A história das cores do Corinthians: por que o preto e branco substituíram o bege original?
Como necessidade financeira e desgaste do tecido moldaram identidade alvinegra.

- Matéria
- Mais Notícias
O Sport Club Corinthians Paulista foi fundado em 1º de setembro de 1910, no bairro do Bom Retiro, por cinco operários que buscavam criar um clube popular, acessível e representativo da classe trabalhadora paulistana. Pouco após a fundação, veio a necessidade prática de se apresentar oficialmente em campo com um uniforme padronizado. O Lance! conta a história das cores do Corinthians.
Relacionadas
➡️ Siga o Lance! no WhatsApp e acompanhe em tempo real as principais notícias do esporte
A escolha inicial seguiu a referência direta do Corinthian FC, da Inglaterra, equipe amadora que inspirava o clube brasileiro não apenas no nome, mas também nos valores esportivos. O primeiro uniforme era composto por uma camisa em tom creme ou bege, com detalhes pretos na gola e nos punhos, além de calções simples, muitas vezes improvisados.
Naquele momento, não havia preocupação simbólica profunda com cores. O critério principal era a disponibilidade do tecido e o custo reduzido, algo fundamental para um clube recém-criado por trabalhadores sem grande apoio financeiro.
A história das cores do Corinthians
A mudança forçada: quando o bege deixou de existir
A transição das cores do Corinthians não ocorreu por decisão estética ou estratégia de identidade visual. Ela foi consequência direta da realidade econômica do clube nos primeiros anos de existência.
O tecido bege utilizado no uniforme original apresentava um problema prático:
- Desbotava rapidamente após sucessivas lavagens, algo comum em um clube formado por operários que cuidavam pessoalmente de seus materiais esportivos.
Sem recursos para adquirir novos uniformes na mesma tonalidade, a diretoria se viu diante de uma escolha pragmática. Em 1916, o Corinthians adotou oficialmente o branco como cor predominante da camisa, por ser mais acessível, fácil de encontrar e simples de manter.
O preto, que antes aparecia apenas nos detalhes, permaneceu como elemento complementar, garantindo continuidade visual mesmo com a mudança forçada.
A consolidação do preto e branco como identidade do Corinthians
A combinação definitiva das cores aconteceu de forma gradual e quase acidental. Em 1920, quando o clube passou a ter melhores condições financeiras, surgiu a possibilidade de padronizar também os calções. A escolha foi pelo preto, cor resistente, prática e já presente nos detalhes da camisa.
Esse conjunto — camisa branca e calção preto — acabou se fixando como uniforme principal. A partir daí, o Corinthians passou a ser reconhecido como um clube alvinegro, mesmo que, tecnicamente, o branco sempre tenha sido a cor predominante do uniforme titular.
Com o passar das décadas, especialmente a partir dos anos 1940, o clube desenvolveu também uma camisa alternativa predominantemente preta, com detalhes brancos. Essa inversão reforçou na percepção popular a identidade do "preto e branco", expressão que passou a representar não apenas o uniforme, mas o próprio Corinthians.
O significado simbólico das cores alvinegras
Embora tenham surgido de limitações materiais, o preto e o branco ganharam forte carga simbólica ao longo do tempo. As cores passaram a ser associadas a conceitos como:
- resistência
- simplicidade
- contraste
- identidade popular
O Corinthians, clube de massa e de origem operária, encontrou nessas cores uma representação fiel de sua história: sem ornamentos excessivos, direto, marcante e reconhecível.
O que nasceu como adaptação econômica transformou-se em um dos conjuntos visuais mais icônicos do futebol mundial.
A evolução do escudo e a ligação com São Paulo
A consolidação das cores caminhou paralelamente à evolução do escudo do clube. O primeiro símbolo, criado em 1912, trazia apenas as letras C e P, iniciais de Corinthians Paulista.
Em 1914, o escudo foi reformulado por Hermógenes Barbuy, incorporando:
- uma moldura mais elaborada
- a letra S, formando a sigla CPS (Corinthians Paulista Sport)
Já em 1919, ocorreu uma das mudanças mais importantes: a inclusão da bandeira do estado de São Paulo no centro do escudo. Esse elemento reforçou a ligação institucional do clube com o estado e consolidou a identidade visual que, com ajustes pontuais, permanece até hoje.
Assim como o uniforme, o escudo do Corinthians não surgiu de um projeto fechado, mas de um processo contínuo de adaptação, simbolismo e afirmação popular.
Tudo sobre
- Matéria
- Mais Notícias

















