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Estrangeiros jogam mais que o dobro dos sub-23 no Brasileirão; veja os números

Levantamento das rodadas 29 e 30 aponta diferença na quantidade de atletas utilizados e na minutagem

PorRedação Lance!•Rio de Janeiro (RJ)
17/10/2026 11:01
Memphis Depay e Gustavo Gomez disputam a bola na goleada do Palmeiras sobre o Corinthians (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)
O holandês Memphis Depay em disputa com o paraguaio Gustavo Gómez (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

Os jogadores estrangeiros tiveram mais que o dobro dos minutos em campo dos brasileiros de até 23 anos nas rodadas 29 e 30 do Campeonato Brasileiro. Um levantamento da Press FC contabilizou 10.394 minutos para atletas de outras nacionalidades, contra 4.944 dos jovens brasileiros. Os números reacendem o debate sobre o espaço destinado às promessas nacionais na Série A.

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A discussão ganhou força após a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciar a redução gradual do limite de estrangeiros relacionados por partida. A partir de 2027, o máximo permitido cairá de nove para oito jogadores, com novas reduções até chegar a cinco em 2030. A medida levanta uma questão: os atletas de outras nacionalidades estão ocupando o espaço dos jovens brasileiros?

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Os dados das duas rodadas analisadas mostram uma diferença tanto no número de jogadores utilizados quanto na participação nas escalações iniciais. Na 29ª rodada, os estrangeiros somaram 5.016 minutos, diante de 2.459 dos brasileiros sub-23. Na rodada seguinte, a vantagem aumentou: foram 5.378 minutos dos atletas internacionais e 2.485 dos jovens nacionais.

Brasileirão: veja os números de estrangeiros e brasileiros sub-23

O levantamento da Press FC contabilizou 173 estrangeiros utilizados nas rodadas 29 e 30, sendo 121 titulares. Entre os brasileiros com até 23 anos, foram 81 jogadores, dos quais 54 começaram as partidas.

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A diferença aparece também quando os dados são separados por rodada.

Indicador29ª rodada30ª rodada

Estrangeiros utilizados

85

88

Estrangeiros titulares

56

65

Minutos dos estrangeiros

5.016

5.378

Brasileiros sub-23 utilizados

42

39

Brasileiros sub-23 titulares

26

28

Minutos dos brasileiros sub-23

2.459

2.485

Na 29ª rodada, a primeira após o anúncio da mudança no regulamento, os estrangeiros estiveram em campo por mais que o dobro do tempo dos brasileiros sub-23. O período também foi marcado pelo retorno de jogadores que haviam defendido suas seleções durante a Data Fifa.

Na 30ª rodada, a diferença permaneceu. O número de estrangeiros utilizados subiu de 85 para 88, enquanto a quantidade de brasileiros sub-23 caiu de 42 para 39. Os atletas internacionais também ampliaram a vantagem entre os titulares, passando de 56 para 65.

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Quais clubes mais utilizaram estrangeiros e jovens brasileiros?

A utilização dos jogadores variou entre as equipes nas duas rodadas analisadas.

Na 29ª rodada, o Athletico-PR foi o clube que mais colocou brasileiros sub-23 em campo, com seis atletas. Entre eles estavam Mycael, Arthur Dias e João Cruz, que começaram as partidas como titulares. Grêmio e Vasco lideraram a utilização de estrangeiros naquele fim de semana.

Na rodada seguinte, Flamengo, Vasco e Palmeiras foram os clubes que mais utilizaram jogadores de outras nacionalidades, com oito atletas cada. Entre os jovens brasileiros, Cruzeiro e Athletico-PR se destacaram, com cinco jogadores sub-23 utilizados por equipe.

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Os números mostram que a utilização de jovens da base varia entre os clubes e que algumas equipes recorrem com maior frequência a atletas dessa faixa etária.

Saúl durante Flamengo x Bragantino
Saúl, espanhol do Flamengo, em ação no Brasileirão (Foto: Divulgação/Flamengo)

CBF aponta queda na participação dos jovens brasileiros

O levantamento da Press FC acompanha uma tendência identificada pela própria CBF em estudo divulgado em setembro de 2026. Segundo a entidade, a participação dos brasileiros sub-23 na minutagem do Campeonato Brasileiro caiu de 28,3% em 2020 para 11,5% em 2026.

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No sentido contrário, a participação dos estrangeiros com mais de 23 anos aumentou de 7,8% para 25% no mesmo período.

A CBF também comparou a utilização de jogadores sub-23, brasileiros e estrangeiros, no Brasileirão e nas cinco principais ligas europeias. Em 2026, essa faixa etária representou 13,8% dos minutos disputados na Série A brasileira. O índice ficou abaixo dos registrados na França (38%), Inglaterra (32%), Espanha (31%), Alemanha (28%) e Itália (28%).

