Com receita abaixo do orçado, Flamengo precisará de crédito para reforços de peso
Clube teve baque no caixa com descasamento de previsões de compra e venda de atletas, além de negociação frustrada dos 'naming rights' do Maracanã

Enquanto a torcida do Flamengo sonha com reforços de peso como Almada e Luiz Henrique, a diretoria do clube tenta ajustar suas previsões para adequar a expectativa das arquibancadas à realidade atual. Os resultados de 2025 impressionaram e, de certa forma, tornaram mais difícil de enxergar que os números deste ano poderiam ficar bem distantes do anterior. Além da ausência das gordas receitas da Copa do Mundo de Clubes da Fifa e das premiações pelos muitos títulos no ano passado, outros baques financeiros entram na conta e tornam obrigatórios ajustes para comportar novas contratações de grande porte. Há necessidade de buscar crédito no mercado para concretizar a chegada de reforços de peso.
Os números do segundo trimestre estão ainda sendo fechados e devem seguir para aprovação até a próxima semana. Caso não ocorra uma revisão no orçamento, o clube poderá apresentar resultado negativo no fim do ano — o que não quer dizer que vá estourar seu planejamento ou se endividar além da conta. O Flamengo conta com uma estrutura financeira que lhe proporciona uma boa camada de gordura entre as despesas e receitas recorrentes, sem depender tanto quanto rivais como o Palmeiras de venda de jogadores. Mas, ainda assim, a cautela se faz necessária ao avaliar aportes para trazer jogadores do quilate de Almada e Luiz Henrique.
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Clube tinha acordo encaminhado com banco
Duas questões financeiras se concentram no Maracanã. O clube tinha um acordo muito bem encaminhado com o NuBank para a venda dos "naming rights" do estádio (o direito de atrelar uma marca ao nome da arena). Mas, em cima da hora, o banco decidiu que o mercado paulista era mais atrativo para o seu setor e fechou com a WTorre para dar nome ao estádio do Palmeiras, além do acordo para dar nome à arena do Inter Miami. O contrato com os rubro-negros giraria em torno dos R$ 55 milhões anuais.

Soma-se a isso um desempenho aquém do esperado em geração de receitas com o estádio. Há um déficit entre o que estava previsto e o que vem sendo entregue, fato agravado por situações como, por exemplo, a paralisação do futebol em função da Copa do Mundo nos EUA, Canadá e México, algo que se repetirá em 2027 com a paralisação por conta da edição feminina no torneio que acontecerá em solo brasileiro.
Em outra frente, há um descasamento nas previsões para venda de jogadores e contratações. O clube já se programava com 35 milhões de euros (R$ 205 milhões) estipulados para venda de ativos e 25 milhões de euros (R$ 146 milhões) para gastar em reforços. Só que, com os impostos na conta, 50 milhões de euros (R$ 293 milhões) já foram gastos com a contratação de Lucas Paquetá no início do ano. E o clube, até o fechamento do primeiro trimestre, só havia arrecadado cerca de 8 milhões de euros (R$ 47 milhões) com as transferências de Juninho, Victor Hugo e Iago.
Em uma conta simples, o clube gastou cerca de R$ 293 milhões com Paquetá e arrecadou R$ 47 milhões com a venda de atletas. Somando a receita de "naming rights" que não entrou, já há um déficit no caixa de cerca de R$ 300 milhões — sem entrar em oscilação de receitas de estádio e folha salarial — a ser ajustado. A postura da diretoria em não liberar nomes considerados importantes para o elenco contribui para a dificuldade em arrumar a casa.
Flamengo ajusta pagamento de comissões
Não por acaso, o clube precisou remanejar pagamentos de comissões a agentes de jogadores para manter um fluxo de caixa saudável. E, mesmo com todas essas questões, a avaliação dos responsáveis pelas finanças do clube é de que, de fato, a situação não preocupa. O clube tem margem para endividamento sem comprometer suas operações e obrigações orçamentárias, mas é necessária cautela no momento para que o planejamento seja realista.

Um ponto positivo é o aumento do valor dos patrocínios no uniforme da equipe profissional, o que ajuda a aliviar o caixa. Ao explicar a situação da comissão dos agentes, o presidente do clube, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, também comentou a oscilação de receitas no Maracanã durante anúncio oficial de homenagens a Arrascaeta e Bruno Henrique, antes da partida contra o São Paulo, no último domingo.
— Cai sócio-torcedor, cai renda de jogo. Você tem um faturamento de X e cai 25% durante a Copa do Mundo. Eu acho que é na alegria e na tristeza. Se tenho um hit (impacto) desses, que é temporário, eu acho que é razoável que todo mundo que está comigo no barco tenha esses 25% e 30% de problema durante um tempo. Não é para o ano que vem e não foram todos; você tem acordos diferentes com cada um desses caras.
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