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Brasileirão 'inverte' caminho e atrai jogadores europeus com mercado aquecido

Números de jogadores nascidos na Europa no Campeonato Brasileiro cresce a cada ano

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Mauricio Luz
Rio de Janeiro (RJ)
Márcio Iannacca
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 03/03/2026
06:30
Europeus Brasileirão
imagem cameraSaúl Ñíguez, do Flamengo, Jesse Lingard e Memphis Depay, do Corinthians, são exemplos de europeus com carreira consolidada antes de atuarem no Brasileirão (Fotos: Gilvan de Souza/Flamengo | Lindsey Parnaby / AFP | Everton Okubo/Agência F8/Gazeta Press)

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A presença de jogadores europeus no Brasileirão vem crescendo nos últimos anos. O movimento conta nomes com trajetória consolidada no exterior, como Dimitri Payet, Memphis Depay e Saúl Ñíguez, ganhando mais força a partir do segundo semestre de 2024. Em 2026, a iminente chegada de Jesse Lingard ao Corinthians reforça a tendência.

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Em 2023, a Série A do Campeonato Brasileiro contava com seis europeus inscritos na competição; em 2024, o número passou a sete. O salto ocorreu em 2025, quando o total chegou a 14, número repetido até aqui 2026. A manutenção do patamar neste ano, contudo, foi influenciada pelo rebaixamento do Sport, que tinha três atletas europeus no elenco e caiu para a Série B.

JogadorPaísClube

Chris Ramos

Espanha

Botafogo

Yannick Bolasie

França*

Chapecoense

Jesse Lingard

Inglaterra

Corinthians

Memphis Depay

Holanda

Corinthians

Zakaria Labyad

Holanda*

Corinthians

Josué

Portugal

Coritiba

Saúl Ñiguez

Espanha

Flamengo

Francis Amuzu

Bélgica

Grêmio

Martin Baithwaite

Dinamarca

Grêmio

Panagiotis Tachtsidis

Grécia

Remo

Cédric Soares

Portugal

São Paulo

Nuno Moreira

Portugal

Vasco

Aitor Cantalapiedra

Espanha

Vitória

Rúben Ismael

Portugal

Vitória

*Bolasie nasceu na França, mas representa a seleção da República Democrática do Congo
*Labyad nasceu na Holanda, mas representa a seleção de Marrocos

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Entre os casos recentes, Memphis Depay trocou o futebol europeu pelo Corinthians aos 30 anos. Em sua apresentação, o atacante afirmou que buscava novos objetivos na carreira e associou a escolha ao peso histórico do futebol brasileiro.

— É uma pergunta interessante, porque cruzei o mundo para jogar futebol em um país em que não sabemos muito sobre a competitividade. Para mim é simples: eu cresci na Holanda, eu sei da competitividade na Europa e joguei em muitos clubes, eu competi. Estou com 30 anos e disse o que poderia fazer para ser feliz, por alguma razão eu estou aqui hoje. Acredito que tudo na minha vida tem um propósito — declarou o holandês na época.

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— Eu acho que nós precisamos reconhecer de onde vem o futebol autêntico. Muitas estrelas do mundo vêm do Brasil, conhecemos grandes jogadores brasileiros. Aqui é a Meca do futebol, o jogo bonito está aqui. As crianças na Europa buscam por jogadores daqui, até pela forma como abraçam a vida, porque não é só futebol. Minha razão de estar aqui é maior do que o futebol — concluiu.

Outro exemplo foi o português Gonçalo Paciência, que defendeu o Sport na última temporada. Na apresentação, ele relacionou a transferência ao crescimento da visibilidade do campeonato.

— (A vinda para o Brasil) eu acho que atende à repercussão que o futebol brasileiro está a ter neste momento, mesmo na Europa, e ao nível que o futebol brasileiro está a ter agora também — afirmou Paciência.

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Além de Depay, o grande nome entre os atletas do Velho Continente no país, o Brasileirão passou a receber atletas com passagem por grandes ligas e competições continentais. Antes mesmo do holandês, Dimitri Payet já havia desembarcado para atuar no Vasco. Saúl Ñíguez, ex-Atlético de Madrid, Chelsea e seleção da Espanha, acertou com o Flamengo no segundo semestre do ano passado.

A contratação de Jesse Lingard pelo Corinthians amplia a presença de atletas formados no futebol europeu. O atacante inglês, com passagens pela Premier League, é aguardado como mais um nome de projeção internacional no torneio.

O fluxo, que até então era marcado apenas pela saída de jogadores rumo à Europa, passou a registrar movimento inverso, com atletas também buscando o Brasil em fases distintas da carreira. A presença crescente de europeus ocorre em um cenário de maior exposição internacional do Campeonato Brasileiro, com transmissões para o exterior e, principalmente, o aumento de investimentos.

Nos últimos anos, o futebol brasileiro passou a contar com um novo pilar: as casas de apostas, famosas "bets". Para o empresário Anselmo Paiva, agente de futebol com 25 anos de experiência e com registro na Fifa, a força do setor como patrocinador das principais equipes do país, aliada à profissionalização dos clubes, trouxe condições para a chegada e manutenção de jogadores renomados no Brasil.

— Eu enxergo dois fatores. Os clubes estão se profissionalizando, alguém aumenta o sarrafo, e todo mundo vai copiando. No geral, a gente o fator que mudou o futebol, que é a entrada das bets. Hoje existe até uma dependência dos clubes em relação às bets. O mercado brasileiro está fortalecido, com salários que competem com clubes médios da Itália, da Espanha, da França, muito por conta do investimento das bets — analisou Paiva em entrevista ao Lance!.

Quem corrobora com a opinião de Anselmo é Tsuney Okasaki, agente Fifa. O empresário brasileiro ainda reforça que, além do crescimento do futebol brasileiro atrair jogadores de todos os cantos do planeta, existe uma maior dificuldade de ligas secundárias, como a do Japão, em contratar atletas vindos do Brasil. Além disso, ele acredita que a chegada das SAFs é outro fator que ajudou no fortalecimento dos clubes.

— Eu tenho um negócio muito segmentado para o Japão, e ele depende muito do futebol brasileiro. Os clubes lá estão com enorme dificuldade para encontrar e contratar no Brasil. Todos estão em busca de um camisa 9, de um atacante, e a gente não encontra. Até na Série B, que antes seria mais acessível, já ficou difícil conseguir um jogador que realmente possamos levar para o Japão dentro do orçamento dos clubes de lá — disse Tsuney.

— Acredito que o fato de tantos estrangeiros estarem vindo para o futebol brasileiro tem relação direta com os altos salários. Depois das SAFs, muitos clubes passaram a ter maior poder aquisitivo, maior poder de compra, e os salários ficaram muito altos. Eu sempre digo que vivemos numa bolha porque essa não é a realidade do restante do mundo. Hoje o Brasil é um mercado muito atrativo para estrangeiros, inclusive para jogadores que ainda estão performando em alto nível. Então tenho quase certeza de que esses europeus que estão chegando ao Brasil veem o mercado como extremamente atrativo financeiramente, além de competitivo — talvez o campeonato mais difícil do mundo. E acredito que vamos começar a ver cada vez mais estrangeiros de prateleira alta no futebol brasileiro — completou.

Memphis Depay perdeu pênalti no clássico (Foto: Marcello Zambrana/ Agif/Gazeta Press)
Memphis Depay é um dos principais jogadores europeus no Brasileirão (Foto: Marcello Zambrana/ Agif/Gazeta Press)
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