Tradição, inclusão e união: rua no Rio mantém viva a magia da Copa do Mundo; veja fotos
Galera da Pereira Nunes preserva tradição que reúne vizinhos em jogos do Mundial
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Em tempos em que a conexão entre o torcedor e a Seleção Brasileira parece cada vez mais distante, a Copa do Mundo ainda tem o poder de reacender esse vínculo. Há mais de 50 anos, uma rua da Grande Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro, resiste ao tempo e mantém viva uma tradição passada de geração em geração.
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Os moradores da Rua Pereira Nunes transformam o local em um verdadeiro símbolo de Copa, com bandeiras, desenhos e ornamentações nas cores verde e amarela. Neste ano, porém, a festa ganhou um significado ainda mais especial: a conscientização sobre inclusão social.
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Além de colorir a rua para celebrar o futebol, os organizadores decidiram transformar a decoração em uma mensagem de inclusão, com destaque para pessoas com transtorno do espectro autista e deficiência visual, que também participam ativamente desse momento.

A ornamentação da "Galera da Pereira Nunes" vai muito além da estética. No espaço, os moradores tentam preservar a tradição e a identidade brasileira em um cenário cada vez mais raro nas grandes cidades. Em dias de jogos da Seleção, a rua se transforma em um verdadeiro Maracanã a céu aberto, reunindo moradores e apaixonados por futebol.
— Essa tradição está viva há mais de 50 anos. Ela é mantida pelos próprios moradores da rua, mas também conta com a participação de pessoas de fora, de outras regiões da Grande Tijuca — afirmou Matheus Coelho, um dos participantes da organização.
Segundo Matheus, o principal objetivo é manter viva a essência das Copas do Mundo nas ruas brasileiras.
— A gente tenta preservar muito essa tradição, principalmente por conta das crianças. Manter essa tradição viva também é celebrar a felicidade de ser brasileiro. Isso representa muito a nossa essência — completou o estudante de 19 anos.

Copa do Mundo como ponto de encontro
A rua fecha, as famílias ocupam o espaço público e a atmosfera relembra, especialmente aos mais velhos, as antigas Copas do Mundo, quando as ruas brasileiras realmente se transformavam em arquibancadas improvisadas.
— Em dia de jogo da Seleção Brasileira, é aqui na Pereira Nunes. Todo mundo será muito bem-vindo. A rua fecha, tem cerveja, churrasco… É o que o povo brasileiro gosta: reunir as pessoas e celebrar junto — disse Matheus.
Para Celsio Mendes, de 48 anos, um dos organizadores da ornamentação, o projeto também tem a missão de aproximar as novas gerações dessa vivência coletiva.
— A sensação de ver a galera empenhada é de dever cumprido. A gente tenta manter essa tradição justamente para trazer os jovens para a rua. E não só os jovens, mas também os pais, os avós — afirmou.

A distância entre o torcedor e a Seleção
Apesar do distanciamento entre a torcida e a Seleção Brasileira nos últimos anos, os organizadores da "Galera da Pereira Nunes" acreditam que a tradição da rua ajuda a reacender o sentimento de identificação do brasileiro com o futebol.
— Hoje acho difícil aproximar o torcedor da Seleção, porque a maioria dos jogadores atua na Europa. É difícil criar essa identificação. Mas a gente não faz isso pelos jogadores. Fazemos pelos jovens, pelas crianças e pela tradição, que já dura quase 50 anos — detalhou Celsio.
Ao longo da Rua Pereira Nunes, imagens do técnico Carlo Ancelotti, do atacante Vini Jr. e do ex-jogador Ronaldinho Gaúcho chamam a atenção de quem passa.

Há também espaço para ídolos que transcendem gerações, como Pelé e Mário Zagallo. E, para reforçar ainda mais a conexão emocional entre torcedor e esporte, o evento presta homenagens a Ayrton Senna e Oscar Schmidt, lendas eternas da Fórmula 1 e do basquete, respectivamente. O ex-jogador morreu no último dia 17 de abril.


Inclusão como tema central e titular no time da Pereira Nunes
Na véspera da convocação de Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo, ainda existem dúvidas sobre quais jogadores disputarão o Mundial. Para os moradores da Rua Pereira Nunes, porém, uma certeza já existe: a inclusão terá lugar garantido nesta edição da festa.
Inspirado pelo trabalho da esposa, Amanda Aguiar, com crianças autistas, Celsio decidiu transformar a ornamentação da rua em uma plataforma de conscientização e pertencimento.
— A ideia do tema da inclusão surgiu por causa da minha esposa. Ver ela trabalhando com crianças autistas despertou isso em mim — contou o morador da Rua Pereira Nunes.

O projeto inclui desenhos produzidos por pessoas autistas, além de elementos táteis pensados especialmente para pessoas com deficiência visual.
— Nosso objetivo é mandar um recado para o mundo: autistas, cadeirantes, pessoas com deficiência visual, auditiva ou síndrome de Down podem, e devem, participar desse projeto — destacou.
Uma das iniciativas que mais chamam atenção é uma bandeira tátil do Brasil criada para deficientes visuais. O material utiliza diferentes texturas para representar as cores da bandeira, permitindo que as pessoas consigam sentir e identificar os elementos da peça por meio do toque.

Copa como momento de pertencimento
Para os integrantes da "Galera da Rua Pereira Nunes", a decoração vai além do futebol. O projeto busca reforçar o sentimento de pertencimento com a Seleção e mostrar que a rua, mesmo em tempos de insegurança e individualismo, ainda pode ser um espaço de convivência, inclusão e memória afetiva.
— Mesmo nos momentos difíceis, precisamos acreditar e seguir em frente. A felicidade de ser brasileiro também passa por manter viva essa tradição — afirmou Matheus.

Entre tintas, bandeiras e desenhos espalhados pelo asfalto, a Rua Pereira Nunes segue mostrando que a Copa do Mundo ainda é capaz de unir gerações e, neste ano, também abrir espaço para uma mensagem de inclusão, acolhimento e pertencimento.
Confira outras imagens da Rua Pereira Nunes em preparação para a Copa do Mundo





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