Bia Zaneratto nega acomodação no retorno ao Palmeiras: 'Quero muito mais'
Em apresentação, atacante promete entrega máxima e vê retorno como estratégico para seguir em alto nível

Na tarde desta sexta-feira (9), o Palmeiras realizou a apresentação da atacante Bia Zaneratto em entrevista coletiva na Academia de Futebol, na Barra Funda, em São Paulo (SP).
Aos 32 anos, a atacante reassume a camisa 10 alviverde com um contrato de dois anos, trazendo na bagagem experiência internacional, protagonismo recente na liga norte-americana e o discurso claro de quem não regressa por conforto, mas por ambição.
Bia fez questão de destacar o peso simbólico e emocional de retornar ao clube que considera sua casa. Cercada pela família, dirigentes, como a presidente Leila Pereira e o diretor de futebol feminino do clube, Alberto Simão, a atacante reforçou que o reencontro com o Palmeiras representa aconchego, mas jamais acomodação.
— Voltar pra casa é aquele conforto, aquele aconchego, mas jamais uma acomodação, como talvez algumas pessoas pensem. Longe disso. Eu vivo um grande momento — disse Zaneratto.
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A atacante chega após duas temporadas nos Estados Unidos, onde foi nomeada entre as melhores jogadoras da liga, e frisou que o retorno ao futebol brasileiro acontece em um momento alto da carreira. Segundo ela, o objetivo é claro: competir por títulos e seguir no radar da Seleção Brasileira.
— Não estou aqui por conforto. Eu quero muito mais. Tenho ambição de conquistar grandes coisas aqui no Palmeiras. Temos um calendário cheio e com certeza vamos buscar ganhar todos os campeonatos — opinou.
Bia também ressaltou a importância estratégica de grandes jogadoras atuarem no Brasil, especialmente com a Copa do Mundo de 2027 se aproximando. Para a atacante, fortalecer o cenário do futebol feminino passa diretamente pela presença de atletas de alto nível técnico.
— Ter grandes jogadoras aqui fortalece a liga, traz visibilidade. A Copa do Mundo está chegando e é muito importante ter atletas competindo em alto nível no Brasil — ponderou a camisa 10.

Bia será treinada por Rosana Augusto, ex-companheira de equipe no Palmeiras
Dentro de campo, Bia demonstrou entusiasmo com o estilo de jogo do Palmeiras sob comando de Rosana Augusto, com quem ela atuou lado a lado. A atacante revelou identificação com a proposta mais agressiva, de marcação alta e liberdade ofensiva, características que dialogam diretamente com o seu futebol.
— É um estilo de jogo que me agrada muito. Mais agressivo, com marcação alta, não tão posicional. Eu gosto de jogar mais livre, mais solta. Tenho certeza que ela vai tirar o meu melhor — disse ela.
Questionada sobre a disputa por títulos e o cenário atual do futebol feminino nacional, Bia pregou cautela e trabalho passo a passo. Apesar do crescimento do Palmeiras e da quebra recente de hegemonias, a atacante reforçou que nada se constrói da noite para o dia.
— A gente vai trabalhar com os pés no chão. O ano está só começando. Com humildade e trabalho, passo a passo, vamos buscar conquistar todos os títulos — garantiu Zaneratto.
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Bia Zaneratto e a torcida alviverde
O vínculo emocional com o clube e com a torcida também foi um dos pontos mais enfatizados pela jogadora. Bia relembrou as passagens anteriores pelo Palmeiras e destacou o carinho constante que recebeu mesmo quando atuava fora do país.
— Esse carinho nunca deixou de existir. Ver as meninas do elenco pedindo minha volta, sentir isso da torcida, aquece o coração.
A atacante aproveitou a apresentação para fazer um pedido direto aos torcedores, reforçando a importância da presença nos estádios como forma de impulsionar o futebol feminino.
— Por favor, compareçam aos estádios. Isso incentiva o futebol feminino, fortalece a competição e já ajuda a construir o caminho para a Copa do Mundo de 2027.

O cenário do futebol feminino brasileiro
Bia também abordou, de forma crítica, a realidade estrutural do futebol feminino no Brasil, citando casos recentes de clubes que encerraram projetos na modalidade. Para ela, a falta de independência em relação ao futebol masculino ainda gera impactos diretos na carreira das atletas.
— Quem acaba pagando o preço muitas vezes são as jogadoras. Isso não deveria acontecer. O futebol feminino precisa existir de forma independente — analisou Bia.
Por fim, a atacante resumiu o significado do retorno em termos de identidade, entrega e legado. Segundo Bia, mais do que gols, o torcedor pode esperar intensidade, comprometimento e conexão com a camisa.
— Às vezes não vai ter gol, mas a entrega nunca vai faltar. Esse é o espírito, esse é o Palmeiras. Tenho muito orgulho de vestir essa camisa — destacou.
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