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'Quero guardar a história delas': conheça Dirso Ament, torcedor do Corinthians que mantém acervo de jogos das Brabas

Profissional de TI grava partidas do time feminino desde 2022 e se notabilizou nas redes sociais

Giselly Correa Barata
São Paulo (SP)
Dia 25/02/2026
13:02
Atualizado há 3 minutos
Dirso, torcedor do Corinthians. (Foto: acervo pessoal)
imagem cameraDirso Ament, 34 anos, torce para o Corinthians e mantém gravações de jogos das Brabas. (Foto: acervo pessoal)

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Já virou tradição: em dia de jogo das Brabas, como é chamado o time feminino do Corinthians, Dirso estará gravando. Ou melhor, de Adilson, seu nome de batismo. Aos 34 anos, o profissional de tecnologia da informação mantém um acervo com mais de 300 partidas do clube, a maioria delas do futebol feminino, e se tornou referência entre torcedores nas redes sociais ao compartilhar transmissões, registros e informações sobre a modalidade.

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No X (antigo Twitter), ele interage com a Fiel, compartilha prints, curiosidades, informações sobre transmissões e opiniões sobre o time do coração. O interesse pela modalidade, porém, é bem anterior à criação do departamento feminino alvinegro.

— Minha família toda é corinthiana. Mãe, pai, todo mundo. A gente fala que corinthiano nasce, né? Nunca torci para outro time. Quando era criança brincava muito na rua e não acompanhava tanto. Comecei mesmo com 8, 9 anos — conta.

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A paixão remonta aos tempos em que a Seleção Brasileira feminina era transmitida pela TV Bandeirantes. Em 2016, quando o Corinthians estruturou seu departamento de futebol feminino, Dirso pôde unir o amor pelo clube ao acompanhamento sistemático da modalidade — e viu de perto a hegemonia construída no Parque São Jorge.

— Tenho uma história curiosa. Em 2008, antes da final da Olimpíada feminina contra os Estados Unidos, eu estudava em uma escola pública que não tinha antena. Levei uma antena velha de casa, colocamos na janela do terceiro andar e conseguimos assistir no auditório. A imagem era ruim, mas assistimos. Infelizmente o Brasil não ganhou, mas foi marcante — relembra.

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O Lance! entrevistou Dirso Ament com exclusividade para conhecer mais sobre o torcedor, entender sua avaliação sobre a evolução da imprensa esportiva na cobertura do futebol feminino e projetar a temporada das Brabas.

L!: É curioso, acompanhando você no X, essa prática de gravar os jogos das Brabas. Queria começar falando do seu lado corinthiano e profissional. Como isso se relaciona com essa prática?

Dirso: Comecei a gravar os jogos com mais disponibilidade em 2022. Antes eu trabalhava presencialmente, então não tinha tanto tempo. Um amigo me ajudava. E as transmissões também eram mais escassas — não era como hoje, com todos os jogos em vários veículos.

Quando decidi gravar, pensei: "Quero ter um acervo, quero guardar a história delas". Não só para mim, mas para ajudar quem não consegue assistir ao vivo. Também é útil para quem trabalha com análise. O pessoal do Planeta Futebol Feminino (mídia independente) já entrou em contato agradecendo.

Não consigo gravar todos por questão de armazenamento, mas definitivamente gravo os do Corinthians e os da seleção. Do masculino, gravo de vez em quando.

Comecei a acompanhar o time feminino em 2017, na final da Libertadores, naquele 0 a 0 sofrido decidido nos pênaltis. Ali começou a paixão. Já era corintiano desde os anos 90. Desde 2022 trabalho em home office com TI, então consigo acompanhar melhor.

L!: Quantos jogos você já gravou?

Dirso: Tenho uma planilha. São 342 registros nela. Na pasta, 333 arquivos. Algumas finais eu gravo em mais de um veículo ao mesmo tempo. Desde 2017 são 333 arquivos do Corinthians.

L!: Você consegue explicar por que o futebol feminino te fisgou tanto?

Dirso: Acho que foi em 2007, na final do Pan-Americano, no Maracanã: Brasil 5 a 0 nos Estados Unidos. Desde lá acompanho tudo que posso. Meus pais também acompanham.

Depois passei a acompanhar o Santos entre 2009 e 2010. Cheguei a gravar jogos em DVD na época, mas perdi. Sempre gostei de esporte em geral. O futebol feminino sempre me apaixonou.

L!: Sua formação é em tecnologia da informação?

Dirso: Sou formado em redes de computadores. Me formei em 2014, em Araras. Trabalhei sete anos em um provedor de internet da minha cidade. A empresa foi vendida e dispensou todo mundo. Em 2022 consegui emprego na área de TI, prestando serviço para empresas.

L!: Você acompanhou a evolução das transmissões. Como vê o cenário atual e o que pode melhorar?

Dirso: Melhorou demais. Esse foi o primeiro ano em que a Confederação Brasileira de Futebol garantiu 100% dos jogos transmitidos. Antes era muito mais complicado.

Acho que ainda precisa melhorar no sentido de não depender da CBF para transmitir. O campeonato deveria ser garantido por veículos. A TV Globo poderia transmitir jogos na TV aberta. O SporTV poderia exibir mais partidas. Diversidade é importante.

Antigamente os clubes mandantes precisavam se virar. Hoje melhorou muito, mas precisa ter jogo na TV aberta para fomentar público.

L!: Sobre sua presença digital no X, isso é monetizado?

Dirso: Não monetizo. Tenho verificado só por constar mesmo. Começou sem pretensão nenhuma. Em 2022 comecei a fazer agenda de jogos, entrar em contato com assessorias, postar transmissões. O pessoal começou a gostar e foi crescendo naturalmente.

Uso o X para divulgar a modalidade, não só o Corinthians.

L!: Como é o processo técnico de gravação?

Dirso: A partir de 2022 investi mais. Para TV aberta uso um receptor USB ligado à antena externa e um software que comprei. Consigo gravar dois canais ao mesmo tempo.

Streaming gravo por captura via navegador. TV fechada uso placa de captura ligada ao receptor e ao OBS. Pela internet consigo gravar vários simultaneamente.

Expectativas para o ano do Corinthians

L!: Qual sua avaliação do início da temporada das Brabas?

Dirso: Acho mediano. O Mundial foi positivo, com vitória sobre o Gotham e um jogo competitivo contra o Arsenal. Na Supercopa jogou bem contra o Palmeiras, mas perdeu nos pênaltis.

No Brasileiro começou abaixo, sofreu contra o Atlético Mineiro e não aproveitou contra o Fluminense. A demissão do treinador foi surpresa.

Sobre a Emily Lima, fui crítico à contratação, mas agora torço para dar certo. No geral, desempenho mediano.

L!: A hegemonia do Corinthians pode ser quebrada?

Dirso: Acho que é um ano com boa oportunidade de alguém bater o Corinthians, principalmente no Brasileiro. Palmeiras e Cruzeiro são os principais candidatos. São Paulo Futebol Clube e Ferroviária correm por fora.

Pela inconstância e mudança de comando, é possível. Não torço para isso, mas é provável.

L!: Pretende gravar jogos da base?

Dirso: Já gravei uma final no ano passado. Quero ampliar para a base também. Se tiver mais transmissões, vou gravar sim.

L!: Por fim, falando sobre futebol feminino para as redes sociais, á teve que lidar com hater?Dirso: Demais. Hoje é bem menos. Antigamente eu respondia. Hoje deixo falando sozinho. "Ninguém liga", mas estão sempre comentando. Se estão comentando, é porque ligam.

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