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Libertadores 2026: Brasil busca escrever mais um capítulo do domínio continental

Seis clubes representam o país na fase de grupos e 'defendem' sequência de sete títulos

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Rio de Janeiro (RJ)
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Mauricio Luz
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 07/04/2026
07:15
Atualizado há 2 minutos
Flamengo campeão da Libertadores 2025
imagem cameraFlamengo campeão da Libertadores 2025 (Foto: Luis ACOSTA / AFP)

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A fase de grupos da Copa Libertadores de 2026 tem início nesta terça-feira (6), e seis clubes brasileiros representam o país em busca da Glória Eterna. Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Mirassol e Palmeiras têm a missão de manter o domínio do país na principal competição da América do Sul: são sete títulos consecutivos para o Brasil.

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Além dos títulos, o recorte regista cinco finais exclusivamente brasileiras — ou seja, 12 dos 14 últimos finalistas. Apesas os rivais argentinos River Plate (2019) e Boca Juniors (2023) conseguiram chegar à decisão no período, ficando com os vice-campeonatos.

Com os sete títulos consecutivos — recorde da competição —, o Brasil igualou a Argentina em número de conquistas na história da Libertadores, com 25 ao todo. A soberania dos clubes do Brasil, contudo, não é à toa.

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Brasil é potência financeira da América do Sul

A principal razão é, sem dúvida, a disparidade financeira. O último Relatório de Finanças do Futebol, publicado pela Sportinsider em junho de 2025 com dados do ano anterior, mostra como os clubes brasileiros superam por muito as receitas dos times de outros países sul-americanos. Em 2024, a Série A do Brasileirão movimentou R$ 10,6 bilhões.

O montante supera em cerca de dez vezes o mercado chileno, oito vezes o uruguaio e ao menos cinco vezes os números de Colômbia e Argentina. A diferença combina receitas operacionais, direitos de transmissão e capacidade de investimento dos clubes brasileiros.

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Cinco equipes concentram quase metade da receita nacional: Flamengo, Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Botafogo, que juntos representam 47% do total. Mesmo clubes fora desse grupo mantêm receitas elevadas. O Santos, rebaixado em 2023, registrou cerca de R$ 250 milhões em 2024, valor próximo ao de ligas inteiras de menor porte.

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Os direitos de transmissão também ampliam a diferença. A Campeonato Brasileiro Série A distribuiu R$ 2,3 bilhões aos clubes, com variação de até sete vezes entre as maiores e menores cotas.

Na Argentina, River Plate e Boca Juniors "fogem da regra" e concentram receitas, mas dependem de contribuições de sócios e premiações internacionais. Os principais clubes somam pouco mais de R$ 1 bilhão em associações e cerca de R$ 100 milhões em bilheteria, com impacto da desvalorização cambial.

No Uruguai, Peñarol e Nacional alcançam juntos cerca de R$ 350 milhões, com dependência de transferências e receitas de associados. Premiações da Libertadores têm peso relevante no orçamento. No Chile, a liga movimenta cerca de R$ 1,06 bilhão, com concentração em Colo-Colo, Universidad de Chile e Universidad Católica. Na Colômbia, o total é de aproximadamente R$ 1,2 bilhão, com receitas concentradas em clubes como Atlético Nacional e Millonarios.

Relatório financeiro Brasil x América do Sul
Números de receitas do Brasil, dominante na Libertadores, e outras ligas da América do Sul, segundo o Relatório de Finanças do Futebol da Sportinsider (Arte: Lance!)

O cenário financeiro sustenta a sequência de títulos brasileiros na Libertadores entre 2019 e 2025 e amplia a capacidade de investimento dos clubes do país em relação aos concorrentes sul-americanos.

Neste período o futebol brasileiro passou a contar com dois novos pilar: as casas de apostas, famosas "bets", e as SAFs. Para o empresário Anselmo Paiva, agente de futebol com 25 anos de experiência e com registro na Fifa, a força do setor como patrocinador das principais equipes do país, aliada à profissionalização dos clubes, fez com que o mercado brasileiro se equiparasse a alguns dos principais países da Europa.

— Eu enxergo dois fatores. Os clubes estão se profissionalizando, ainda mais com as SAFs, alguém aumenta o sarrafo, e todo mundo vai copiando. No geral, a gente o fator que mudou o futebol, que é a entrada das bets. Hoje existe até uma dependência dos clubes em relação às bets. O mercado brasileiro está fortalecido, com salários que competem com clubes médios da Itália, da Espanha, da França, muito por conta do investimento das bets — analisou Paiva em entrevista ao Lance!.

