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Portuguesa usa canabidiol para acelerar recuperação e aumentar desempenho

Tecnologia é aliada para o time ter jogadores mais preparados para as partidas

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Thiago Braga
São Paulo (SP)
Dia 13/04/2026
07:45
Atualizado em 13/04/2026
15:53
Portuguesa Canabidiol
imagem cameraAtleta da Portuguesa faz tratamento com faixa com canabidiol (Foto: Divulgação/Portuguesa SAF)

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O futebol mudou nos últimos anos. E não foi só dentro de campo. Nos bastidores, entre salas de fisioterapia, softwares de monitoramento e protocolos científicos cada vez mais avançados, o jogo também passou a ser disputado no terreno da recuperação dos atletas.

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É nesse cenário que surge uma nova aposta no futebol brasileiro: o uso do canabidiol (CBD) como ferramenta de recuperação muscular. A Portuguesa tem sido pioneira nessa iniciativa. O diretor de saúde e performance do clube, Turíbio Leite de Barros, conduziu um estudo controlado com a substância e passou a incorporá-la à rotina da equipe.

— Foi um estudo com 10 voluntários, todos praticantes de atividades física, mas não atletas profissionais. A gente induziu dor muscular nas duas pernas com exercícios em cadeira extensora, usando carga elevada e individualizada. Depois disso, aplicamos uma fita com CBD em uma perna e uma fita idêntica com placebo na outra. Nem o voluntário nem o pesquisador sabiam qual era qual — um modelo duplo-cego. A avaliação foi feita em 24, 48 e 72 horas, analisando dor, flexibilidade, força e termografia. A dor era medida por escala de 0 a 10, a flexibilidade por testes específicos, a força com dinamômetro e a termografia mostrava o nível de inflamação pela temperatura da pele. Os resultados mostraram que todas as variáveis tiveram melhora mais rápida na perna tratada com CBD. Houve redução mais acelerada da dor, recuperação mais rápida da força e da flexibilidade e diminuição mais rápida da inflamação — contou ao Lance!, o médico Turíbio Leite de Barros.

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A ideia de utilizar o CBD, no entanto, não surgiu de forma planejada. Veio a partir de um contato com uma empresa internacional, com sede nos Estados Unidos. Após quatro anos no país, Turíbio levou a proposta para dentro da estrutura do clube — e o projeto ganhou forma.

O foco do estudo foi a chamada dor muscular de início tardio (DOMS), comum após partidas e treinos intensos. A pesquisa já foi aprovada para apresentação e será publicada no congresso do Colégio Americano de Medicina Esportiva.

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— A partir dos resultados, começamos a usar nos casos em que havia indicação, principalmente dor muscular com componente inflamatório. O atleta relata a dor, a equipe médica avalia e, se for o caso, aplica a fita com CBD diretamente no local. Diferente do estudo, na prática você não compara as pernas — você trata diretamente o ponto da dor. O que a gente observa é uma recuperação mais rápida. Existem referências que indicam cerca de 30% de melhora na dor em relação a não tratar — explica Turíbio.

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O efeito, segundo o médico, é perceptível. A aplicação local potencializa o resultado, atuando diretamente no ponto de inflamação.

— A aceitação dos atletas foi muito boa. Porque a fita é semelhante à kinesiotape, que eles já usam. A diferença é que, além do efeito mecânico, você tem um efeito farmacológico, o que acelera a recuperação. Então a aceitação foi natural. Mas sempre tem um que quer cheirar para ver se tem alguma relação com a maconha — disse, aos risos.

Inovação é permitida no futebol?

No futebol, uma dúvida comum surge: isso é permitido? A resposta é sim. O CBD não tem efeito psicoativo e não é considerado doping.

— Já o THC, que também vem da cannabis, é proibido. Então, em hipótese alguma, você pode usar THC em um atleta que vai competir. Mesmo que houvesse um pedido de autorização, isso não seria permitido. O CBD, por outro lado, é seguro nesse sentido — explica o médico.

portuguesa canabidiol
Imagem do estudo mostra recuperação muscular após uso de faixa com canabidiol (Foto: Divulgação/Portuguesa SAF)

O uso do CBD, porém, é apenas uma peça de um sistema muito mais amplo. A rotina dos atletas é monitorada de forma detalhada. Antes dos treinos, por exemplo, os jogadores respondem a questionários no celular, ajudando a equipe a entender suas condições físicas.

— Hoje temos ferramentas que ajudam muito. Uma delas é a termografia. O atleta faz uma imagem térmica, que mostra diferenças de temperatura entre os membros. Se há inflamação, a temperatura aumenta e isso aparece na imagem. A gente compara, por exemplo, perna direita e esquerda. Isso ajuda a confirmar ou não a queixa. Claro que a dor é subjetiva, mas hoje temos muito mais dados para avaliar do que antigamente — conta Turíbio.

Durante os treinos, o controle é ainda mais preciso. Cada jogador utiliza um GPS que registra distância percorrida, acelerações e intensidade das ações. Nada escapa.

— Antes do treino, já existe uma meta de carga. Durante a atividade, isso é acompanhado em tempo real. Se o atleta não atinge o que deveria, ele pode complementar. Se ultrapassa, a gente reduz. Isso é o controle de carga — essencial para evitar lesões e garantir desempenho — explica Turíbio.

A Portuguesa, que disputa a Série D, aposta nesse conjunto de tecnologias para melhorar o rendimento e buscar o acesso à Série C.

— Os analistas acompanham tudo em tempo real. Muitas vezes já aconteceu de avisarem o banco que um atleta está caindo de rendimento. Então a substituição não é só técnica, ela também é baseada em dados físicos. Porque você consegue ajustar a carga durante a semana, evitar sobrecarga e acelerar a recuperação. O objetivo é que o atleta chegue no jogo nas melhores condições possíveis. Esse acompanhamento contínuo permite manter desempenho alto e reduzir o risco de lesão — analisa.

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No fim, o que se desenha é uma nova lógica no futebol. Uma lógica em que prevenir é tão importante quanto tratar — e em que a recuperação passou a ser parte fundamental do jogo. Nesse cenário, o CBD surge como mais uma ferramenta para ajudar o atleta a estar, sempre, no seu melhor.

Portuguesa canabidiol
Faixa com canabidiol usada pela Portuguesa (Foto: Thiago Braga/Lance!)
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