Os capitães que ergueram a taça pelo Brasil
Os cinco líderes que simbolizaram os títulos mundiais da Seleção Brasileira.

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Erguer a taça da Copa do Mundo é o gesto mais emblemático do futebol mundial. No caso da Seleção Brasileira, esse ato carrega um peso simbólico ainda maior: representa não apenas a vitória em campo, mas a consolidação de um estilo, de uma geração e de um momento histórico do país. O Lance! lista os capitães que ergueram a taça pelo Brasil.
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Desde 1958, quando o Brasil conquistou seu primeiro título mundial, apenas cinco jogadores tiveram o privilégio de levantar o troféu como capitães. Curiosamente, esse número reduzido reflete a estabilidade histórica da Seleção em suas campanhas vitoriosas — títulos espaçados, mas marcados por lideranças muito bem definidas.
Outro ponto que chama atenção é o perfil desses capitães. Diferentemente do imaginário popular, que associa a camisa 10 à liderança simbólica, todos os capitães campeões do mundo pelo Brasil atuavam em funções defensivas: zagueiros, laterais ou volantes. Isso revela muito sobre como a Seleção estruturou sua autoridade dentro de campo.
Cada capitão ergueu a taça em um contexto diferente: da ingenuidade do futebol dos anos 1950 à globalização total do esporte no século XXI. Ainda assim, todos compartilham um traço comum: liderança silenciosa, respeito interno e identificação profunda com o grupo.
A seguir, a lista completa — Copa por Copa — dos capitães que entraram para a eternidade da Seleção Brasileira.
Os capitães que ergueram a taça pelo Brasil
Bellini – o gesto que virou tradição (1958)
O primeiro capitão da história do Brasil campeão mundial foi Bellini, zagueiro que defendia Vasco da Gama e São Paulo. Na Copa de 1958, disputada na Suécia, ele protagonizou um momento que mudaria para sempre o ritual da premiação.
Ao receber a taça Jules Rimet das mãos do rei Gustavo VI Adolfo, Bellini percebeu que o troféu ficava pouco visível para o público e os fotógrafos. Instintivamente, levantou a taça acima da cabeça — gesto que se tornaria tradição universal nas Copas do Mundo.
Bellini simbolizava a transição do Brasil para o futebol campeão: firme defensivamente, respeitado pelos companheiros e discreto fora de campo. Sua liderança foi fundamental em um elenco jovem, que contava com Pelé (17 anos) e Garrincha ainda em início de trajetória internacional.
Mauro Ramos – autoridade silenciosa no bicampeonato (1962)
Em 1962, no Chile, o capitão brasileiro foi Mauro Ramos, zagueiro do Botafogo. Diferentemente de Bellini, Mauro assumiu a braçadeira em um cenário mais complexo, marcado pela lesão de Pelé e pelo protagonismo absoluto de Garrincha.
Mauro não era um líder midiático, mas exercia enorme autoridade interna. Técnico, posicional e cerebral, comandava a defesa em uma Seleção que precisou se reinventar durante o torneio.
Ao erguer a taça pela segunda vez consecutiva, Mauro consolidou a imagem do Brasil como potência mundial e reforçou a ideia de que a liderança defensiva era um pilar fundamental das conquistas brasileiras.
Carlos Alberto Torres – o capitão do maior time da história (1970)
A Copa de 1970, no México, produziu o que muitos consideram o maior time da história do futebol. O capitão daquele elenco era Carlos Alberto Torres, lateral-direito do São Paulo, com apenas 25 anos — o mais jovem capitão brasileiro a erguer a taça.
Carlos Alberto representava uma liderança moderna: técnica refinada, leitura tática avançada e enorme respeito entre craques como Pelé, Tostão, Gérson e Jairzinho. Seu gol na final contra a Itália, em uma jogada coletiva antológica, sintetizou o espírito daquele time.
Erguer a taça em 1970 não foi apenas um título: foi a consagração definitiva do Brasil como referência estética e técnica do futebol mundial.
Dunga – liderança em tempos de desconfiança (1994)
Após 24 anos sem títulos mundiais, o Brasil chegou à Copa de 1994 cercado de desconfiança. Futebol pragmático, críticas ao estilo e pressão histórica marcaram aquela campanha. O capitão era Dunga, volante formado no futebol gaúcho e então jogador do Santos.
Dunga personificava um tipo de liderança oposto ao romantismo de 1970: intensidade, disciplina tática, força mental e enfrentamento direto das adversidades. Foi alvo de críticas durante todo o torneio, mas sustentou o grupo nos momentos mais difíceis.
Ao erguer a taça nos Estados Unidos, Dunga não apenas encerrou o jejum como redefiniu o conceito de liderança na Seleção: menos talento estético, mais competitividade e resiliência.
Cafu – duas finais do Brasil (2002)
Em 2002, o capitão brasileiro foi Cafú, lateral-direito da Roma. Ele se tornou o único jogador da história a disputar três finais consecutivas de Copa do Mundo (1994, 1998 e 2002) e o único capitão brasileiro a levantar a taça fora do país vestindo um clube estrangeiro.
A imagem de Cafu erguendo a taça no Japão com a camisa escrita "100% Jardim Irene" — referência à comunidade onde cresceu — simboliza a globalização do futebol brasileiro sem perda de identidade.
Cafú representava liderança pelo exemplo: vigor físico incansável, regularidade extrema e profunda conexão com o grupo. Sua braçadeira fechou o ciclo vitorioso do Brasil no século XX e início do XXI.
Um padrão histórico: por que todos os capitães do Brasil eram defensores?
Um dado impressionante emerge da lista: todos os capitães campeões do mundo pelo Brasil atuavam em funções defensivas. Quatro eram zagueiros ou laterais, e um volante de marcação.
Isso não é coincidência. Historicamente, a Seleção confiou a liderança formal a jogadores com maior visão global do campo, capacidade de organização coletiva e equilíbrio emocional — características mais comuns em atletas de defesa.
Enquanto os gênios ofensivos decidiam partidas, os capitães garantiam ordem, controle e estabilidade. Essa divisão de papéis ajudou a sustentar campanhas vitoriosas ao longo de diferentes eras do futebol.
Os cinco homens que seguraram a história do Brasil nas mãos
Bellini, Mauro, Carlos Alberto, Dunga e Cafu não foram apenas capitães. Foram símbolos de gerações, intérpretes do espírito de suas Seleções e guardiões do momento mais importante do futebol brasileiro.
Cada um levantou a taça em contextos radicalmente diferentes, mas todos entraram para a mesma galeria: a dos líderes que, por alguns segundos, seguraram nas mãos a própria história do Brasil.
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