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Como o licenciamento de clubes elevou o sarrafo do futebol feminino paulista

Modelo adotado pela FPF desde 2021 impõe critérios técnicos para participar de competições no estado, que é referência da modalidade no Brasil

Giselly Correa Barata
São Paulo (SP)
Dia 18/03/2026
16:27
Atualizado há 1 minutos
Final do Paulistão Feminino de 2025. ( Mauro Horita/Ag.Paulistão)
imagem cameraFinal do Paulistão Feminino de 2025. ( Mauro Horita/Ag.Paulistão)

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O licenciamento de clubes deixou de ser apenas uma exigência burocrática para se tornar uma das principais ferramentas de desenvolvimento do futebol feminino paulista.

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Tema de workshop voltado a profissionais de imprensa realizado nesta quarta-feira (18), na sede da Federação Paulista de Futebol, o modelo vem sendo apontado como um divisor de águas na organização, profissionalização e crescimento da modalidade no estado desde sua implementação, em 2021.

Na prática, o licenciamento é o procedimento obrigatório para que um clube possa disputar competições oficiais. Mais do que autorizar participações, porém, ele estabelece um conjunto de critérios que orientam a estruturação dos times e o funcionamento dos departamentos de futebol feminino. A proposta não é promover igualdade absoluta entre os clubes, algo considerado inviável, mas buscar equilíbrio competitivo e elevar o nível geral da competição.

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O processo segue cinco pilares principais: critérios financeiros, administrativos, desportivos, de infraestrutura e de gestão de pessoas. Esses parâmetros exigem dos clubes organização interna, investimento contínuo e planejamento de médio e longo prazo. A iniciativa também tem respaldo legal e segue um alinhamento internacional, inspirado em modelos adotados por entidades como UEFA, CONMEBOL e Confederação Brasileira de Futebol, além de respeitar a legislação brasileira, como a Lei Geral do Esporte.

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Objetivos do licenciamento

Esse alinhamento, chamado de "piramidal", conecta diretrizes globais às práticas locais. Desde 2018, a FIFA estabelece estratégias específicas para o desenvolvimento do futebol feminino, e a FPF adapta essas orientações à realidade paulista.

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O objetivo é claro: garantir integridade às competições, promover a profissionalização dos clubes, incentivar boas práticas de gestão e criar um ambiente seguro e estruturado para atletas e comissões técnicas.

Advogada Fernanda Chamusca explica licenciamento dos clubes na sede da FPF. (Diego Soares/Ag.Paulistão)
Advogada Fernanda Chamusca explica licenciamento dos clubes na sede da FPF. (Diego Soares/Ag.Paulistão)

Um dos diferenciais do modelo paulista está no diálogo constante com os clubes. As regras são discutidas em conselhos técnicos e, antes de se tornarem obrigatórias, passam por um período de recomendação.

O calendário recente ilustra esse processo. Em fevereiro, a FPF divulgou as datas das competições femininas para 2026, abriu o período de licenciamento dias depois e, na sequência, confirmou os oito clubes aptos a disputar o Paulistão Feminino. Nenhuma vaga é garantida: todos os participantes precisam comprovar, anualmente, que atendem aos critérios exigidos.

Plano de Desenvolvimento do Futebol Feminino como diferencial

Além do licenciamento, a entidade implementou o Plano de Desenvolvimento do Futebol Feminino, uma etapa complementar e ainda mais detalhada. O documento funciona como um verdadeiro raio-x dos clubes, reunindo mais de 100 itens que vão desde metodologia de treinamento até estratégias financeiras e comerciais. Também são avaliados aspectos como saúde, performance e desenvolvimento pessoal das atletas, com comprovação documental e até vistorias presenciais.

O plano ganha papel decisivo caso o número de clubes aptos ultrapasse o limite de vagas disponíveis, atualmente oito no Paulistão Feminino. Mais do que um critério de desempate, ele permite acompanhar a evolução — ou involução — das equipes ao longo do tempo, além de ajudar a romper barreiras culturais dentro dos clubes.

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Participação no Paulistão exige staff nos clubes

Entre as exigências administrativas, os clubes precisam, por exemplo, indicar um responsável pela gestão do futebol feminino, incluir ao menos uma mulher na comissão técnica e manter categorias de base. Já no âmbito esportivo, a tendência é de aumento gradual das obrigações. A partir de 2026, equipes que disputarem o Brasileirão Feminino deverão contar com uma estrutura mínima de staff, incluindo profissionais como analista de desempenho, psicólogo, nutricionista e fisiologista.

O modelo paulista também dialoga com experiências internacionais. Iniciativas como a Liga F, da Espanha, e eventos como o La Liga Week serviram de inspiração para aprimorar o sistema adotado pela FPF. Ao mesmo tempo, há o reconhecimento de que diferentes realidades exigem flexibilizações: competições continentais, como a Libertadores Feminina, ainda adotam critérios mais brandos, considerando o estágio de desenvolvimento desigual entre países da América do Sul.

Ao centralizar o licenciamento como eixo estruturante, a FPF transformou um requisito formal em instrumento estratégico. O resultado é um ecossistema mais organizado, competitivo e preparado para sustentar o crescimento do futebol feminino. Mais do que selecionar participantes, o processo passou a induzir mudanças profundas na forma como os clubes pensam, investem e desenvolvem a modalidade.

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