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Análise Tática do Guffo: o que esperar de Cuca no Santos

Técnico retorna ao comando do Peixe após queda de Vojvoda

Cuca - Santos x Sport
imagem cameraCuca em sua passagem anterior no Santos (Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos)
Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Dia 21/03/2026
08:14
Atualizado há 2 minutos

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O Santos de 2026 resolveu mudar o rumo da prosa. Ao trocar o perfil de projeto, saindo de um modelo mais sistêmico para a chegada de Cuca, a diretoria faz uma aposta clara na gestão de vestiário e na capacidade do treinador de potencializar individualidades. Historicamente, Cuca é o técnico do "curto prazo", do impacto imediato e de um futebol que não se prende a cartilhas posicionais rígidas. No Peixe, o desafio será transformar um elenco que vinha sofrendo defensivamente em uma equipe competitiva, usando a velha fórmula da objetividade e verticalidade.

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Taticamente, não esperem um Santos de trocas de passes infinitas ou construção paciente desde o goleiro. O DNA de Cuca, especialmente o que vimos em seus últimos trabalhos no Atlético-MG e Athletico-PR, é o da transição veloz. Ele entende o material humano que tem e desenha o time para atacar as costas da defesa adversária. Se o rival der um centímetro de espaço, o Santos de Cuca vai tentar o passe longo ou a inversão rápida. É um futebol de "chegada", com muito volume de cruzamentos e uma busca incessante por ter superioridade numérica dentro da grande área.

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A liberdade que vira problema

O problema dessa liberdade criativa é que ela flerta perigosamente com a desorganização. É comum ouvirmos relatos de jogadores sobre a falta de treinos táticos mais profundos, com Cuca preferindo os coletivos e rachões competitivos. Isso gera o que chamamos de "bagunça ofensiva": os atletas têm liberdade para flutuar, mas, se não houver uma sintonia fina, o time se perde. No Santos, que já lida com limitações técnicas em alguns setores, essa falta de padrão pode ser um risco se os resultados não vierem de imediato para sustentar a confiança do grupo.

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Defensivamente, o cenário exige atenção redobrada. Cuca é adepto da marcação individual (perseguição), o famoso "cada um no seu". É uma estratégia de alto risco: se um jogador perde o duelo individual ou é batido por um drible, a estrutura inteira desmorona como um castelo de cartas. Olhando para a atual defesa santista, com nomes como Luan Peres e Zé Ivaldo, fica a dúvida se eles têm o perfil para sustentar perseguições longas e jogar em bloco alto. Se o encaixe não for perfeito, o Santos continuará sendo um time exposto a contra-ataques letais.

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Será que ele recupera o menino Ney?

Sobre Neymar, a chegada de Cuca pode ser o combustível que o craque precisa ou o seu maior desafio. Cuca sempre teve sucesso ao dar as chaves do time para um protagonista técnico (como fez com Marinho no Santos em 2020 ou Hulk no Galo). Ele vai permitir que Neymar jogue onde se sentir mais confortável, seja como um 10 clássico, um falso 9 ou partindo da esquerda. Se Neymar estiver disposto a liderar tecnicamente esse "caos organizado", Cuca pode, sim, reerguê-lo, oferecendo um ecossistema onde o talento individual resolve o que a tática não desenhou.

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Neymar em ação no jogo do Santos contra o Vasco pelo Brasileirão
Neymar em ação no jogo do Santos contra o Vasco pelo Brasileirão (Foto: Léo Barrilari/GazetaPress)

A gestão de grupo será o fiel da balança. Cuca é conhecido por recuperar o brio de jogadores encostados e por criar um ambiente de "nós contra eles". Em um Santos que vive sob pressão constante, esse escudo emocional é valioso. Contudo, o histórico de abandonos de trabalho e a instabilidade emocional do treinador em momentos de crise são sombras que acompanham sua carreira. Com um contrato até o fim de 2026, a pergunta não é apenas se ele consegue montar o time, mas se ele terá fôlego para atravessar as turbulências naturais de uma temporada longa.

O que esperar de Cuca no Santos? O técnico não traz um repertório tático moderno ou inovador, mas traz o "fato novo" e a capacidade de tirar leite de pedra de individualidades. Para um Santos que precisa de resultados ontem, ele é o remédio amargo que pode funcionar no curto prazo. Mas, para quem sonha com um projeto sólido e duradouro, a escolha deixa um rastro de incerteza. O campo dirá se o "Cucabol" ainda tem espaço no futebol de elite de 2026.

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Gustavo Fogaça escreve sua coluna no Lance! nas noites de segunda e quinta-feira. Leia outras publicações do colunista nos links abaixo:

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