Entenda as diferenças entre o Brasileirão atual e o modelo liga
CBF reuniu clubes na segunda-feira para tomar a frente nas discussões

A convite da CBF, clubes das Séries A e B se reuniram no Rio na segunda-feira (6) para conhecerem a proposta da entidade para avançar na criação de uma liga. A intenção é de que ela passe a existir de forma efetiva em 2030, quando o Campeonato Brasileiro passaria a ser gerido por ela. Mas, afinal, qual a diferença entre o modelo atual do Brasileirão e um modelo de liga?
➡️Bastidores: o que os clubes acharam da reunião da CBF sobre liga?
Como funciona o Brasileirão atualmente
Atualmente, o Brasileirão é totalmente organizado pela CBF. Cabe à entidade organizar o campeonato na íntegra, o que inclui calendário, estrutura, arbitragem e regras da competição. A confederação também negocia o naming right do campeonato — e fica com o valor do patrocínio.
No modelo atual, a participação dos clubes existe, mas é restrita: eles se reúnem semanas antes do início do Brasileirão para um Conselho Arbitral, em que algumas questões específicas da competição são discutidas, como número de jogadores estrangeiros e questões envolvendo o campo de jogo, por exemplo. Historicamente, a CBF tem acatado as decisões, mas se quisesse poderia simplesmente vetar, já que ela é "dona" do campeonato.
Como seria o Brasileirão gerido por uma liga
Numa liga, os clubes ganham mais protagonismo e se tornam os "proprietários" da competição. O papel que hoje cabe quase integralmente à CBF passaria a ser dos clubes na organização do Brasileirão. Em tese, o grande atrativo para as agremiações é financeiro, já que os direitos comerciais e de transmissão passam a ser negociados diretamente.
O problema é que, na ânsia de aumentar as receitas, os principais clubes do Brasil transformaram o que deveria ser uma liga em um balcão de negócios, e desvirtuaram a proposta logo de início.
Um dos pontos fundamentais para que uma liga organize um campeonato é que todos os seus integrantes participem dela. E, como se sabe, no Brasil os clubes fizeram uma cisão e organizaram dois grupos, a Libra e a FFU. Em quatro anos, tudo o que ambos fizeram foi negociar direitos de transmissão, cada um ao seu jeito. Ou seja, não houve… liga.

Se a CBF fizer parte, ainda assim é liga de clubes?
Desde que assumiu a gestão da CBF, em maio do ano passado, Samir Xaud reiterou em diversas oportunidades que era a favor de uma liga para o Brasileirão, mas sempre deixou claro que a confederação não abriria mão de participar.
Apesar de parecer um contrassenso, é dessa forma que as grandes ligas europeias operam. Afinal, não há como organizar o principal campeonato de um país sem o aval da associação de futebol nacional, que é filiada à Fifa. A entidade máxima do futebol mundial, inclusive, determina que a arbitragem deve ser vinculada à confederação.
Há, contudo, diferentes formas de uma associação nacional fazer parte da liga de clubes. No modelo com menos intervenção, e mais raro, ela simplesmente dá aval às decisões da liga. O mais comum, porém, é ter um assento na liga, com diferentes poderes.
A discussão que vai ocorrer nos próximos três anos no Brasil será sobre qual o nível de participação, ou interferência, da CBF. O modelo mais provável é que a entidade tenha um assento assegurado entre os gestores da liga.
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