Cidade de São Paulo volta a receber torcida dividida entre Portuguesa e Corinthians: 'Resgate'
Partida deste domingo marca reencontros e recorda embates históricos

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A Portuguesa decidiu dividir o estádio do Canindé para a partida contra o Corinthians, que acontece neste domingo (22), às 20h30, pelas quartas de final do Campeonato Paulista. A medida é considerada histórica em tempos de torcida única em clássicos no estado de São Paulo.
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O feito não acontecia em um clássico da cidade desde 2008. Além disso, será a primeira vez que a Portuguesa adotará esse modelo de divisão igualitária diante do Corinthians no Canindé.
— Sobre a época em que se tinha clássico com torcida dividida, não era um clima absolutamente tranquilo e amistoso. Óbvio que não, e você tinha que tomar muitas cautelas de segurança. Era preciso saber em que estação do metrô descer, qual ônibus pegar, talvez não ir com a camisa no transporte público e entender bem qual era sua entrada e seu acesso. Mas, ao mesmo tempo, havia uma dinâmica muito legal: ter do outro lado uma torcida do mesmo tamanho da sua, disputando também o clássico fora dos gramados. Quem faz a festa mais bonita, quem tem os melhores bandeirões, mais faixas, quem canta mais alto, quem faz a festa para o outro sair de cabeça baixa. Isso exercitava a tolerância entre os torcedores, ao mesmo tempo em que o futebol era tratado não só dentro de campo, mas também fora dele — relembra Luiz Nascimento, jornalista e torcedor da Portuguesa, em entrevista ao Lance!.
Luiz ressalta que a volta aos clássicos é um marco para o clube, permitindo recuperar a visibilidade, reconectar a torcida e reforçar a tradição que ficou anos esquecida durante o período nas divisões inferiores.
— O primeiro é voltar a disputar os clássicos com frequência, porque ela ficou sete anos na Série A2 do Campeonato Paulista, coincidindo com a queda nas divisões do Campeonato Brasileiro. Foi muito tempo sem disputar os clássicos tradicionais contra Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo. Apenas disputar o clássico dá visibilidade, resgata a história, a tradição e a grandeza do clube, além de resgatar a torcida, que ficou invisível por anos. Muita gente que não acompanha a Portuguesa de perto nem sabia o que o clube estava disputando. Com um clássico com duas torcidas, isso só foi possível porque, quando a Portuguesa voltou, houve intensa negociação envolvendo Polícia Militar e Federação Paulista. A ideia inicial era torcida única, como nos outros clássicos. Graças a Deus, conseguiram a exceção, pois a torcida portuguesa não tem histórico de briga e confusão — comenta.

Torcida única em São Paulo
Em 16 de abril de 2016, foi implantada a política de torcida única nos clássicos do estado, uma medida emergencial que, uma década depois, permanece em vigor e transformou a maneira de viver o futebol.
A decisão foi tomada após a morte de um torcedor que, sem participar de uma briga entre torcidas organizadas de Palmeiras e Corinthians, foi vítima de uma bala perdida na zona leste de São Paulo. É com base nessa premissa que o jornalista Celso Unzelte opina.
— As pessoas falam: 'Ah, mas eles se matam, marcam encontro pela internet, não é assim'. Mas só pelo fato de ter uma torcida só, você já está evitando que alguém morra. Então, eu sempre levanto essa questão. Não é o ideal, mas se for para evitar uma morte que seja, eu ainda sou a favor da torcida única, até que se arranje uma solução, porque o que não pode é morrer gente que inclusive nem sabe que está tendo jogo de futebol. Tudo isso começou com um senhor que morreu na rua em um Corinthians e Palmeiras, nem era Corinthians, nem era Palmeiras, nem sabia que tinha jogo — disse.
— Então a torcida única não é o ideal, concordo que a segurança pública tinha que se responsabilizar, mas, em última análise, com a torcida única, evitaram-se mortes. E é isso que a gente tem que priorizar como cidadão, até para além dessa coisa do futebol, dessa coisa de gueto. Ah, que é a morte do futebol. Eu ainda prefiro a morte do futebol do que a morte das pessoas — segue.

Por outro lado, Luiz Nascimento comentou sobre os impactos negativos da torcida única e como essa medida afeta a sociedade.
— Eu acho que se perde um pouco da noção de coletividade, da noção de convivência pacífica entre os diferentes. E eu acho que o futebol, o esporte como um todo, ele tem esse poder de ser esse elemento que inspira a sociedade tanto a ser melhor quanto a ser pior. Mas, nesse caso, a gente está falando em ser melhor. Então eu acho que, a partir do momento em que você não dá espaço para o diferente dentro da sua casa, ou que você não pode entrar na casa do outro simplesmente porque não pensa como ele ou não gosta das mesmas cores que ele, você está entrando nesse contexto que, hoje, na sociedade se enraizou, que é o contexto de bolhas — explica.
— Então, eu acho que culturalmente o futebol deveria ser um espaço para tentar quebrar isso, para tentar mostrar que é possível conviver com o diferente. É possível ter uma pessoa que discorda totalmente de você, que é completamente diferente de você, mas que está ao seu lado, naquele mesmo espaço. Por quê? Porque vocês dois conseguem se tolerar — relata.
Portuguesa em busca de dias melhores
A história do clássico é marcada por grandes partidas entre os clubes. Atualmente, a Portuguesa está na Série D nacional e busca retomar, mesmo que de forma modesta, os dias de glória após a chegada da SAF, como destacou o jornalista e torcedor da equipe Antonio Quintal.
— No Canindé, já tivemos vários jogos lá. O Corinthians não vai lá, acho que desde 2012, se eu não estiver enganado, devido ao declínio da Portuguesa em 2013. Também, eu vou usar as palavras do Flávio Prado: Cheiro de arroz queimado naquela história do caso Héverton . Tinha cheiro, realmente ali houve muito cheiro de arroz queimado. E a Portuguesa dali para frente começou a viver épocas de declínio, de rebaixamentos, e se encontra no patamar que se encontra hoje. E, graças à parceria feita com essa SAF, o futebol da Portuguesa vai dando sinais de reação, mas são sinais modestos, sinais que ficam distantes da necessidade da Portuguesa de uma reação firme, para recolocar a Portuguesa no seu devido patamar, no seu devido lugar — apontou.

Luiz Nascimento destacou ainda os momentos de festa da torcida da Portuguesa em outros estádios de São Paulo e a expectativa de ver o clube voltando a disputar espaço com os grandes.
— Não vou esquecer da festa que nós fizemos no Allianz Parque, na estreia do ano passado, na festa que fizemos no Morumbi em 2024 assim que nós voltamos. Na festa que nós fizemos na Vila Belmiro em 2024, nas quartas de final do Paulistão, em que a gente acabou viralizando nas redes sociais, os grandes canais, as grandes páginas, as TVs, todo mundo destacando o barulho, a festa, a beleza da torcida da Portuguesa. Então isso é muito importante — comentou.
— E outro aspecto muito importante é o fato de você voltar a ter no Canindé, depois de muito tempo, a oportunidade de ter a sua torcida dividindo o espaço com a torcida do seu adversário. É, porque por muito tempo, até pela fase da Portuguesa nas últimas décadas, ela jogou no Canindé contra esses adversários, esses clássicos, mas sempre com uma minoria na arquibancada. Dessa vez, pode ser que seja minoria? Até pode, mas o fato de você ter a possibilidade de ter um espaço igual, para a Portuguesa já é muito legal. E acho muito bacana que um time tão tradicional, tão histórico como a Portuguesa, consiga resgatar esse conceito raiz — finalizou.
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