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Mulheres no automobilismo: desafios e preconceitos dentro e fora da F1

Psicóloga atende pilotos profissionais, mas enfrenta barreiras em um ambiente machismo

PorAnna Carolina Ramos•Rio de Janeiro (RJ)
05/11/2026 11:00
Fabiana Nascimento é psicóloga esportiva, com especialidade em automobilismo
Fabiana Nascimento é psicóloga esportiva, com especialidade em automobilismo (Foto: Arquivo pessoal)

O crescimento da presença feminina na Fórmula 1 não se resume às arquibancadas. Nos bastidores, mulheres também buscam espaço em áreas diretamente ligadas ao automobilismo, como a psicologia esportiva, mas ainda encontram barreiras em um ambiente historicamente masculino. É o caso de Fabiana Nascimento, psicóloga que atende pilotos e pilotas de diferentes categorias e que também acompanha de perto o universo da Fórmula 1.

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Para Fabiana, ser mulher dentro do automobilismo ainda representa uma dificuldade a mais na busca por espaço e reconhecimento profissional. E, como era de se esperar em um esporte majoritariamente masculino, a psicóloga enfrenta barreiras simplesmente por ser mulher. Em entrevista ao Lance!, ela destacou a resistência ainda enfrentada pela presença feminina em funções diretamente ligadas aos pilotos.

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— É um lugar muito machista, assim. É muito difícil ser uma médica mulher. É muito difícil. Psicóloga, então… Entende? É bem complicado. Tem o preconceito, tem a questão de ser mulher. Mas, enfim, é um trabalho de formiguinha — relatou.

A barreira, porém, não se resume à questão de gênero. A própria psicologia esportiva ainda precisa lidar com preconceitos, já que a profissão muitas vezes é associada à psicologia clínica e à ideia de que procurar um psicólogo significa necessariamente ter algum problema de saúde mental.

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É justamente por isso que explicar a função exercida com os atletas faz parte da rotina de Fabiana. No automobilismo, o trabalho envolve concentração, atenção, treinamento cognitivo e a análise das reações dos pilotos em diferentes situações, como vitórias, derrotas e até o medo de correr.

— Psicologia esportiva é a gente melhorar as habilidades, foco, atenção, é treino cognitivo, é olhar quais são as reações na hora que perde, na hora que ganha. "Ah, tô com medo de correr". Ok, mas por quê? É nessa pegada, entende? É para melhorar as habilidades — explicou.

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A atuação de Fabiana passa principalmente pelo kart, onde trabalha com pilotos e pilotas, mas também alcança profissionais ligados à Porsche Cup. O contato com o automobilismo de alto nível ainda inclui nomes das categorias de Fórmula, como a F1, embora o sigilo profissional impeça a psicóloga de expor detalhes sobre os atletas que atende.

— O problema de ser psicóloga é que é tudo sigiloso. Então, eu já até atendi pessoas muito famosas, mas antigas. E eu não posso postar, porque é sigiloso — explicou.

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Para construir esse espaço, portanto, Fabiana precisa conciliar a condição de mulher em um ambiente predominantemente masculino com a necessidade de mostrar que a preparação mental também é parte do desempenho esportivo. A construção, segundo ela, acontece aos poucos, no contato diário com atletas e profissionais do automobilismo.

De psicóloga a fã de Fórmula 1

A relação com o automobilismo, contudo, não começou no consultório. Fabiana acompanha corridas desde a infância, quando o tio morava em Interlagos e a família conseguia assistir à parte das provas da própria casa, e voltou a acompanhar a Fórmula 1 com mais intensidade há cerca de sete ou oito anos.

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A paixão pela categoria convive com o trabalho profissional e até cria situações curiosas nos fins de semana de corrida. Torcedora de Lewis Hamilton e admiradora de Lando Norris, ela também coleciona histórias de tentativas de chegar mais perto do ambiente da Fórmula 1.

Em uma das ocasiões, foi ao autódromo com a tia e uma prima que queria ver Hamilton, mas as três acabaram impedidas de entrar em uma área por causa da restrição de idade e tiveram que ficar "meio que no meio do mato". Em outras oportunidades, Fabiana contou ter conseguido acessar o paddock por caminhos pouco convencionais, incluindo uma vez em que passou por uma área proibida "só porque estava aberta".

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Fabiana, psicóloga, sorri no GP de F1 em São Paulo, no Circuito de Interlagos.
Fabiana Nascimento é psicóloga esportiva, com especialidade em automobilismo (Foto: Arquivo pessoal)
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