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Entrevista exclusiva: Rilany Silva detalha trabalho na Seleção Sub-17 e explica desafios da nova geração

Treinadora reflete sobre formação de base

Giselly Correa Barata
Guararema (SP)
Dia 29/03/2026
09:57
Rilany Silva durante semana de treinos da Seleção Sub-17 em Sergipe CRÉDITOS: LUIZ NETO/CBF
imagem cameraRilany Silva durante semana de treinos da Seleção Sub-17 em Sergipe. (Foto: LUIZ NETO/CBF)

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Não faz muito tempo que Rilany Silva estava dentro de campo defendendo a Seleção Brasileira. Hoje, à beira do gramado, a ex-lateral lidera a equipe Sub-17 com a bagagem de quem viveu o jogo por dentro e agora atua na formação de novos talentos.

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Em entrevista, a treinadora detalha a transição de jogadora para técnica, analisa o trabalho de formação na base, explica os desafios do ciclo curto da categoria e projeta o desenvolvimento das atletas no cenário atual.

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Lance! - Como foi a transição de jogadora para treinadora? É muito diferente?

Rilany Silva: Ah, é bem diferente. É bem diferente assim. Acho que vivenciar a vida de jogadora te dá um olhar para um todo, né, do vestiário, pro dia a dia, conhecer um pouco mais a colega, tá atenta um pouquinho mais a outra individualidade, o que agrega muito na vida de treinadora. Só que aí o nosso olhar passa a ser mais sobre agregar tudo isso dentro de uma parte mais tática. E quando você é jogadora, você não se importa muito com isso, né? O seu olhar não vai muito para aí. Por mais que você esteja o tempo todo se comunicando e conversando com as colegas, falando sobre jogo, o olhar é muito micro. A vivência de treinadora te abre um leque de opções, de olhares assim que acaba enriquecendo mais porque já tem a vivência como jogadora. Então você acaba por agregar muitas coisas que talvez não nos deixa nem mais à frente, nem mais atrás de quem nunca foi jogadora, mas eu acho que a gente consegue ter uma sensibilidade para momentos importantes de vestiário, de como elas gostam de ser ouvidas, de como elas gostam que talvez fale com elas. Acho que a minha vivência de jogadora também de como falavam comigo e eu não gostava muito disso. Acho que isso não agregava muito, acho que isso não atingiu muito a gente. Então, como atingir essas jogadoras, né? Porque elas são umas jogadoras, mas tem um lado muito humano. Eu acho que quando a gente consegue atingir o lado humano, a gente ganha a jogadora e não ao contrário. Então, acho que eu fui separando ali o que fez ou não sentido para mim. Não que faça sentido para mim também possa fazer sentido para elas, mas acho que o ser humano em si gosta de ser bem tratado, né? Eu acho que é o que eu tento fazer quando eu não tô na dinâmica de treino que tá ali berrando, falando, gesticulando. Mesmo assim existe um olhar humano, mas quando a gente sai dali é olhar elas como crianças, adolescentes, em formação e desenvolvimento. Acho que agreguei um pouco de tudo do que eu vivi como jogadora e tento trazer um pouco para elas assim. Mas no sentido do trato, sabe? Do dia a dia, da vivência.

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O que vocês estão fazendo neste período de preparação?

Rilany Silva: As pessoas acham que são muitas convocações, mas não. São duas antes de uma competição e a última que já emenda com a competição. Então, a gente vai ter três momentos. Esse é o segundo momento de preparação do Sul-Americano. Nós conseguimos adquirir um momento a mais do que o ano passado. O planejamento anterior com um pouco de antecedência nos deu um leque de opções maior, não ainda o ideal, principalmente para idades que oscilam muito, para a gente precisar de mais momentos com elas, mas a gente tenta fazer com que o conteúdo seja muito preciso para 10 dias de fevereiro, 10 dias de março e depois mais 15 dias seguindo para a preparação. Então, é um segundo momento em que a gente ainda tá em aquisição de conhecimento do que é o jogo que a gente pretende propor para elas. Estamos dividindo em fases do jogo. O primeiro momento foi de duas fases, agora esse momento mais de outras duas fases para que a gente chegue na preparação da Granja já com um leque de conteúdos com bastante dinâmicas que a gente possa mostrar para elas em vídeo, algo concreto, palpável sobre elas. Quando eu vejo o que eu estou fazendo, acho que a gente consegue impactar mais. A resposta delas é o que faz a gente saber por onde e como a gente pode ou não elevar o nível de complexidade. E nesse momento a gente teve uma resposta de que poderia fazer um amistoso com meninos sub-15, porque elas deram respostas muito positivas.