Os dados apontam uma participação menor dos jovens no futebol brasileiro em comparação com os campeonatos europeus analisados. A redução do limite de estrangeiros, porém, não garante, por si só, que os clubes ampliarão a utilização de atletas formados no país.

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Especialistas defendem equilíbrio entre competitividade e formação

Para Alexandre Frota, CEO da FutPro Expo, a discussão sobre a presença de estrangeiros precisa considerar o desenvolvimento do futebol brasileiro no longo prazo. O executivo defende que os clubes conciliem a busca por resultados com a criação de oportunidades para os jogadores mais jovens.

— O debate sobre a presença de estrangeiros no Campeonato Brasileiro precisa ir além dos números e considerar o desenvolvimento do futebol nacional a longo prazo. É fundamental encontrar um equilíbrio que preserve a competitividade dos clubes e, ao mesmo tempo, crie condições para que os jovens brasileiros ganhem experiência e espaço no futebol profissional. Do ponto de vista da gestão esportiva, investir na formação e no desenvolvimento desses atletas também é uma estratégia para fortalecer o futebol brasileiro — destacou.

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Roger Machado, treinador e professor da CBF Academy, também avalia que a redução do limite de estrangeiros pode abrir espaço nos elencos, mas ressalta que a formação de novos talentos depende de outros fatores.

— A redução do número de estrangeiros pode criar mais espaço para jogadores brasileiros nos elencos, mas revelar mais atletas passa por um processo muito mais amplo. É preciso investimento na base, bons profissionais, estrutura e uma transição que prepare o jovem para chegar ao time principal. A oportunidade é fundamental, mas ela precisa vir acompanhada de uma formação que dê ao jogador condições de aproveitá-la — analisou.

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O treinador defende que o desenvolvimento dos atletas comece antes mesmo da chegada às categorias de base dos clubes profissionais. Para ele, escolinhas, comunidades e competições amadoras também precisam fazer parte da discussão.

— E essa formação precisa ser pensada para além dos muros dos clubes. O jogador começa a se desenvolver nas escolinhas, nas comunidades e nos campeonatos amadores. A Inglaterra é um bom exemplo de como a organização desde esses níveis ajuda a estruturar todo o processo. No Brasil, acredito que a CBF também pode ter um papel importante na organização e no fortalecimento do futebol amador, criando um ambiente que favoreça a identificação e o desenvolvimento de talentos. Ao mesmo tempo, a presença de bons estrangeiros aumenta a competitividade e promove o intercâmbio entre diferentes escolas. Quando discutimos o espaço do jogador brasileiro e a formação para a Seleção, precisamos olhar para todo esse processo, e não apenas para o número de estrangeiros — completou.

Santos lidera ranking de minutos para jogadores formados no clube

Um levantamento anterior do CIES Football Observatory oferece outro recorte sobre a utilização de atletas da base. O estudo considerou os minutos disputados por jogadores que passaram pelo menos três temporadas, entre os 15 e os 21 anos, no clube em que foram formados.

O Santos aparece na primeira posição, com 28% da minutagem destinada a atletas formados na própria equipe. Na sequência estão Athletico-PR, com 27,5%; Cruzeiro, com 24,2%; e Grêmio, com 23,1%.

O presidente do Santos, Marcelo Teixeira, atribui o resultado à tradição do clube na formação de jogadores e à confiança depositada nos atletas revelados nas categorias de base.

— O Santos tem na sua história a formação de grandes jogadores e segue comprometido com esse DNA. Somos o clube da Série A que mais dá minutos aos atletas da base, o que demonstra, na prática, a confiança no talento formado em casa e o trabalho que desenvolvemos para prepará-los para o futebol profissional. Entendemos que o futebol brasileiro precisa encontrar um equilíbrio entre a contratação de jogadores estrangeiros e a valorização dos nossos jovens. Não se trata de fechar portas para atletas de outras nacionalidades, mas de garantir que os talentos brasileiros tenham oportunidades reais de desenvolvimento e possam contribuir dentro de campo. Investir na base e dar condições para que esses jogadores ganhem experiência no mais alto nível é fundamental para o futuro dos clubes e do futebol nacional — afirmou.

O levantamento das rodadas 29 e 30 mostra que os estrangeiros tiveram participação superior à dos brasileiros sub-23 em número de atletas, titulares e minutos em campo. A redução do limite de jogadores de outras nacionalidades entrará em vigor em 2027, mas ampliar o espaço para os jovens brasileiros também dependerá das decisões dos clubes, dos investimentos nas categorias de base e das condições oferecidas para a transição ao futebol profissional.

Gabriel Bontempo durante partida do Santos na Vila Belmiro. (Foto: Raul Baretta/ Santos FC)
Gabriel Bontempo durante partida do Santos na Vila Belmiro. (Foto: Raul Baretta/ Santos FC)

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