Lúcio de Castro: Vini Jr e Lamine Yamal ardem na cara de racistas espanhóis
Símbolos de uma nova geração expõem contradições históricas na Europa

A Marcha de Selma ficou para trás, ainda que eterna para a humanidade. Naquele março de 1965, Luther King e sua gente caminhavam para mudar o mundo.
Foram necessárias três tentativas ao longo do mês para vencer os 85 quilômetros entre Selma e Montgomery. As palavras que ficaram para a história ali são menos famosas do que as ditas dois anos antes, no mais do que justamente mítico "I Have a Dream", aos pés do Memorial de Lincoln, em Washington.
Em "How Long, Not Long", o pastor afirmou que os "direitos iguais para os afro-americanos não poderiam estar tão distantes porque o arco do universo moral é longo, mas pende para a justiça". Momento definitivo para a aprovação da "Lei dos Direitos ao Voto" naquele mesmo ano, a histórica conquista do movimento negro. Já se vão 61 anos.
E os racistas ainda estão aqui. E por aí.
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O profeta, que seria assassinado três anos depois, talvez não pudesse imaginar que, sim, está tudo tão distante ainda. Apesar de tanta conquista no meio do caminho, o arco do universo moral nem sempre "pende para a justiça". Impunidade é o tom da Espanha racista que comete seus crimes contra Vini Jr. Dia sim e dia sim também.
A novidade não é a devida punição, que nunca chega ou chega irrisória. A única novidade, quanto tempo, muito longo, é que, em vez do crime abjeto contra o brasileiro ter cessado, cada dia mais Lamine Yamal vira alvo. Na última Data Fifa, o espanhol — sim, o espanhol, filho de marroquino e mãe de Guiné Equatorial — estava em campo, manto encarnado de Fúria, para defender seu país contra o Egito, em Barcelona.
Muçulmano, sentiu a pedrada dos gritos que vinham das arquibancadas: "quem não pular é muçulmano". Até aqui mais quieto, dessa vez chamou os racistas de "idiotas". Desde então, virou um alvo maior. E também nada acontece.
É o estado de negação em um país que viveu sete séculos de ocupação muçulmana, entre 711 e 1492. A negação da história multicultural e multirracial que costura aquelas bandas. Os racistas que revivem os reis católicos ao expulsarem os mouros, instituir políticas de conversão forçada e exílio para os que consideravam de "sangue impuro".
E que agora consideram Vini Jr e Yamal de sangue impuro. O que explica o crescimento criminoso e grotesco dos crimes de ódio racistas e xenófobos para mais de 30% nos últimos tempos.
Enquanto Javier Tebas, presidente da La Liga, se esconde. O passado condena o cartola e diz tudo: o histórico de filiado ao partido fascista Fuerza Nueva, que existiu de 1976 a 1982, logo nos primeiros anos após a redemocratização da Espanha, defendendo a "herança" do franquismo. Apoiador do Vox, a extrema direita da Espanha.
Que não exista dúvida: a crise dos racistas espanhóis é diante do espelho. Cometem seus crimes enquanto tentam se apoiar na falsa equivalência entre brancura e pertencimento nacional.
Por isso é que Yamal entrou na roda criminosa onde Vini já estava posto pelos racistas. Ao fim de tudo, o que está em disputa na Espanha, nesse 2026, é olhar o espelho e saber o que realmente significa ser espanhol no século XXI.
Por algo tão simples: Lamine Yamal arde na cara deles pela resposta que representa a essa pergunta. Ser espanhol no século XXI é ser Lamine Yamal.

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VAR de Alejandro Domínguez ❓
E o Flamengo buscou 3 pontos no alto do morro. Falei aqui no Lance!, em coluna especial para o dia do começo da Libertadores, na última terça-feira, que vencer lá em cima nunca é fácil.
Não pelo Cusco, que, em campo, confirmou o que se sabia: bem fraquito. Mas é que o "soroche" é muito cruel e não pode ser menosprezado. Soroche = mal da altitude.
E o que se viu em campo foi um time inteiro. É a melhor palavra que define: inteiro, como poucas vezes se vê diante do soroche e da bola que voa mais rápido.
Ridículo mesmo é constatar que a Conmebol, de Alejandro Domínguez, milionária, quiçá bilionária, poupa seus caraminguás no VAR. No lugar de um VAR semiautomático, as já velhas mal traçadas linhas.
Talvez não seja possível concluir se a anulação do gol do Cusco foi legal ou não. Mas dá para concluir que é inadmissível que uma entidade tão endinheirada muquirana um VAR semiautomático.

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