Qual é o maior desafio de trabalhar com um ciclo tão curto na Seleção Sub-17?

Rilany Silva: Eu acho que o maior desafio dentro da seleção brasileira é como impactar e como fazer com que elas entendam num curto espaço de tempo. É uma geração do fácil, que tudo é muito rápido, tudo está na palma da mão, celular, TikTok, Instagram. Então, como impactar essas meninas em 10 dias e fazer com que o foco delas seja para nós. É muito desafiador isso, porque elas se distraem e perdem o foco muito rápido. A gente encontra estratégias para que esses 10 dias sejam de imersão no que a gente precisa. Depois, a gente faz reuniões em que elas estudam vídeos e conectam com o modelo de jogo. No início, o conteúdo é mais pobre porque elas ainda não adquiriram aquilo, mas depois elas vão absorvendo. Quando elas dão essa resposta, a gente direciona os caminhos e entende como impactá-las melhor. Isso faz com que elas cheguem mais preparadas para uma Sub-20.

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O que as experiências em Benfica, Corinthians e Cruzeiro te trouxeram como treinadora?

Rilany Silva: As três agregaram bastante. Quando eu termino de jogar, estou no Benfica e percebia que interagia muito, falava muito com as colegas, olhava mais para o jogo. Foi ali que começou a despertar que talvez eu pudesse ser uma boa treinadora. O Benfica me convida para ficar e começo como estagiária. A metodologia deles prioriza a individualidade e o pensar o jogo, não é sobre sistema. Isso me deu um olhar muito rico. Me permitiram errar muitas vezes e ali eu me desenvolvi. Quando volto ao Brasil, vou para o Corinthians e começo a colocar minha maneira de ver o jogo. As jogadoras foram acreditando e fizemos um ano muito incrível. Depois fui para o Cruzeiro como auxiliar, buscando vivenciar o profissional. Isso me trouxe mais elementos e me fez entender que, independentemente da idade, as atletas precisam de uma linha orientadora.

Como funciona a integração entre as categorias da Seleção?

Rilany Silva: Ainda não tivemos um momento com todos juntos, mas já aconteceram conversas importantes. Com o Artur, por exemplo, tive várias conversas. A troca é muito rica, porque ele traz um olhar que eu ainda não vivenciei. A gente pega o que faz sentido e guarda o que pode fazer sentido mais à frente. A ideia é construir uma linha orientadora, um DNA da seleção brasileira.

Como é feito o monitoramento de atletas, especialmente as que atuam fora do país?

Rilany Silva: Nós temos contatos fora do país que nos ajudam. A gente busca vídeos dessas atletas e tenta entender o contexto, o nível competitivo e o que cada uma faz individualmente. A gente tenta olhar para todas, tanto no Brasil quanto fora. Nem sempre o timing da convocação é ideal para a atleta, por causa de compromissos com clubes ou estudos, mas a gente tenta minimizar essa perda e fazer com que todas se sintam vistas.

Que mensagem você deixa para o torcedor brasileiro?

Rilany Silva: Só tenho que agradecer os brasileiros. Pelo que a gente recebeu de feedback, todo mundo assistiu, abraçou. Era um futebol atrativo, com o qual o torcedor se identificava. Espero que no Sul-Americano eles tenham a mesma paixão e vontade de nos assistir e torcer como tiveram no Mundial.

Rilany, treinadora da Seleção Feminina Sub-17, conversa com o time durante o treino (Foto: Reprodução/CBF)
Rilany, treinadora da Seleção Feminina Sub-17, conversa com o time durante o treino (Foto: Reprodução/CBF)
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