Opinião: é por isso que a Seleção Feminina não deve jogar só contra europeias
Brasil foi superado por Venezuela e México na primeira Data Fifa do ano

A primeira Data Fifa de 2026 da Seleção Feminina terminou abaixo das expectativas. Foram duas derrotas, para Venezuela por 2 a 1 e México por 1 a 0, além de uma vitória contra a Costa Rica por 5 a 2. O saldo não é positivo, mas deixa lições importantes.
Arthur Elias levou ao pé da letra a ideia de testar. Desde a convocação e ao longo da Data Fifa, promoveu mudanças profundas na equipe, chegando a fazer até dez alterações entre as titulares de um jogo para outro. Naturalmente, esse tipo de rodagem tem um preço.
Por consequência, a Seleção não apresentou a identidade que havia construído na temporada passada. Em um cenário de ajustes e experimentações, os adversários aproveitaram a oportunidade para escrever seus próprios capítulos contra o Brasil, com resultados históricos, caso da vitória inédita da Venezuela.
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Brasil foi 'surpreendido' pelos adversários?
O Brasil se acostumou a viver dois cenários bastante distintos. Contra seleções sul-americanas, muitas vezes exerce domínio técnico e territorial. Já diante das potências europeias, os jogos costumam ser marcados por alto nível de competitividade, concentração e detalhes táticos.
Os próprios resultados recentes mostram isso. Em junho do ano passado, o Brasil perdeu por 3 a 2 para a França em um jogo equilibrado e venceu Inglaterra e Itália com muito equilíbrio. Em 2025, houve também contrastes claros: derrota por 3 a 1 para a Noruega e goleada por 5 a 0 sobre Portugal.
Esses confrontos são fundamentais para medir o nível da Seleção diante da elite do futebol mundial. Mas eles não representam todos os desafios que uma Copa do Mundo pode apresentar.
A Data Fifa mais recente mostrou exatamente isso.
Contra adversárias que não pertencem ao eixo europeu tradicional, o Brasil encontrou dificuldades que talvez não estivessem no radar. A derrota para a Venezuela escancarou momentos de desorganização e falta de controle. Já contra o México, a Seleção criou as melhores chances, acertou a trave e parou na goleira adversária, mas não conseguiu transformar volume ofensivo em resultado.
A postura foi bem definida pela zagueira Mariza, em entrevista pós-jogo ao Sportv.
— Todas as Datas Fifa e os jogos têm uma história diferente. A gente tem tempo, agora temos que baixar a cabeça, rever os jogos e tudo que aconteceu para ver o que temos que melhorar, com certeza é bastante coisa... Principalmente a nossa consistência, falamos disso já tem algum tempo, a gente faz grandes jogos, contra grandes seleções, saímos com vitória, às vezes temos alguns apagões... Temos que baixar a cabeça e trabalhar, temos muito tempo e muita coisa para melhorar — avaliou.
O ponto não é dizer que essas seleções são superiores. A questão é que cada escola de futebol apresenta desafios diferentes. Logo, o maior ganho deste período foi, justamente, ampliar o repertório competitivo da equipe.
Fifa Series trará novos desafios
A Seleção volta a campo em abril, no Fifa Series, quando terá pela frente Canadá, Coreia do Sul e Zâmbia. O Canadá é um adversário tradicional e já conhecido. Já as seleções asiáticas e africanas trazem características diferentes e podem oferecer novos testes importantes para o time.
O Brasil já mostrou que pode competir com qualquer seleção do mundo. A questão que ainda precisa ser respondida é outra: se a equipe já está preparada para enfrentar os estilos (bastante distintos) de jogo que podem aparecer no caminho na Copa do Mundo. Se a Data Fifa deixou frustração pelos resultados, ela também serviu como alerta.
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