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Análise: Jorginho, do Flamengo, segue passos de Filipe Luís e mostra vocação para ser técnico

Volante exerce papel de liderança dentro de campo e já admitiu ter uma vocação para a carreira de treinador

PorLucas Bayer•Rio de Janeiro (RJ)
25/09/2026 06:00

Uma foto de Jorginho ao lado de Saúl poderia passar despercebida para quem não conhece a trajetória dos dois. Mas há um detalhe curioso: a imagem mais recente, no Flamengo, parece uma repetição de outra registrada anos atrás, quando os dois ainda estavam no Chelsea. Nas duas, o brasileiro dá instruções ao espanhol, orienta seu posicionamento e exerce um papel que vai além daquele esperado de um jogador.

O tempo passou, os clubes mudaram, mas uma característica permaneceu. Jorginho continua parecendo um treinador dentro de campo. E, nesse aspecto, a comparação com Filipe Luís se torna inevitável.

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Momentos de Saúl e Jorginho em Chelsea e Flamengo
Momentos de Saúl e Jorginho em Chelsea e Flamengo (Foto: Divulgação/Chelsea e Flamengo)

Desde que chegou ao Flamengo, em 2019, o ex-lateral já carregava essa característica. Orientava companheiros, discutia posicionamentos, antecipava situações e participava do jogo como alguém que enxergava a partida de uma perspectiva diferente. Não era apenas um jogador experiente: havia nele uma vocação para comandar.

Hoje, já como treinador, Filipe Luís é a prova de que aquela característica não era apenas uma impressão. Jorginho parece seguir por um caminho parecido.

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O "algo natural" que Jorginho já identificava

O mais interessante é que isso não surgiu agora. Quando foi apresentado pelo Flamengo, no meio do ano passado, Jorginho foi questionado sobre a possibilidade de se tornar treinador. A resposta, naquele momento, chamou atenção justamente porque ele já reconhecia dentro de si algo que hoje fica cada vez mais evidente.

"É algo que vem se desenvolvendo muito dentro de mim e sempre senti que tinha esse 'algo natural' para seguir essa carreira."

Jorginho durante partida do Flamengo
Jorginho durante partida do Flamengo (Foto: Adriano Fontes/Flamengo)

Jorginho explicou que já havia começado a fazer qualificações e que teve uma experiência treinando garotos de 13 e 14 anos. Gostou. Mas também deixou claro que não era algo para o presente. E não é.

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O volante não pensa em aposentadoria agora. Pelo contrário. Foi campeão da Libertadores e do Brasileirão pelo Flamengo e se tornou uma peça fundamental da equipe de Leonardo Jardim.

A questão é que, enquanto continua sendo jogador, seu comportamento já oferece pistas sobre o que pode fazer quando chegar o momento de pendurar as chuteiras.

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"Ele é um treinador dentro do campo"

Se a comparação com Filipe Luís poderia ser tratada apenas como uma percepção, Emerson Royal, companheiro de Jorginho no Flamengo, tratou de dar um peso diferente à discussão.

Em entrevista ao podcast "Pod Boa", o lateral contou como Jorginho interfere diretamente no posicionamento dos companheiros durante as partidas.

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"Irmão, ele posiciona todo mundo. 'Royal, tá muito alto, baixa um pouco mais, o cara tá te pressionando'. E assim, tipo, tá aqui, aí a bola tá, o jogo tá rolando, aí ele já pega, já toca, já posiciona."

Jorginho durante partida do Flamengo
Jorginho durante partida do Flamengo (Foto: Mauro Pimentel/AFP)

Royal relatou que Jorginho também lê as circunstâncias da jogada e questiona decisões tomadas pelos companheiros. Em determinado jogo, por exemplo, o volante cobrou o lateral por um passe que, na avaliação dele, colocaria Luiz Araújo em uma situação ruim.

"Ele já está lendo o porquê do seu posicionamento, se você vai ter a vantagem ou não na jogada. Ele é um treinador dentro do campo", resumiu Royal.

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A declaração encaixa perfeitamente no que se vê em campo.

No gol de Pedro contra o RB Bragantino, Jorginho não foi apenas o jogador que apareceu para finalizar a cobrança de escanteio. Antes da bola ser colocada em jogo, ele sinalizou para Arrascaeta, indicando o primeiro pau. O uruguaio respondeu com um gesto e Jorginho confirmou com o sinal de positivo.

Na sequência, o escanteio foi cobrado no local indicado. Jorginho desviou e Pedro marcou. É um pequeno detalhe, mas representa muito do jogador que ele se tornou.

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Até ao lado de Jardim

A postura também aparece longe da bola rolando. Durante a parada técnica na vitória por 1 a 0 sobre o Estudiantes, pela Libertadores, em maio deste ano, Jorginho apareceu ao lado de Leonardo Jardim, dando instruções a Carrascal.

A cena ajuda a explicar por que a comparação com Filipe Luís ganha força. O ex-treinador do Flamengo também era esse jogador que participava ativamente da organização da equipe, conversava com companheiros e parecia enxergar o jogo alguns passos à frente.

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Jorginho ainda está do outro lado da linha. É jogador. E, neste momento, um jogador importante para o Flamengo. Mas os sinais estão espalhados.

Da transmissão para o campo, e do campo para o futuro

Durante a Copa do Mundo deste ano, Jorginho também experimentou outro ambiente que exige leitura de jogo: foi comentarista da "GeTV".

A experiência reforçou uma característica que já aparece no gramado. Fora dele, também demonstrou conhecimento e capacidade de interpretar situações da partida. Depois, resumiu a experiência:

"Foi uma experiência muito bacana. Eu gosto de aprender e viver experiências diferentes. Foi algo muito positivo para mim."

Talvez seja cedo para falar em sucessão ou em aposentadoria. E seria errado transformar uma característica em uma certeza sobre o futuro. Mas Filipe Luís mostra que esse caminho existe. Aliás, Filipe também foi comentarista em Copa do Mundo (2022).

Jorginho e Filipe Luís como comentaristas
Jorginho e Filipe Luís como comentaristas (Foto: Reprodução)

Ele foi campeão pelo Flamengo como jogador, construiu uma trajetória vencedora como treinador e hoje dá os primeiros passos da carreira na Europa. Jorginho, enquanto isso, ainda tem muito a viver dentro das quatro linhas e não demonstra pressa para sair delas.

Só que existe algo que parece acompanhar o ítalo-brasileiro desde muito antes de vestir a camisa do Flamengo.

O "algo natural" de pensar o jogo, orientar companheiros e, de certa forma, comandar.

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