De jogadora da Seleção a técnica do Atlético-PI: a trajetória de Renata Costa
Comandante foi campeã da Série A3 do Brasileirão Feminino em 2025

A história do Atlético Piauiense no futebol feminino passa diretamente pela trajetória de Renata Costa. Paranaense, 39 anos, ex-jogadora da Seleção Brasileira por mais de uma década, a treinadora construiu seu caminho longe dos grandes centros e transformou experiência em resultado: título nacional inédito para o Piauí e acesso, comandando um projeto que ainda engatinha no cenário nacional.
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Antes de chegar ao banco de reservas, Renata viveu o futebol dentro de campo por quase duas décadas. Foram 11 anos vestindo a camisa da seleção brasileira, com presença em Copas do Mundo, Olimpíadas e competições continentais, em um período em que a modalidade ainda tinha pouca estrutura e visibilidade.
— Foram muitos anos de Seleção, com alegrias e frustrações. A gente não conquistou os maiores títulos, mas chegou em finais e ajudou a abrir caminho para o que o futebol feminino é hoje — relembrou.
A virada de chave aconteceu em 2019. Após conviver com lesões, cirurgias no joelho e o desgaste físico, Renata decidiu encerrar a carreira como atleta e iniciar uma nova fase fora das quatro linhas.
— Chegou um momento em que eu entendi que precisava passar minha experiência de outra forma — contou.
O primeiro passo foi como auxiliar técnica no Iranduba, clube que marcou época no futebol feminino brasileiro. Depois, passou pelo 3B da Amazônia, atuou como supervisora e consultora técnica em Fortaleza e assumiu, pouco depois, o comando do Recanto da Criança, onde conquistou seus primeiros títulos como treinadora e acessos nacionais.
— Foi ali que eu dei meu pontapé inicial como técnica. Consegui título estadual, acesso e comecei a me enxergar realmente como treinadora — destacou.
A carreira seguiu pelo Atlético-MT, até que, no fim de 2024, surgiu o convite para assumir o Atlético Piauiense, ainda no estadual. Um desafio diferente, em um clube novo e fora do radar nacional.
— Quando cheguei, existiam muitas dúvidas. Era um clube novo, no Nordeste, que pouca gente conhecia. Mas o trabalho começou a mostrar que dava para chegar longe — afirmou.

A resposta veio rápido. Renata liderou o time ao primeiro título nacional da história do Piauí, um feito inédito não apenas para o clube, mas para o estado.
— Foi algo gigantesco. Um marco para o clube, para o estado e para o futebol feminino — resumiu.
Hoje, à frente de um elenco renovado e com contrato estendido, Renata carrega para o banco de reservas tudo o que viveu como atleta: leitura de jogo, gestão de grupo e uma cobrança constante por união e disciplina.
— É um esporte coletivo. Se não andar todo mundo junto, não funciona. Essa é uma das maiores lições que eu trago da minha carreira — afirmou.
Com os pés no chão e metas bem definidas, a treinadora segue construindo sua história longe dos holofotes tradicionais, mas cada vez mais presente no cenário nacional. O objetivo é claro: seguir subindo degraus — do clube e da própria carreira.
— Meu sonho é chegar à Série A1 e, um dia, estar também na seleção brasileira como treinadora. Estou trilhando esse caminho — finalizou.
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