Perfeição no gelo: relembre apresentações marcantes da patinação nas Olimpíadas
Disputa da modalidade nos Jogos de Milão-Cortina começa nesta sexta-feira (6)

A patinação artística é um dos esportes mais conhecidos e aguardados das Olimpíadas de Inverno, unindo técnica, explosão física e muita precisão. A programação da modalidade nos Jogos de Milão-Cortina começa nesta sexta-feira (6), e o Lance! relembra abaixo algumas das apresentações mais marcantes na história do evento.
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Nota máxima e ousadia de ouro
Os britânicos Jayne Torvill e Christopher Dean roubaram a cena nos Jogos de Sarajevo, em 1984, com uma apresentação inovadora ao som de "Bolero", de Maurice Ravel. A "ousadia" da dupla começou logo no início do ciclo olímpico, quando os dois deixaram seus empregos para se dedicar integralmente à patinação. A mudança deu certo, já que os dois chegaram às Olimpíadas daquele ano com três títulos mundiais.
Superado o desafio, precisavam encaixar a música escolhida, que tinha um total de 17 minutos, nos 4m10s permitidos para a apresentação na dança no gelo. Os dois encaixaram uma série praticamente perfeita e receberam doze notas 6.0, a pontuação máxima de execução, garantindo a medalha de ouro.
A estimativa é de que cerca de 24 milhões de pessoas no Reino Unido assistiram à apresentação de Torvill e Dean, número equivalente à metade da população do país naquela época.

Da agressão ao pódio
A história do ataque sofrido pela patinadora Nancy Kerrigan em janeiro de 1994, às vésperas dos Jogos Olímpicos de Lillehammer, é amplamente conhecida e virou até filme. Na época, ela rivalizava com Tonya Harding pela vaga olímpica e surgia como favorita ao posto e ao pódio.
Um dia antes da seletiva americana que daria duas vagas para os Jogos, Nancy foi atacada por um homem com um cassetete e atingida acima do joelho quando saía de um treinamento. As imagens da atleta chorando e perguntando 'por quê', captadas por uma equipe de televisão, geraram comoção internacional. A patinadora não teve a perna quebrada, mas sofreu uma lesão que a tirou da seletiva. Sem sua principal adversária, Tonya venceu a seletiva.
Mesmo sem disputar a seletiva americana, a Federação Internacional de Patinação definiu que a segunda vaga do país seria de Nancy, que buscou uma recuperação em tempo recorde e conseguiu competir em Lillehammer. A patinadora entregou uma apresentação técnica e graciosa que lhe rendeu a medalha de prata no programa livre e aclamação do público.
Após investigações policiais, ficou comprovado que os mandantes da agressão a Nancy Kerrigan foram Tonya Harding e seu então marido, Jeff Gilloly. Após disputar os Jogos de Lillehammer, no qual terminou com a oitava posição no programa longo, Tonya confessou sua participação no incidente e pegou três anos de condicional.

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Bicampeão olímpico após lesão
O japonês Yuzuru Hanyu é uma referência da patinação artística mundial. Nos Jogos de Sochi 2014, ele chegou "de mansinho" e, aos 19 anos, se tornou o campeão olímpico mais jovem desde os Jogos de St. Moritz 1948, o primeiro de seu país a conseguir esse feito.
A grande superação Hanyu, porém, veio na edição seguinte, nos Jogos de PyeongChang 2018. Em novembro do ano anterior, a apenas dois meses das Olimpíadas, sofreu uma queda durante treinamento e rompeu o ligamento do tornozelo. Com foco total na recuperação, o astro da patinação fez um grande retorno e, com 317.85 pontos no somatório do programa curto e longo, conquistou seu segundo ouro.
Momento inesquecível! ⛸️🇯🇵 Em 2018, Hanyu Yuzuru encantou o mundo com sua performance nos Jogos Olímpicos de Inverno #PyeongChang2018 e conquistou o bicampeonato olímpico na patinação artística! 🥇🥇 #YuzuruHanyu #羽生結弦 pic.twitter.com/5lbLcBdj0M
— Jogos Olímpicos (@JogosOlimpicos) December 17, 2025
Com o desempenho em PyeongChang, Yuzuru Hanyu mais uma vez quebrou um tabu: ele foi o primeiro bicampeão olímpico na modalidade desde os Jogos de Oslo 1952.
Colocando o Brasil no mapa
Isadora Williams nasceu em Marietta, na Geórgia, Estados Unidos, filha da mineira Alexa Williams, e desde cedo escolheu representar o Brasil em competições internacionais. Classificada aos Jogos de Sochi 2014, foi a primeira atleta do país a competir na modalidade em Olimpíadas. Mas seu maior feito viria na edição seguinte, em PyeongChang.
Na República da Coreia, a patinadora superou a frustração após ser a última colocada em sua estreia olímpica. Ao som do clássico "Hallelujah", de Leonard Cohen, ela fez uma apresentação sem falhas no programa curto, e garantiu a 17ª colocação - o suficiente para se tornar a primeira atleta brasileira e sul-americana a disputar uma final da modalidade em Jogos Olímpicos.
Há 7 anos, uma apresentação histórica para o esporte brasileiro! 🇧🇷 Isadora Williams na final da patinação artística nos Jogos Olímpicos de Inverno! 💜⛸️#MilanoCortina2026 vai entregar muitos momentos mágicos como esse! pic.twitter.com/Fgm1pd5sqc
— Jogos Olímpicos (@JogosOlimpicos) February 24, 2025
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