'Besuntado de Tonga' volta às Olimpíadas como ícone humanitário e pioneiro do esporte
Pita Taufatofua conduzirá a bandeira olímpica na cerimônia de abertura de Milão-Cortina

Sem camisa, banhado a óleo e usando vestimentas tradicionais de Tonga, o atleta Pita Taufatofua ganhou as redes sociais e virou meme quando participou como porta-bandeira na cerimônia de abertura dos Jogos do Rio 2016, função que repetiu em Tóquio, cinco anos mais tarde. Nesta sexta-feira (6), ele será um dos destaques da abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina mas, ao invés das cores de seu país, levará a bandeira olímpica.
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Pita Taufatofua foi escolhido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), assim como a ginasta brasileira Rebeca Andrade e outras personalidades internacionais, como reconhecimento por seus feitos humanitários e pioneirismo no esporte. Em 2016, se tornou o primeiro atleta de Tonga a competir no taekwondo em Jogos Olímpicos. Na ocasião, acabou eliminado ainda na primeira fase.
Em 2018, Taufatofua participou dos Jogos Olímpicos de Inverno de PyeongChang como atleta de esqui cross-country. E sim, repetiu o look tradicional na cerimônia de abertura, mesmo sob um frio de -4ºC. Com apenas três meses de treinamento na neve, ele disputou a prova dos 15km e terminou com o 114º lugar entre 119 participantes. Nos Jogos Olímpicos de Tóquio, voltou a competir no taekwondo, mas acabou eliminado na repescagem da categoria até 80kg.
No ciclo de Tóquio, Pita Taufatofua chegou a competir na canoagem e tentou a classificação olímpica na modalidade, mas não teve sucesso. Nos Jogos de Paris, sem vaga como atleta, ele acompanhou a delegação de Tonga na capital francesa como consultor.

Solidariedade em meio ao desastre
Em janeiro de 2022, a erupção do vulcão Hunga Tonga, seguida por um tsunami, causou devastação no país, um arquipélago localizado na região do Pacífico. Na época, Pita Taufatofua organizou uma vaquinha online para auxiliar a população atingida pelo desastre e conseguiu mobilizar apoio internacional, especialmente pelas redes sociais. A campanha arrecadou mais de 500 mil dólares.
— Recebi uma mensagem de, acredite, uma senhora no Japão. Ela disse 'Você acenou para mim em Tóquio nos Jogos. Você acenou para mim e agora estou retornando o favor'. Eu senti e pensei - eu acenei. Preciso começar a acenar para todo mundo - disse o atleta, na época, ao Olympics.com.
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Quem carrega a bandeira olímpica?
Além de Pita Taufatofua e Rebeca Andrade, outras personalidades conduzirão a bandeira olímpica na cerimônia de abertura dos Jogos de Milão-Cortina. E não são apenas figuras do esporte: o Comitê Olímpico Internacional (COI) escolheu como porta-bandeira o ex-prefeito de Hiroshima Tadatoshi Akiba, por seu compromisso global com o desarmamento nuclear, a nigeriana Maryam Bukar Hassan, artista e Defensora Global da Paz da ONU, o escritor e ativista italiano Nicolò Govoni e o vice-presidente da Fundação Olímpica para Refugiados Filippo Grandi, também italiano.
Segundo o COI, os porta-bandeiras para Milão-Cortina foram escolhidos por representar os valores olímpicos, ter histórias de engajamento cívico e envolvimento com causas humanitárias, de inclusão e responsabilidade global.
Apesar de parecer inusitada, a presença de personalidades fora do mundo do esporte não é uma novidade nas cerimônias de abertura. Nos Jogos de Sochi 2014, por exemplo, a bandeira olímpica foi conduzida por oito ícones russos, incluindo a atriz e filantropa Chulpan Khamatova, que estrelou o filme "Adeus, Lênin!", a ex-astronauta Valentina Tereshkova, primeira mulher no espaço, e o maestro Valery Gergiev.
Na cerimônia de abertura dos Jogos de Turim 2006, a bandeira olímpica foi levada apenas por mulheres pela primeira vez na história. Estavam no grupo a escritora chilena Isabel Allende, a atriz e ativista americana Susan Sarandon e a queniana Wangari Maathai, ganhadora do Nobel da Paz.


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