Brasileirão 'inverte' caminho e atrai jogadores europeus com mercado aquecido
Números de jogadores nascidos na Europa no Campeonato Brasileiro cresce a cada ano

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A presença de jogadores europeus no Brasileirão vem crescendo nos últimos anos. O movimento conta nomes com trajetória consolidada no exterior, como Dimitri Payet, Memphis Depay e Saúl Ñíguez, ganhando mais força a partir do segundo semestre de 2024. Em 2026, a iminente chegada de Jesse Lingard ao Corinthians reforça a tendência.
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Em 2023, a Série A do Campeonato Brasileiro contava com seis europeus inscritos na competição; em 2024, o número passou a sete. O salto ocorreu em 2025, quando o total chegou a 14, número repetido até aqui 2026. A manutenção do patamar neste ano, contudo, foi influenciada pelo rebaixamento do Sport, que tinha três atletas europeus no elenco e caiu para a Série B.
| Jogador | País | Clube |
|---|---|---|
Chris Ramos | Espanha | Botafogo |
Yannick Bolasie | França* | Chapecoense |
Jesse Lingard | Inglaterra | Corinthians |
Memphis Depay | Holanda | Corinthians |
Zakaria Labyad | Holanda* | Corinthians |
Josué | Portugal | Coritiba |
Saúl Ñiguez | Espanha | Flamengo |
Francis Amuzu | Bélgica | Grêmio |
Martin Baithwaite | Dinamarca | Grêmio |
Panagiotis Tachtsidis | Grécia | Remo |
Cédric Soares | Portugal | São Paulo |
Nuno Moreira | Portugal | Vasco |
Aitor Cantalapiedra | Espanha | Vitória |
Rúben Ismael | Portugal | Vitória |
*Bolasie nasceu na França, mas representa a seleção da República Democrática do Congo
*Labyad nasceu na Holanda, mas representa a seleção de Marrocos
Entre os casos recentes, Memphis Depay trocou o futebol europeu pelo Corinthians aos 30 anos. Em sua apresentação, o atacante afirmou que buscava novos objetivos na carreira e associou a escolha ao peso histórico do futebol brasileiro.
— É uma pergunta interessante, porque cruzei o mundo para jogar futebol em um país em que não sabemos muito sobre a competitividade. Para mim é simples: eu cresci na Holanda, eu sei da competitividade na Europa e joguei em muitos clubes, eu competi. Estou com 30 anos e disse o que poderia fazer para ser feliz, por alguma razão eu estou aqui hoje. Acredito que tudo na minha vida tem um propósito — declarou o holandês na época.
— Eu acho que nós precisamos reconhecer de onde vem o futebol autêntico. Muitas estrelas do mundo vêm do Brasil, conhecemos grandes jogadores brasileiros. Aqui é a Meca do futebol, o jogo bonito está aqui. As crianças na Europa buscam por jogadores daqui, até pela forma como abraçam a vida, porque não é só futebol. Minha razão de estar aqui é maior do que o futebol — concluiu.
Outro exemplo foi o português Gonçalo Paciência, que defendeu o Sport na última temporada. Na apresentação, ele relacionou a transferência ao crescimento da visibilidade do campeonato.
— (A vinda para o Brasil) eu acho que atende à repercussão que o futebol brasileiro está a ter neste momento, mesmo na Europa, e ao nível que o futebol brasileiro está a ter agora também — afirmou Paciência.
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Além de Depay, o grande nome entre os atletas do Velho Continente no país, o Brasileirão passou a receber atletas com passagem por grandes ligas e competições continentais. Antes mesmo do holandês, Dimitri Payet já havia desembarcado para atuar no Vasco. Saúl Ñíguez, ex-Atlético de Madrid, Chelsea e seleção da Espanha, acertou com o Flamengo no segundo semestre do ano passado.
A contratação de Jesse Lingard pelo Corinthians amplia a presença de atletas formados no futebol europeu. O atacante inglês, com passagens pela Premier League, é aguardado como mais um nome de projeção internacional no torneio.
O fluxo, que até então era marcado apenas pela saída de jogadores rumo à Europa, passou a registrar movimento inverso, com atletas também buscando o Brasil em fases distintas da carreira. A presença crescente de europeus ocorre em um cenário de maior exposição internacional do Campeonato Brasileiro, com transmissões para o exterior e, principalmente, o aumento de investimentos.
Nos últimos anos, o futebol brasileiro passou a contar com um novo pilar: as casas de apostas, famosas "bets". Para o empresário Anselmo Paiva, agente de futebol com 25 anos de experiência e com registro na Fifa, a força do setor como patrocinador das principais equipes do país, aliada à profissionalização dos clubes, trouxe condições para a chegada e manutenção de jogadores renomados no Brasil.
— Eu enxergo dois fatores. Os clubes estão se profissionalizando, alguém aumenta o sarrafo, e todo mundo vai copiando. No geral, a gente o fator que mudou o futebol, que é a entrada das bets. Hoje existe até uma dependência dos clubes em relação às bets. O mercado brasileiro está fortalecido, com salários que competem com clubes médios da Itália, da Espanha, da França, muito por conta do investimento das bets — analisou Paiva em entrevista ao Lance!.
Quem corrobora com a opinião de Anselmo é Tsuney Okasaki, agente Fifa. O empresário brasileiro ainda reforça que, além do crescimento do futebol brasileiro atrair jogadores de todos os cantos do planeta, existe uma maior dificuldade de ligas secundárias, como a do Japão, em contratar atletas vindos do Brasil. Além disso, ele acredita que a chegada das SAFs é outro fator que ajudou no fortalecimento dos clubes.
— Eu tenho um negócio muito segmentado para o Japão, e ele depende muito do futebol brasileiro. Os clubes lá estão com enorme dificuldade para encontrar e contratar no Brasil. Todos estão em busca de um camisa 9, de um atacante, e a gente não encontra. Até na Série B, que antes seria mais acessível, já ficou difícil conseguir um jogador que realmente possamos levar para o Japão dentro do orçamento dos clubes de lá — disse Tsuney.
— Acredito que o fato de tantos estrangeiros estarem vindo para o futebol brasileiro tem relação direta com os altos salários. Depois das SAFs, muitos clubes passaram a ter maior poder aquisitivo, maior poder de compra, e os salários ficaram muito altos. Eu sempre digo que vivemos numa bolha porque essa não é a realidade do restante do mundo. Hoje o Brasil é um mercado muito atrativo para estrangeiros, inclusive para jogadores que ainda estão performando em alto nível. Então tenho quase certeza de que esses europeus que estão chegando ao Brasil veem o mercado como extremamente atrativo financeiramente, além de competitivo — talvez o campeonato mais difícil do mundo. E acredito que vamos começar a ver cada vez mais estrangeiros de prateleira alta no futebol brasileiro — completou.

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