Todos os camisas 10 do Brasil na história das Copas do Mundo
A 10 da Seleção Brasileira é a camisa mais simbólica do futebol mundial.

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Poucas camisas no esporte carregam tanto peso simbólico quanto a camisa 10 da Seleção Brasileira. Mais do que um número, ela representa uma ideia de futebol: criatividade, protagonismo, capacidade de decidir jogos grandes e de assumir responsabilidades nos momentos mais difíceis. Ao longo das Copas do Mundo, o Brasil vestiu esse número em jogadores de perfis distintos, mas quase sempre associados à inteligência e ao talento técnico. O Lance! apresenta todos os camisas 10 do Brasil na história das Copas do Mundo.
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Diferentemente do que muitos imaginam, a camisa 10 nem sempre foi sinônimo de título. Em várias Copas, esteve nos ombros de craques que encantaram sem levantar a taça. Ainda assim, o número construiu uma linhagem histórica que ajudou a moldar a identidade do futebol brasileiro no cenário mundial.
Desde 1950, quando a numeração passou a ser utilizada de forma mais sistemática, a camisa 10 acompanhou transformações táticas, mudanças de estilo e diferentes gerações. A partir de 1994, com a padronização definitiva da FIFA, o número passou a ser fixo, consolidando ainda mais seu valor simbólico.
A seguir, a trajetória completa de todos os camisas 10 do Brasil na história das Copas do Mundo, com contexto, função em campo e legado.
Todos os camisas 10 do Brasil na história das Copas do Mundo
1950 – Danilo Alvim - o primeiro camisa 10
Na Copa do Mundo de 1950, disputada no Brasil, Danilo Alvim foi o responsável por vestir a camisa 10. Meio-campista cerebral, era o organizador do jogo e o elo entre defesa e ataque. Seu futebol era pautado pela visão de jogo e pelo passe preciso, características raras para a época.
Embora o Brasil não tenha conquistado o título no traumático desfecho do Maracanã, Danilo foi amplamente reconhecido como um dos melhores jogadores do torneio. Sua atuação ajudou a estabelecer a camisa 10 como símbolo de inteligência tática, mesmo antes da associação direta com títulos mundiais.
1954 – Pinga
Na Copa de 1954, na Suíça, o camisa 10 foi Pinga. Meia habilidoso, técnico e elegante, representava o futebol brasileiro ainda em processo de amadurecimento internacional. Atuava como articulador ofensivo, mas em um time que ainda buscava equilíbrio emocional em jogos decisivos.
A eliminação precoce não apagou sua importância histórica. Pinga faz parte da fase de transição da camisa 10, quando o número começava a ganhar protagonismo ofensivo, ainda sem o peso mítico que viria poucos anos depois.
1958, 1962, 1966 e 1970 – Pelé - o eterno dono da camisa 10
Pelé é o marco definitivo da camisa 10. Entre 1958 e 1970, transformou o número em sinônimo de excelência absoluta. Atuando como atacante, mas com liberdade total, reunia finalização, visão de jogo, passe, força física e genialidade.
Com três títulos mundiais, Pelé não apenas venceu Copas: redefiniu o futebol. A camisa 10 passou a carregar uma expectativa quase mística após sua passagem. Desde então, todo camisa 10 do Brasil passou a ser comparado, direta ou indiretamente, ao Rei.
1974 e 1978 – Rivelino
Após Pelé, coube a Rivellino herdar o número mais pesado do futebol mundial. Canhoto genial, ponta-esquerda de origem, levou a camisa 10 para o lado do campo, com dribles longos, chutes fortes e personalidade marcante.
Embora o título de 1970 tenha sido conquistado como jogador, Rivellino vestiu a 10 nas Copas de 1974 e 1978. Foi protagonista técnico, especialmente em 1978, reforçando a associação da camisa com liderança e talento, mesmo sem levantar a taça.
1982 e 1986 – Zico
Zico talvez seja o maior camisa 10 do Brasil sem título mundial. Meia ofensivo completo, foi o cérebro das seleções de 1982 e 1986. Seu futebol unia inteligência, precisão, chegada na área e domínio absoluto da bola parada.
A geração de 1982 elevou a camisa 10 a um patamar quase artístico. Mesmo sem conquistar a Copa, Zico consolidou o número como símbolo do futebol bonito, ofensivo e protagonista, reforçando que o legado da camisa vai além das conquistas.
1990 – Silas
Em 1990, a camisa 10 ficou com Silas. Meio-campista técnico, de bom passe e visão de jogo, representou uma fase de transição do futebol brasileiro, mais pragmático e menos criativo.
A eliminação precoce daquela Copa fez com que sua passagem fosse menos lembrada, mas Silas integra oficialmente a linhagem histórica da camisa 10, em um momento de redefinição tática da Seleção.
1994 – Raí
Raí vestiu a camisa 10 no tetracampeonato de 1994. Capitão, líder e referência técnica, iniciou o torneio como titular absoluto. Embora tenha perdido espaço ao longo da competição, seu papel institucional foi fundamental.
A camisa 10 voltou a ser campeã do mundo, agora associada não apenas à genialidade, mas também à liderança, equilíbrio emocional e maturidade competitiva.
1998 e 2002 – Rivaldo
Rivaldo foi o camisa 10 de duas Copas consecutivas e campeão mundial em 2002. Atacante de origem, mas com características de meia, foi decisivo com gols, assistências e protagonismo técnico.
Especialmente em 2002, formou com Ronaldo uma das duplas mais letais da história das Copas. Sua passagem consolidou a camisa 10 como peça central do sistema ofensivo moderno.
2006 – Ronaldinho Gaúcho - o mágico da camisa 10
Ronaldinho chegou à Copa de 2006 como melhor jogador do mundo. Vestia a camisa 10 com o carisma e a irreverência que marcaram sua carreira. Atuava como ponta com liberdade criativa, sendo o principal símbolo técnico daquela geração.
Apesar da eliminação frustrante, sua passagem reforçou o imaginário da camisa 10 como espaço da criatividade pura, do improviso e do futebol espetáculo.
2010 – Kaká
Em 2010, Kaká foi o camisa 10. Meia moderno, de condução longa, força física e chegada na área, representava um perfil diferente dos camisas 10 clássicos. Atuou lesionado durante o torneio, o que limitou seu desempenho.
Ainda assim, sua presença simbolizou a adaptação da camisa 10 ao futebol físico e intenso do século XXI.
2014 a 2022 – Neymar - o atual camisa 10
Desde 2014, Neymar assumiu a camisa 10 e tornou-se o principal nome da Seleção em três Copas do Mundo. Ponta-esquerda de origem, mas com liberdade total, concentrou a criação, a finalização e o peso ofensivo da equipe.
Mesmo sem títulos mundiais, Neymar quebrou recordes, tornou-se o maior artilheiro da história da Seleção e manteve viva a centralidade simbólica da camisa 10 no futebol brasileiro contemporâneo.
O significado eterno da camisa 10
Ao longo das Copas do Mundo, a camisa 10 do Brasil foi usada por meias, atacantes e pontas. Mudaram os esquemas, os estilos e as exigências físicas, mas o número sempre esteve ligado à ideia de protagonismo.
Pelé a transformou em mito. Zico a elevou à arte. Raí e Rivaldo a levaram novamente ao topo. Neymar a manteve como centro do jogo em um futebol cada vez mais coletivo e tático.
Mais do que títulos, a camisa 10 do Brasil representa uma herança cultural. Um número que carrega a expectativa de genialidade — e que, Copa após Copa, segue sendo o coração simbólico da Seleção Brasileira.
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