Brasileira na Coreia do Sul, Mileninha vive fase de afirmação no futebol asiático
Atacante de 22 anos detalha adaptação cultural, crescimento profissional e planos de carreira no Suwon FC

- Matéria
- Mais Notícias
A atacante Mileninha, de 22 anos, vive um dos momentos mais transformadores da carreira longe do Brasil. Natural de Brasília (DF), a jogadora do Suwon FC, da Coreia do Sul, definiu a atual fase como uma "renovação" pessoal e profissional, após deixar o futebol brasileiro e encarar o desafio de atuar na Ásia.
Relacionadas
Em entrevista ao Lance!, a atleta falou sobre a formação no Internacional, a passagem pelo Fluminense, a adaptação cultural na Ásia e os planos para o futuro, que incluem Europa, Seleção Brasileira e títulos internacionais.
Início promissor
O início da caminhada foi no Distrito Federal, com uma passagem curta pelo Minas Brasília, antes de Mileninha encontrar no Internacional o ambiente que moldaria sua identidade como jogadora. Foram cinco anos no clube gaúcho, divididos entre categorias de base e profissional, em um processo acelerado de transição.
A atacante subiu cedo ao time principal, ainda aos 18 anos, mas passou boa parte desse período conciliando as duas categorias. Apesar do reconhecimento individual e do destaque na base, ela avalia que esse movimento acabou atrasando uma afirmação definitiva no elenco profissional, já que a possibilidade de descer para campeonatos de base permanecia aberta.
➡️ Tudo sobre Futebol Feminino agora no WhatsApp. Siga nosso novo canal Lance! Futebol Feminino
Da base ao profissional
Essa virada de chave aconteceu apenas em 2024, já vestindo a camisa do Fluminense. Com o fim do ciclo nas categorias inferiores, Mileninha precisou se firmar de vez no futebol adulto, enfrentando as cobranças naturais que surgem quando a atleta deixa de ser promessa e passa a ser cobrada por rendimento e regularidade.
Foi nesse contexto que surgiu a oportunidade internacional. Ainda durante a temporada pelo clube carioca, as conversas com o estafe avançaram, e o interesse do futebol asiático passou a ser tratado como um passo estratégico na carreira. Para a jogadora, a proposta representava mais do que uma transferência: era a chance de sair da zona de conforto e acelerar o processo de evolução.
— Eu precisava dar um salto — resumiu.

Ida para Coreia do Sul
A escolha pelo Suwon FC, da Coreia do Sul, uniu dois objetivos considerados essenciais: ganhar mais minutos em campo e viver uma experiência fora do país, algo que sempre esteve nos planos da atacante desde as categorias de base.
A mudança, porém, exigiu coragem. Mileninha embarcou sozinha para a Ásia, sem familiares, e encontrou de imediato barreiras culturais e linguísticas. Mesmo com algum contato prévio com o inglês, a comunicação foi um dos principais desafios iniciais, já que boa parte das pessoas no país não utiliza o idioma no dia a dia.
Com o tempo, a adaptação veio aos poucos. A jogadora passou a compreender melhor o inglês, incorporou palavras em coreano e hoje consegue se comunicar com mais segurança, especialmente no ambiente do futebol, onde a linguagem corporal e os gestos também ajudam.
Dentro de campo, o choque cultural também foi marcante. O futebol sul-coreano se mostrou mais fechado nas relações, com forte hierarquia e respeito à idade, além de uma cobrança física intensa nos treinamentos. Mileninha relata que precisou se reinventar, sobretudo por atuar no setor ofensivo, onde o físico nem sempre foi seu principal atributo.
— Isso me mostrou que eu conseguia ir além do que imaginava — contou.
Apesar de uma temporada irregular do Suwon FC na liga nacional, marcada por muitos empates e uma posição intermediária na tabela, a atacante conseguiu se destacar individualmente. O foco do clube, desde o início do ano, estava direcionado à Champions League Asiática, competição que atravessa duas temporadas e concentra os principais esforços do elenco.
Momento no clube
Na fase continental, o Suwon FC enfrentou uma chave equilibrada, avançou às quartas de final e agora se prepara para a fase decisiva do torneio, que será disputada no fim de março. Para Mileninha, o nível competitivo da liga sul-coreana foi uma das maiores surpresas positivas desde a chegada ao país.
Segundo ela, não há jogos fáceis. A diferença entre os times é mínima, e qualquer desatenção pode custar pontos, cenário bem diferente daquele encontrado ainda em parte do futebol brasileiro.
Fora das quatro linhas, a atacante também observa com atenção o crescimento estrutural do futebol feminino na Ásia. Ano após ano, há avanços em salários, condições de trabalho, estrutura e direitos das jogadoras, ainda que o cenário social das mulheres no continente siga em processo de evolução.
Atualmente, o Suwon FC conta com apenas duas estrangeiras no elenco, sendo Mileninha a única brasileira. Mesmo assim, o respeito e o carinho pelas jogadoras do Brasil são evidentes, reflexo do histórico de atletas que já passaram pela liga sul-coreana e deixaram boa impressão, caso de Thaisinha e Gabi Zanotti.

Planos e sonho de voltar à Seleção
A experiência internacional também reacendeu o desejo de voltar a vestir a camisa da Seleção Brasileira, após passagens pelas categorias de base. Sem criar expectativas imediatas, a atacante prefere manter os pés no chão e enxergar a atual fase como parte de um processo maior.
— Aqui é minha base hoje — explicou.
Para 2026, as metas são claras. Após um bom desempenho individual em 2025, Mileninha quer dobrar os números, ser mais decisiva e ajudar o clube a ir ainda mais longe nas competições continentais. O sonho coletivo passa por disputar uma semifinal, uma final e, quem sabe, conquistar um título internacional.
- Matéria
- Mais Notícias


















