, a realidade brasileira ainda exige que os atletas coloquem a mão na massa. Enquanto potências como Alemanha, Canadá e Estados Unidos viajam com mecânicos exclusivos para cada detalhe técnico, os brasileiros são seus próprios engenheiros. Edson e sua equipe trabalham diretamente no polimento das lâminas e ajuste dos trenós.

— Os caras têm mecânicos que sabem muito de regulagem. Às vezes a gente dá uma perguntadinha, eles falam o que podem e a gente vai aprendendo. Mas isso faz a gente dar mais valor no material e entender mais do negócio - disse.

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Edson Bindilatti é o piloto da seleção brasileira de bobsled
Edson Bindilatti é o piloto da seleção brasileira de bobsled (Foto: Gabriel Heusi/COB)

A "desaposentadoria" por mais uma missão

Após os Jogos de Pequim 2022, onde o Brasil conquistou uma inédita final olímpica, e o sentimento de Edson, apesar da felicidade, não era totalmente de missão cumprida. O plano era se aposentar após as Olimpíadas, mas uma mudança nas regras da corrida olímpica deu uma virada nos planos.

Para os Jogos de Milão-Cortina 2026, a classificação passou a exigir um resultado combinado no 2-man (duplas) e no 4-man (quartetos). Com a renovação de pilotos ainda em curso, com o jovem Gustavo Ferreira ainda conquistando seu espaço, a experiência de Edson tornou-se vital para garantir a presença do país. Ele ouviu o pedido da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG), conversou com a esposa, e recalculou a rota.

— Voltei não só pra qualificar, eu queria fazer história. Precisava de um material competitivo, lâminas, trenós, atletas… Minha pilotagem tá muito boa, mas eu queria essas condições. Agora tô me sentindo melhor do que eu comecei. Na minha melhor forma, fisicamente e mentalmente - finalizou.

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