Além de Rayssa: pioneira na gestão da CBSk prepara nova geração do skate feminino
Aline Dantas foi a primeira mulher a assumir a vice-presidência da entidade

- Matéria
- Mais Notícias
Aline Dantas cresceu acostumada a ser a única menina entre um grupo cheio de meninos. Em casa, era a única filha ao lado de três irmãos. Foi por causa de um deles que se apaixonou pelo skate e iniciou um relacionamento com a modalidade que se estenderia por décadas. Durante a adolescência no Espírito Santo, precisava correr atrás de outras meninas para participar dos campeonatos. Mas não era esse o futuro que ela desejava. Hoje, Aline é a primeira mulher a ocupar a vice-presidência da Confederação Brasileira de Skate (CBSk) e quer aumentar a participação feminina nos bastidores do esporte.
➡️Isaquias Queiroz se pronuncia sobre saída do Flamengo: 'seguir o caminho'
➡️Heptacampeão mundial do skate, Nyjah Huston relata fratura craniana após acidente
O que começou como um sonho de apenas andar de skate e ser feliz, aos poucos foi trazendo à tona a personalidade de liderança de Aline, que mergulhou cada vez mais no universo da modalidade. Por muito tempo, resistiu ao cenário do alto rendimento e se dedicou a dar aulas em projetos sociais, mas aceitou o desafio de integrar a gestão da CBSk.
— Você se pergunta um monte de coisa. E aí foi quando eu entendi que eu poderia, sim, ser a mulher que abrisse essa porta, independente do que ia vir depois. Ninguém tá 100% preparado pra ocupar qualquer cargo na vida, então, você tem que estar disposta. E eu estava ali disposta, morrendo de medo, mas estava disposta - contou, em entrevista exclusiva ao Lance!.
Uma das estratégias adotadas pela gestão foi ampliar a contratação de mulheres no setor administrativo e nos polos dos projetos sociais da CBSk. Ela também apostou na realização do primeiro Congresso Feminino de Skateboard, em novembro de 2025, para debater temas como psicologia, desenvolvimento de atletas, estratégias de marketing e patrocínio.
— Eu sei que nós estamos cansadas, que tudo isso que a gente vive, enquanto mulher, é cansativo. A gente tem que provar o tempo todo o nosso lugar, quem nós somos, muito mais que homens. É desgastante pra caramba, mas é isso que a gente tem, então não vamos desistir, não é para desistir agora - opinou.

A nova fase do skate brasileiro
A Confederação mantém, além da seleção principal, uma seleção júnior que é constantemente monitorada pela comissão técnica. Segundo Aline, os eventos estaduais e o calendário do STU são essenciais para testar os jovens talentos. Atualmente, integram a seleção júnior as paulistas Bia Godoi e Manuella Moretti, além da carioca Brenda Moura. Nos Jogos Pan-Americanos Júnior de 2025, Maria Lúcia e Daniela Vitória representaram a categoria.
— Essa nova geração tá vindo forte, as meninas são surreais. Eu vejo elas com uma disposição, vêm com uma vontade de querer estar nas Olimpíadas, querer viver isso tudo, viajar... Cada uma tem o seu perfil, mas elas vêm com sangue no olho total. Eu acordo e elas já estão postando vídeo indo pra pista - contou.
A inclusão do skate no programa olímpico mudou o patamar da modalidade, que surgiu mais como um estilo de vida das ruas do que como esporte de alto rendimento. A nova geração, porém, chega mais adaptada a esse novo cenário.
— Como o skate é novo nesse universo, foi difícil de entender que não dá pra dormir qualquer hora, não dá pra ter uma alimentação de qualquer jeito, que precisa de um treinamento físico direcionado. Mas essa geração já chega sabendo disso tudo. Não só elas, mas as famílias também já entendem que é importante fazer um treinamento, que é importante ter psicólogo, elas já vêm com essa base e a gente fomentando isso internamente - disse.
➡️ Tudo sobre os esportes Olímpicos agora no WhatsApp. Siga o nosso novo canal Lance! Olímpico
➡️ Siga o Lance! no Google para saber tudo sobre o melhor do esporte brasileiro e mundial
Tudo sobre
- Matéria
- Mais Notícias


















