Portuguesa usa canabidiol para acelerar recuperação e aumentar desempenho
Tecnologia é aliada para o time ter jogadores mais preparados para as partidas

- Matéria
- Mais Notícias
O futebol mudou muito nos últimos anos. Essas mudanças não aconteceram apenas dentro de campo. Nos bastidores, entre salas de fisioterapia, softwares de monitoramento e protocolos científicos cada vez mais avançados, o jogo agora também é disputado no terreno da recuperação dos atletas.
Relacionadas
Plano Copa: saiba como está a corrida de Neymar por uma vaga na lista de Ancelotti
Nesse ambiente surgiu uma nova aposta no futebol brasileiro: o uso do canabidiol, o CBD, como ferramenta de recuperação muscular. A Portuguesa está à frente dessa iniciativa. O diretor de saúde e performance do clube, Turíbio Leite de Barros, testou a substância em um estudo controlado e agora a incorporou à rotina do clube.
— Foi um estudo com 10 voluntários, todos praticantes de atividades física, mas não atletas profissionais. A gente induziu dor muscular nas duas pernas com exercícios em cadeira extensora, usando carga elevada e individualizada. Depois disso, aplicamos uma fita com CBD em uma perna e uma fita idêntica com placebo na outra. Nem o voluntário nem o pesquisador sabiam qual era qual — um modelo duplo-cego. A avaliação foi feita em 24, 48 e 72 horas, analisando dor, flexibilidade, força e termografia. A dor era medida por escala de 0 a 10, a flexibilidade por testes específicos, a força com dinamômetro e a termografia mostrava o nível de inflamação pela temperatura da pele. Os resultados mostraram que todas as variáveis tiveram melhora mais rápida na perna tratada com CBD. Houve redução mais acelerada da dor, recuperação mais rápida da força e da flexibilidade e diminuição mais rápida da inflamação — contou ao Lance!, o médico Turíbio Leite de Barros.
A ideia de usar o CBD não foi planejada inicialmente. Veio de fora, de uma empresa que tem um braço no Brasil e sede nos Estados Unidos. Turíbio ficou quatro anos nos EUA e fez contato com várias empresas. Uma delas sugeriu que ele fizesse um estudo usando a estrutura do clube. E foi assim que começou.
O estudo foi direcionado à dor muscular de início tardio, conhecida como DOMS. É uma dor comum que os atletas sentem depois de jogar. Aprovado para apresentação, agora ele será publicado no congresso do Colégio Americano de Medicina Esportiva.
— A partir dos resultados, começamos a usar nos casos em que havia indicação, principalmente dor muscular com componente inflamatório. O atleta relata a dor, a equipe médica avalia e, se for o caso, aplica a fita com CBD diretamente no local. Diferente do estudo, na prática você não compara as pernas — você trata diretamente o ponto da dor. O que a gente observa é uma recuperação mais rápida. Existem referências que indicam cerca de 30% de melhora na dor em relação a não tratar — explica Turíbio.
➡️ Siga o Lance! no WhatsApp e acompanhe em tempo real as principais notícias do esporte
O efeito do CBD é perceptível. Há uma melhora significativa na dor e na recuperação. A escolha pela aplicação local é estratégica, pois atua diretamente no ponto inflamatório.
— A aceitação dos atletas foi muito boa. Porque a fita é semelhante à kinesiotape, que eles já usam. A diferença é que, além do efeito mecânico, você tem um efeito farmacológico, o que acelera a recuperação. Então a aceitação foi natural. Mas sempre tem um que quer cheirar para ver se tem alguma relação com a maconha — disse, aos risos.
No futebol, a pergunta é sempre: isso é permitido? A resposta é sim. O CBD não tem efeito psicoativo e não é considerado doping.
— Já o THC, que também vem da cannabis, é proibido. Então, em hipótese alguma, você pode usar THC em um atleta que vai competir. Mesmo que houvesse um pedido de autorização, isso não seria permitido. O CBD, por outro lado, é seguro nesse sentido — explica o médico.

O CBD não atua sozinho. Ele é uma peça em um sistema mais amplo de monitoramento do corpo do atleta. Antes de cada treino, os jogadores respondem a um questionário no celular. A equipe médica avalia se o atleta pode treinar normalmente ou se precisa de intervenção.
— Hoje temos ferramentas que ajudam muito. Uma delas é a termografia. O atleta faz uma imagem térmica, que mostra diferenças de temperatura entre os membros. Se há inflamação, a temperatura aumenta e isso aparece na imagem. A gente compara, por exemplo, perna direita e esquerda. Isso ajuda a confirmar ou não a queixa. Claro que a dor é subjetiva, mas hoje temos muito mais dados para avaliar do que antigamente — conta Turíbio.
No treino, o controle é detalhado. Cada atleta carrega um GPS que registra distância, acelerações e intensidade. Nada escapa.
— Antes do treino, já existe uma meta de carga. Durante a atividade, isso é acompanhado em tempo real. Se o atleta não atinge o que deveria, ele pode complementar. Se ultrapassa, a gente reduz. Isso é o controle de carga — essencial para evitar lesões e garantir desempenho — explica Turíbio.
A Portuguesa disputa a Série D nesta temporada e espera poder contar com a tecnologia para conseguir aumentar seu desempenho em campo e assim conquistar o acesso para a Série C.
— Os analistas acompanham tudo em tempo real. Muitas vezes já aconteceu de avisarem o banco que um atleta está caindo de rendimento. Então a substituição não é só técnica, ela também é baseada em dados físicos. Porque você consegue ajustar a carga durante a semana, evitar sobrecarga e acelerar a recuperação. O objetivo é que o atleta chegue no jogo nas melhores condições possíveis. Esse acompanhamento contínuo permite manter desempenho alto e reduzir o risco de lesão — analisa.
➡️ Aposte nas partidas do seu time!
*É preciso ter mais de 18 anos para participar de qualquer atividade de jogo de apostas. Jogue de forma responsável.
No fim, o que se constrói é uma nova lógica de gestão do corpo. Uma lógica em que prevenir é tão importante quanto tratar, e onde a recuperação se tornou parte do jogo. O objetivo é que o atleta chegue aos jogos nas melhores condições possíveis. O CBD é apenas uma ferramenta nesse processo.

Tudo sobre
- Matéria
- Mais Notícias

















