No Rio, Malaguetas impulsiona o futebol de mulheres e quer se tornar clube profissional
Iniciativa promove treinos para mulheres a partir de 5 anos e sem limite de idade

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O campo da Praça Marcos Tamoyo, na Zona Sul do Rio, começa a encher nos turnos da manhã e da tarde. Meninas e mulheres, cada uma com seu tempo. É nesse cenário que o Malaguetas acontece e quer abrir caminho para que mulheres joguem, permaneçam e, quem sabe, transformem o jogo no Rio de Janeiro.
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A ideia nasceu de uma ausência, quando Larissa Fraz e Beatriz Monteiro se conheceram na universidade, jogando futebol, e perceberam algo que incomodava: um estado com tanta história no esporte, mas com pouquíssimos espaços pensados exclusivamente para mulheres. Criaram, em 2023, o que gostariam de ter encontrado.
Em um segundo momento, definiram o nome da iniciativa. Malaguetas, segundo definem, carrega provocação, personalidade. A proposta era essa mesmo: ser atrevida, audaciosa, diferente.
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Hoje, o projeto atende alunas a partir dos cinco anos e não estabelece limite de idade. Os treinos acontecem duas vezes por semana, com categorias sub-13 e sub-15, além da turma livre para praticantes adultas.
Todas as professoras são mulheres, e o trabalho inclui também acompanhamento psicológico e nutricional, além de uma metodologia se apoia em três pilares: saber ser, saber sobre e saber fazer. Yara Antônia, de 28 anos, conhece bem esse caminho. Ela chegou como aluna e, com o tempo, virou professora.
— O Malaguetas representa muito sonho, muita história, muita vontade, muita coragem, né? Desde nova, sempre tive o sonho de ser jogadora de futebol. Não consegui realizar, porém, hoje eu estou no lugar. Onde eu facilito, estou no caminho para que outras meninas consigam realizar esse sonho como eu tive. Isso para mim é muito gratificante, tão bom quanto me tornar uma jogadora de futebol com certeza — define Yara, em entrevista ao Lance!.
A procura para praticar futebol entre mulheres aumentou depois da campanha histórica da seleção nos Jogos de Paris, em 2024. Larissa Freitas, uma das fundadoras, olha para frente com cuidado, mas sem esconder a ambição. A ideia é expandir, abrir uma segunda unidade ainda este ano e, no futuro, dar um passo além. Ela fala em desenvolver o alto rendimento na base, criar caminhos para a profissionalização. E deixa escapar um objetivo maior: transformar o Malaguetas no primeiro clube exclusivamente feminino do Rio de Janeiro.
— Além de fomentar mais ainda o recreativo, queremos fomentar o alto rendimento para essas meninas poderem se desenvolver na adolescência. Conseguirem evoluir para poder se profissionalizar e quem sabe a gente não vai estar abrindo o primeiro clube de futebol feminino no Rio de Janeiro — projeta Larissa.
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No meio disso tudo, a Copa do Mundo de 2027 aparece como um marco importante. Para ela, o impacto vai além do campo. É sobre ver, se reconhecer, ocupar espaços.
— Para a gente o mais importante é nos sentirmos representadas. São as meninas poderem vivenciar o que é viver uma Copa do Mundo dentro do país, que não é sempre que acontece, a gente está tendo a oportunidade de viver isso de novo, a gente viveu isso em 2014, mas com futebol feminino vai ser a primeira vez que a gente vai estar recebendo em casa — analisa ela.
— Vai ser importante elas verem essas estrelas de perto, ver o que futebol feminino pode proporcionar e que o esporte é transformação. Vai ser muito importante para o desenvolvimento delas, para elas poderem ver onde elas conseguem chegar — finaliza.

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