O crescimento do futebol brasileiro fica evidente a cada janela de transferências. Neste início de temporada, o Cruzeiro quebrou o recorde de contratação mais cara da história da América do Sul ao desembolsar 30 milhões de euros (cerca de R$ 188 milhões) para tirar Gerson do Zenit, da Rússia. Semanas depois, contudo, o valor foi superado pelo Flamengo, que pagou 42 milhões de euros (R$ 263 milhões) ao West Ham para repatriar Lucas Paquetá.

Não à toa, o Brasil concentra os jogadores mais valiosos da Libertadores de 2026. De acordo com dados do site especializado "Transfermarkt", todos os 51 atletas com maior valor de mercado da competição atuam em clubes em solo nacional. Mesmo sem considerar Bahia e Botafogo, eliminados na fase preliminar, o país mantém as 41 primeiras posições do ranking.

O topo da lista é ocupado por Vitor Roque, do Palmeiras, avaliado em 38 milhões de euros (R$ 225,4 milhões). Em seguida aparece Paquetá, do Flamengo, com valor estimado em 35 milhões de euros (R$ 207,6 milhões). São os únicos acima da marca de 30 milhões de euros entre os participantes do torneio. Veja abaixo o top 10.

  • Vitor Roque (Palmeiras): 38 milhões de euros (R$ 225,7 milhões);
  • Lucas Paquetá (Flamengo): 35 milhões de euros (R$ 207,6 milhões);
  • Kaio Jorge (Cruzeiro): 26 milhões de euros (R$ 154,5 milhões);
  • Yuri Alberto (Corinthians): 25 milhões de euros (R$ 148,6 milhões);
  • Breno Bidon (Corinthians): 22 milhões de euros (R$ 130,8 milhões);
  • Flaco López (Palmeiras): 22 milhões de euros (R$ 130,8 milhões);
  • Gerson (Cruzeiro): 20 milhões de euros (R$ 118,9 milhões);
  • Pedro (Flamengo): 17 milhões de euros (R$ 101,7 milhões);
  • Samuel Lino (Flamengo): 17 milhões de euros (R$ 101,7 milhões);
  • Martinelli (Fluminense): 16 milhões de euros (R$ 95,1 milhões);
  • André (Corinthians): 16 milhões de euros (R$ 95,1 milhões).

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O outro lado: o futebol argentino em crise

O bom momento dos clubes do Brasil coincide com a precariedade dos principais concorrentes no cenário sul-americano. A crise do futebol argentino vai além das quatro linhas e se reflete diretamente nos resultados. Desde o título do River Plate em 2018, o país acumula um jejum de sete edições sem conquistar a Libertadores por conta do domínio brasileiro. O contraste é evidente: enquanto a seleção foi campeã do mundo em 2022, os clubes vivem um dos momentos mais frágeis de sua história recente.

O cenário econômico é parte central dessa queda. Com inflação elevada e desvalorização da moeda, os clubes perderam capacidade de investimento e, principalmente, de retenção de talentos. O efeito é visível: jovens promessas deixam o país cada vez mais cedo, muitas vezes antes de se firmarem na primeira divisão.

Se antes a Europa era o destino direto, hoje até o futebol brasileiro passou a ocupar esse espaço. Com receitas superiores e maior estabilidade, clubes do Brasil conseguem contratar jogadores argentinos ainda em formação, ampliando a diferença técnica entre os mercados. Negociações recentes envolvendo jovens talentos reforçam esse movimento e evidenciam a dificuldade dos clubes argentinos em competir financeiramente.

A desorganização interna também pesa. O campeonato nacional passou por mudanças constantes de formato nos últimos anos, com variações de regulamento, aumento no número de participantes e sistemas de disputa instáveis. Esse cenário dificulta o planejamento esportivo e impacta diretamente o nível técnico das equipes.

As decisões da Associação do Futebol Argentino (AFA), presidida por Claudio Tapia, ampliam esse contexto. Medidas como a suspensão de rebaixamentos e alterações frequentes nas regras são alvo de críticas recorrentes e aumentam a percepção de instabilidade no futebol local.

Fora de campo, o conflito com o governo de Javier Milei adiciona mais um elemento de tensão. A tentativa de implementar o modelo de sociedades anônimas no futebol, nos moldes das SAFs, enfrenta resistência da AFA e de clubes tradicionais, gerando um impasse político que se arrasta e afeta o ambiente institucional.

O reflexo aparece também dentro de campo. Nas últimas edições da Libertadores, clubes argentinos têm acumulado eliminações diante de equipes brasileiras, que operam com orçamentos mais altos e estruturas mais consolidadas. Mesmo times tradicionais como River Plate e Boca Juniors já não conseguem manter o mesmo nível de competitividade em relação aos principais rivais do continente. Os Millonarios, inclusive, sequer se classificaram para a atual edição, enquanto os Xeneizes ficaram fora da competição em 2025.

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