Cartola da Fifa escondeu taça da Copa do Mundo na cama por 12 anos
Ouro sob o colchão: como a Taça Jules Rimet sobreviveu à Segunda Guerra.

- Matéria
- Mais Notícias
A história das Copas do Mundo é feita de gols épicos e estádios monumentais, os seus bastidores guardam segredos que mais parecem roteiros de filmes de espionagem. Em 1938, a Itália erguia o troféu Jules Rimet pela segunda vez consecutiva, sem imaginar que a pequena estatueta de ouro não voltaria a ver a luz do sol de um estádio por mais de uma década. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial em 1939, o maior símbolo do futebol mundial deixou de ser um objeto de desejo esportivo para se tornar um alvo de cobiça política e militar. O Lance! conta a história do Cartola da Fifa escondeu taça da Copa do Mundo na cama por 12 anos.
Relacionadas
➡️ Siga o Lance! no WhatsApp e acompanhe em tempo real as principais notícias do esporte
Durante os anos de conflito, o destino de inúmeras obras de arte e tesouros culturais foi o confisco ou a destruição sistemática. O esporte, que por um breve período tentou manter uma normalidade impossível, acabou tragado pelo caos global, e a Taça Jules Rimet tornou-se uma "fugitiva". O troféu, que deveria repousar em um cofre seguro sob a guarda da federação campeã, corria o risco real de ser fundido para financiar a máquina de guerra nazista ou ser exibido como um troféu de conquista ideológica.
Cartola da Fifa escondeu taça da Copa do Mundo na cama por 12 anos
Neste cenário de incertezas, surgiu a figura de um homem que decidiu que a segurança do banco não era mais suficiente. Ottorino Barassi, vice-presidente da FIFA e chefe do futebol italiano, compreendeu que o ouro oficial era um imã para soldados e oficiais ocupantes. Ele sabia que, se a taça permanecesse em um cofre de banco em Roma, seria apenas questão de tempo até que o exército alemão a encontrasse durante uma inspeção de rotina.
A decisão de Barassi foi tão audaciosa quanto simples: ele resolveu "roubar" a taça que ele mesmo deveria proteger. Sem alardes ou escoltas, ele retirou o troféu do banco e o levou para sua residência pessoal. Foi ali, entre as paredes de uma casa comum e longe da pompa dos grandes gabinetes, que o destino da Copa do Mundo foi selado de forma humilde e quase invisível.
Hoje, em 2026, olhamos para esse gesto como o ato supremo de preservação do esporte. A história de que a taça passou doze anos escondida debaixo de uma cama, dentro de uma caixa de sapatos, não é apenas um folclore divertido; é o registro de um período em que a sobrevivência do futebol dependia da coragem individual de seus guardiões. Sem o estratagema de Barassi, a Copa de 1950 no Brasil poderia ter ocorrido sem o seu símbolo maior.
O plano secreto de Ottorino Barassi para Jules Rimet
Ottorino Barassi não era apenas um "cartola" burocrático; ele era um visionário que entendia o peso simbólico do troféu criado por Abel Lafleur. Como a Itália era a atual campeã mundial (título de 1938), a federação italiana (FIGC) tinha a posse física da taça. Quando a ocupação alemã em Roma tornou-se mais agressiva, Barassi percebeu que os nazistas estavam rastreando bens preciosos e depósitos de ouro para sustentar o esforço de guerra.
Ele foi ao banco, retirou o troféu Jules Rimet e o levou para casa sem deixar registros oficiais. O risco era imenso: se fosse pego com o objeto, Barassi poderia ser acusado de sabotagem ou roubo de bens do Estado. No entanto, ele acreditava que o único lugar onde os soldados alemães não procurariam por um tesouro de ouro maciço seria em um local mundano e sem importância.
A caixa de sapatos que enganou o exército alemão
A Jules Rimet, que media cerca de 35 centímetros e pesava quase quatro quilos de ouro, foi colocada dentro de uma caixa de sapatos velha. Barassi empurrou a caixa para o fundo do vão debaixo de sua própria cama. Durante os anos de guerra, oficiais da Gestapo chegaram a realizar buscas na casa de Barassi em busca de documentos e bens confiscáveis.
Diz a lenda — confirmada por relatos históricos — que os soldados reviraram armários e gavetas, mas ignoraram completamente a caixa empoeirada debaixo do colchão do dirigente. Eles procuravam por cofres escondidos e compartimentos secretos, nunca imaginando que a glória máxima do esporte mundial estava a poucos centímetros de suas botas, protegida apenas por papelão e pela audácia de seu guardião.
Do medo romano ao sol do Maracanã
A Jules Rimet permaneceu no "esconderijo de sapatos" de 1939 até 1950. Durante esse hiato de 12 anos sem Mundiais, Barassi cuidou do troféu como se fosse um segredo de família. Só quando a paz foi reestabelecida e a FIFA anunciou que o Brasil sediaria a próxima Copa do Mundo é que Barassi trouxe a taça de volta ao público.
- 1938: Última aparição pública da taça antes da guerra.
- 1943-1945: Período crítico de buscas em Roma.
- 1950: Barassi viaja ao Brasil e entrega a taça pessoalmente para a organização do torneio.
A história de Barassi inspirou outras "lendas de cama" no futebol, como o caso da réplica feita pelos ingleses em 1966, mas nenhuma supera a realidade do dirigente italiano. Graças a ele, em 1950, o capitão uruguaio Obdulio Varela pôde erguer a taça original no Maracanã, encerrando o período mais sombrio do futebol com o brilho do ouro recuperado.
Tudo sobre
- Matéria
- Mais Notícias


















