Seleção pode ir à Copa por perder demais; entenda a repescagem europeia
Fase qualificatória do Velho Continente é impactada pela Nations League 2024/25

A Copa do Mundo de 2026 será a primeira com 48 seleções, um formato ampliado que abriu novas vagas e mexeu com o sistema de classificação em todo o planeta. Mas na Europa, a disputa segue sendo um verdadeiro quebra-cabeça. A Uefa adotou um modelo de repescagem que mistura resultados das Eliminatórias e da Nations League, o que permite cenários curiosos – inclusive o de seleções que podem se beneficiar de derrotas.
Pelas novas regras, 12 seleções se classificam diretamente à Copa como campeãs de seus grupos nas Eliminatórias. As outras quatro vagas europeias serão definidas em uma repescagem interna, que reúne 16 equipes: os dez segundos colocados das Eliminatórias e seis seleções vindas da Nations League. Criado em 2018 para substituir os amistosos, o torneio virou um atalho para o Mundial — e também uma fonte de confusão matemática que mistura desempenho esportivo e sorte nos cruzamentos.
Por causa desse formato, algumas seleções que tiveram campanhas fracas ainda sonham com a Copa graças ao desempenho em outro torneio. Isso explica por que a repescagem europeia pode ter times em situações completamente opostas, de potências em crise a nanicos que jamais venceram uma partida oficial.
San Marino e Suécia na Copa: entre o sonho e o colapso
Um dos casos mais inusitados é o de San Marino, que terminou como campeão de seu grupo na Liga D — a divisão mais baixa da Nations League — e entrou, pela primeira vez na história, entre as possíveis candidatas à Copa do Mundo. O problema está na matemática: apenas os quatro campeões de grupo da Nations que não ficarem entre os dois primeiros em seus grupos das Eliminatórias ganham vaga na repescagem. No momento, San Marino aparece apenas na 14ª posição entre esses campeões e depende de uma combinação improvável de resultados.
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O cenário fica ainda mais curioso em um dos próximos compromissos do país: a Romênia, terceira colocada em seu grupo das Eliminatórias e também vencedora de grupo na última Nations League. Se os romenos ultrapassarem a Bósnia e terminarem em segundo, liberam uma vaga da repescagem — que, em um cenário extremo, poderia cair nas mãos de San Marino. Nesse contexto, perder pode ser a melhor estratégia para os sanmarinenses, que ajudariam o rival a subir na tabela e, indiretamente, aumentariam suas próprias chances.
A seleção europeia mais fraca segundo o ranking da Fifa — com apenas três vitórias oficiais desde 1990, todas sobre Liechtenstein — ainda precisa torcer contra outros campeões de grupo, como Romênia, Irlanda do Norte e Suécia, para seguir viva. San Marino só se beneficiaria se uma dessas seleções, hoje entre as classificadas via Nations League, terminasse em segundo lugar em seus grupos das Eliminatórias.
Atualmente, País de Gales, Romênia, Suécia e Irlanda do Norte ocupam as vagas da repescagem pela Nations League. Se a Romênia subir para a vice-liderança, por exemplo, a Moldávia herdaria seu lugar. Já San Marino precisaria de um cenário ainda mais improvável: que Suécia — lanterna de seu grupo — ou Irlanda do Norte conseguissem avançar em segundo para liberar um espaço.
Enquanto isso, a Suécia vive o extremo oposto da tabela e simboliza a frustração de uma potência em colapso. Mesmo com um dos ataques mais caros e promissores da Europa, formado por Alexander Isak e Viktor Gyökeres, a equipe amarga uma campanha decepcionante e vê sua vaga direta na Copa em risco.

Isak, contratado pelo Liverpool por cerca de 145 milhões de euros, e Gyökeres, destaque do Arsenal comprado por 63 milhões, somam prestígio e gols pelos clubes, mas pouco conseguiram reproduzir o sucesso na seleção. Em quatro partidas das Eliminatórias, a Suécia marcou apenas dois gols e acumula resultados que a obrigam a depender da repescagem. Ainda assim, a equipe já tem vaga praticamente garantida via Nations League, onde terminou como líder do Grupo 1 da Liga C — o que a coloca entre as dez melhores ranqueadas da competição.
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