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Bastidores: Fluminense vê saída para crise com Zubeldía, mas teme risco

Diretoria ainda confia no técnico, mas vê riscos na sequência sem vitórias

PorPedro BrandãoRio de Janeiro (RJ)
12/08/2026 14:28
Atualizado há 0 minutos
Luis Zubeldía em pé com braços para trás em frente ao banco do Fluminense em duelo com o Vasco
Zubeldía chegou ao Fluminense em 2025 (Foto: Lucas Merçon/ Fluminense FC)

A situação de Luis Zubeldía no Fluminense passa por um dilema que vai além da análise sobre o trabalho do treinador. A diretoria não considera que o argentino faça um trabalho ruim, tampouco entende que o elenco tenha perdido qualidade. O problema identificado internamente está na sequência de resultados e, principalmente, no impacto que ela passou a ter sobre a confiança da equipe.

O Fluminense chegou a oito partidas consecutivas sem vencer após o empate por 0 a 0 com o Independiente Rivadavia, no Maracanã. São sete empates e apenas uma derrota no período. Ainda assim, alguns desses resultados tiveram peso semelhante ao de um revés pelo contexto, como o empate em casa no jogo de ida das oitavas de final da Libertadores.

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A avaliação nos bastidores é de que o momento ruim passou a se alimentar dos próprios resultados. A equipe não vence, perde confiança, começa a cometer erros que normalmente não cometeria e encontra ainda mais dificuldade para voltar a ganhar.

E é justamente aí que está o principal dilema sobre Zubeldía.

Fluminense acredita que vitória pode mudar cenário

Internamente, existe a convicção de que uma vitória — ou uma pequena sequência positiva — pode funcionar como um ponto de virada.

O entendimento é de que o Fluminense não precisa necessariamente de uma revolução técnica ou tática para voltar a competir em alto nível. A confiança no elenco permanece, assim como a avaliação positiva sobre a capacidade de Zubeldía.

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O empate contra o Rivadavia é usado como exemplo. Mesmo em uma atuação ruim, o Fluminense teve situações para vencer. Hulk recebeu duas bolas em boas condições dentro da área, mas desperdiçou uma e não conseguiu dominar a outra. Thiago Silva também ficou a centímetros de completar uma jogada para o gol.

Isso não significa que o Rivadavia tenha sido dominado. Os argentinos também criaram oportunidades e tiveram momentos melhores na partida. A leitura interna, porém, é de que uma vitória tricolor não teria sido incompatível com o que aconteceu em campo.

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Um resultado positivo poderia produzir justamente o efeito que a diretoria procura: aliviar a pressão, devolver confiança aos jogadores e permitir que a equipe encontre novamente uma sequência.

É nesse ponto que surge a discussão sobre uma eventual troca de treinador. Demitir Zubeldía também pode produzir esse efeito.

Parte da cúpula entende que uma demissão pode provocar um impacto imediato no ambiente, mesmo sem representar necessariamente uma evolução técnica profunda. A mudança poderia chacoalhar o grupo, gerar uma reação nos primeiros jogos e, caso os resultados apareçam, recuperar a confiança perdida.

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A dúvida está no custo dessa decisão. Zubeldía segue avaliado como um bom treinador. Por isso, existe receio de trocar um profissional em quem a direção ainda acredita por alguém que não necessariamente entregará um trabalho melhor.

Uma mudança poderia gerar a vitória que falta para destravar o time. Também poderia não produzir efeito e deixar o Fluminense com um treinador considerado inferior ao atual. Por isso, a decisão é tratada com cautela.

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Sem desespero, diretoria mantém Zubeldía

Apesar da pressão externa e da sequência sem vitórias, não há, neste momento, um cenário de desespero dentro da diretoria. A cúpula de futebol mantém contato constante com a comissão técnica e com os jogadores para entender o que está acontecendo e avaliar quais medidas podem ajudar a corrigir os problemas.

A decisão atual é pela manutenção de Zubeldía para a partida contra o Palmeiras. Internamente, porém, a análise já considera também o jogo de volta contra o Independiente Rivadavia, na Argentina, pela Libertadores.

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O cenário pode mudar de acordo com os próximos resultados e com o comportamento da equipe, mas, neste momento, o argentino permanece no cargo.

Um dos pontos que mais pesam contra uma ruptura imediata é justamente a dificuldade de identificar no mercado um substituto que seja considerado claramente superior. Existe preocupação real em trocar um treinador ainda bem avaliado por um nome que não ofereça garantias de evolução.

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Outro ponto importante na avaliação interna é que não existe ruptura entre Zubeldía e o elenco. Os jogadores ainda confiam no treinador, embora a sequência sem vitórias naturalmente tenha abalado o ambiente. O problema identificado não é de relacionamento, mas de confiança esportiva.

A situação lembra, em certa medida, o processo vivido por Fernando Diniz em sua reta final no clube. O treinador mantinha uma relação forte com o elenco, mas os resultados negativos passaram a desgastar também esse vínculo.

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No futebol, a vitória interfere diretamente na maneira como o jogador enxerga o trabalho. Mesmo um treinador de convivência difícil consegue sustentar o ambiente quando a equipe vence. Da mesma forma, boas relações passam a ser colocadas à prova quando os resultados desaparecem. Com Zubeldía, o elo ainda não foi rompido.

Talvez o ponto que mais preocupe internamente seja outro: ninguém parece ter encontrado ainda uma explicação definitiva para a queda do Fluminense.

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Zubeldía foi questionado após o jogo sobre o rendimento de Savarino e Lucho Acosta, dois dos jogadores mais criativos do elenco, e admitiu não ter uma resposta pronta. Ambos começaram no banco contra o Independiente Rivadavia.

O diagnóstico também escapa aos próprios jogadores. Hulk reconheceu depois da partida que vem tomando decisões técnicas abaixo do que costuma apresentar e que não consegue explicar completamente por que determinados lances, antes naturais em seu jogo, deixaram de funcionar.

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O mesmo aconteceu coletivamente. Martinelli, outra referência técnica da equipe, teve atuação muito abaixo do nível habitual. Erros de passe, domínio e tomada de decisão se acumularam ao longo da partida, o que reforça a leitura de que a confiança se tornou parte central do problema.

Zubeldía segue pressionado. A confiança da diretoria já não é a mesma de outros momentos, mas também não desapareceu. O clube acredita no treinador, acredita no elenco e acredita que uma vitória pode mudar rapidamente o ambiente.

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A grande questão é definir qual caminho oferece a melhor chance de encontrá-la e se isso passa ou não por uma ruptura com a atual comissão. Por enquanto, a resposta do Fluminense é não.

Zubeldía no banco do Fluminense
Luis Zubeldía, técnico do Fluminense (Foto: Lucas Merçon/ Fluminense FC)

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