Um Flamengo de dois tempos e o preço alto das chances perdidas no Mineirão
Rubro-Negro dominou o primeiro tempo, mas caiu muito de rendimento na segunda etapa
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A bola pune. E puniu o Flamengo no Mineirão. Após eliminar o Cruzeiro na Libertadores, o time de Leonardo Jardim voltou a enfrentar o adversário em Belo Horizonte e teve o jogo nas mãos durante o primeiro tempo. Faltou transformar a superioridade em gols. Depois do intervalo, aconteceu o oposto: o Cruzeiro cresceu, empurrou o Rubro-Negro para trás e aproveitou a queda brusca de intensidade para buscar a virada. No fim, uma derrota que entra na lista dos pontos perdidos.
O resultado ganha peso principalmente pelo momento do Brasileirão. Depois de diminuir uma diferença considerável para o líder Palmeiras, o Flamengo tinha a oportunidade de assumir, ainda que momentaneamente, a ponta da tabela. Não conseguiu. Agora, terá de torcer para o rival Vasco, que enfrenta a equipe paulista neste domingo, para evitar que a distância volte a aumentar.
E a principal lição deixada pelo Mineirão é uma das mais antigas e letais regras do futebol: quem não faz, leva.
Primeiro tempo de domínio, mas sem o capricho necessário
O Flamengo fez um primeiro tempo muito forte. Assim como havia acontecido na primeira etapa do confronto da última quarta-feira, no Maracanã, a equipe de Jardim foi superior ao Cruzeiro em intensidade e criatividade. O problema esteve na última decisão.
Pelo volume criado, o cenário era de um placar que poderia ter sido bem mais confortável para os visitantes. Chances claras foram desperdiçadas, e o time deixou o adversário vivo em um jogo que, naquele momento, parecia controlado.
Pedro, que marcou o gol do time carioca, esteve entre os jogadores que tiveram oportunidades e não conseguiram converter. O camisa 9 perdeu chances que normalmente não costuma desperdiçar, algo que chama ainda mais atenção pela qualidade e pela efetividade que se espera de um jogador com suas características.
O próprio Jardim apontou o capricho nas finalizações como um dos fatores para a derrota.
— Trabalhamos finalização toda semana para ser mais eficaz. Somos a equipe que mais cria, mas queremos ser mais contundentes. Poderíamos ter feito mais gols e resolvido o jogo — avaliou o treinador.
O diagnóstico do treinador resume uma parte importante da partida: o Flamengo criou condições para resolvê-la, mas não resolveu quando teve a oportunidade.
O segundo tempo mostra uma queda preocupante
Se o primeiro tempo foi de domínio rubro-negro, a segunda etapa teve um roteiro completamente diferente. O time voltou muito abaixo, principalmente em intensidade. A mudança aparece até nos números: o Cruzeiro finalizou sete vezes no primeiro tempo e 17 no segundo. Foram dez chutes a mais após o intervalo, uma diferença que evidencia a mudança de cenário no Mineirão.
A equipe mineira passou a ter muito mais volume, enquanto o Flamengo perdeu o controle que havia apresentado antes do intervalo.
E não se trata de um fato isolado. A diferença entre os dois tempos também chama atenção porque o comportamento se repete poucos dias depois do confronto pela Libertadores. Naquela partida, o Rubro-Negro também apresentou um primeiro tempo de grande intensidade e caiu de rendimento na segunda etapa. Desta vez, o preço foi mais alto.
Jardim citou a falta de maturidade da equipe com a bola e classificou alguns erros como infantis.
— Não tivemos a maturidade de segurar a bola. Demos uma transição e o gol ao adversário. Que isso sirva de exemplo. Não podemos entrar tão bem no jogo, ser dominantes e deixar o adversário reagir.
O treinador também falou sobre a necessidade de reduzir o volume ofensivo dos adversários.
— Nosso objetivo é evitar o número de chutes do adversário. Muitas equipes têm feito grandes gols contra nós. Às vezes, é difícil defender essas situações. O objetivo é defender melhor. O goleiro e toda a gente. Saltar na pressão, não ser driblado. Ser mais efetivo para que isso não aconteça.

Os 17 chutes do Cruzeiro no segundo tempo ajudam a explicar a preocupação.
Jogadores abaixo e mudanças sem o efeito esperado
Além da queda coletiva, alguns jogadores ficaram devendo. Carrascal, Paquetá e Bruno Henrique não conseguiram repetir o nível esperado, enquanto algumas alterações feitas durante a partida também não surtiram o efeito desejado.
O resultado foi um Flamengo cada vez menos intenso, com menos criatividade e dificuldade para retomar o controle do jogo. O contraste com o primeiro tempo foi grande demais. O time que havia pressionado, criado e dominado o Cruzeiro passou a permitir que o adversário assumisse o protagonismo. E, diante de uma equipe de qualidade, a margem para sustentar esse tipo de queda é pequena.
Pontos que podem fazer falta
A derrota não muda o fato de que o Cruzeiro é um grande adversário e de que vencer no Mineirão seria um desafio. Ainda assim, o contexto da partida faz o resultado pesar mais para o Flamengo. O jogo estava à disposição. O time criou chances para construir uma vantagem importante, não aproveitou e deixou o rival crescer. No Brasileirão, são justamente esses pontos que podem fazer diferença mais à frente.
Depois de reduzir uma distância significativa para o Palmeiras, o Rubro-Negro tinha a chance de chegar ao topo da tabela, mesmo que provisoriamente. Agora, depende de um resultado favorável do Vasco neste domingo para que o líder não volte a abrir vantagem.
No futebol, a conta costuma chegar rápido para quem desperdiça oportunidades. E, neste sábado, chegou para o Flamengo.
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