O sonho adiado de Hugo Souza: a dor que vira impulso no Corinthians
Camisa 1 reage à frustração da convocação e transforma o momento em motivação

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O goleiro Hugo Souza ficou de fora da convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo. O anúncio foi feito pelo técnico Carlo Ancelotti no dia 18 de maio, no Museu do Amanhã. Após a decepção, o arqueiro do Corinthians virou a página e já começou a pensar no próximo ciclo: 2030.
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Na disputa por uma vaga na Copa do Mundo, a expectativa era de que Hugo Souza concorresse com Alisson, Ederson e Bento. No entanto, Carlo Ancelotti surpreendeu e convocou Weverton, do Grêmio, para a competição.
Hugo Souza esteve presente em quatro das cinco listas de Ancelotti, tendo sido titular na derrota do Brasil para o Japão por 3 a 2. O atleta conquistou a confiança do treinador italiano, principalmente por conta do destaque conquistado por defender pênaltis em diversas ocasiões. Esse, inclusive, pode ser algo para que o goleiro se agarre e passe a pensar na próxima Copa do Mundo.
— Eu acredito que o Hugo seja um bom goleiro, mas ele ainda vive algumas alternâncias naturais da posição e da idade. Tem jogos em que faz defesas milagrosas e, em outros momentos, acaba sofrendo gols que a gente não espera. Acho que isso passa muito pela maturidade e pela experiência, que chegam com o tempo. Em alguns lances, principalmente nas saídas do gol e cruzamentos, ele ainda arrisca um pouco mais. Mas vejo um goleiro de muito potencial, dentro de um processo de evolução, até por tudo o que ele já passou na carreira. Se continuar amadurecendo, pode sim se consolidar entre os principais goleiros brasileiros — disse o comentarista da ESPN e ex-jogador do Corinthians, Zé Elias, em exclusividade ao Lance!.
Outro nome da história do Corinthians e que também atua como comentarista é Fábio Santos. O ex-lateral destacou o apoio interno e como o Corinthians pode ser um parceiro nessa retomada do Hugo Souza.
— A frustração é totalmente normal nesse momento. Uma Copa do Mundo acontece a cada quatro anos, e o Hugo estava muito próximo dessa disputa por uma vaga. Então, naturalmente, cria-se uma expectativa muito grande. É uma decepção que faz parte da carreira do jogador, e ele precisa viver esse momento. Mas o futebol também exige recuperação rápida. Tenho certeza de que ele vai receber o apoio dos companheiros, dos funcionários do clube e de todo o ambiente do Corinthians, mas isso também passa muito por um trabalho pessoal, junto do staff e da família, para voltar a concentrar todas as forças no clube. O Hugo é muito jovem, tem talento e está em uma equipe gigantesca. Ele mesmo já falou que há pouco tempo estava praticamente sem espaço e hoje já é cogitado na Seleção Brasileira. Então, apesar da frustração, vejo um futuro muito grande pela frente e acredito que ele tem totais condições de entrar forte em um novo ciclo, pensando nas próximas Copas — comentou.
— O apoio do torcedor é essencial nesses momentos, porque quanto mais o jogador se sente querido e abraçado, mais fácil fica para manter o foco e a concentração no clube. E o torcedor corintiano sempre demonstrou esse carinho pelo Hugo desde a chegada dele. É um jogador com o qual a torcida se identifica muito, porque realmente vestiu a camisa. Então, acho que ele não precisa se preocupar com isso, porque o corintiano sempre apoiou em todos os momentos — finalizou.

Como o clube pode ajudar no lado emocional?
O técnico Lisca, um dos profissionais do futebol que defendem o trabalho emocional com os atletas, ressaltou a trajetória do camisa um, destacou a experiência acumulada ao longo da carreira e afirmou que a situação pode servir como combustível para evolução no clube.
— O Hugo Souza é um goleiro muito experiente, começou num grande clube como o Flamengo. Já teve conquistas, já teve status, já teve notoriedade e, ao mesmo tempo, já teve frustração também. Não foi aquele goleiro que teve sequência no clube onde surgiu. Foi para clubes menores, teve que percorrer um caminho difícil, já aprendeu bastante com a dor, nas dificuldades. Geralmente você amadurece, você cresce. O Hugo é um goleiro jovem, como você falou, tem muita perspectiva pela frente. Já estava nessa pré-lista entre os seis. Tem que ficar atento também, porque ainda tem tempo para a Copa do Mundo. Pode acontecer alguma coisa com algum dos goleiros e ele entrar também de última hora, de última chamada. Mas o lado emocional do jogador está sempre sendo trabalhado, ainda mais num clube como o Corinthians. E usar como combustível, porque, quando você está muito próximo, você está chegando no final da festa, e o Hugo esteve muito próximo e tenho certeza que ele vai trabalhar bem esse lado e vai transformar em motivação positiva para a sequência do trabalho dele — disse o treinador em exclusividade.
O treinador também destacou que o momento exige equilíbrio para transformar a frustração em motivação e reforçou a importância de lidar com as expectativas dentro do futebol de alto nível.
— Tudo na vida tem os dois lados, o lado positivo e o lado negativo. Como você encara, como você reage às situações que aparecem? Geralmente, não só no futebol como na vida, não são 100% aquilo que você tinha como expectativa, que você imaginava. No momento da pausa, a pergunta já diz: os dois caminhos, o caminho de uma motivação, de um combustível extra para uma sequência de novo ciclo, como eu já falei na pergunta anterior, de motivação no dia a dia, de estar muito próximo do objetivo. E tem o lado negativo, que é aquele jogador que se abate, que sente, que acaba se desmotivando, que acaba não pagando o preço da preparação, do treinamento. Hoje é mais difícil, ainda mais um goleiro do nível dele, no clube que ele está. O Corinthians não deixa de ser uma seleção também. Hoje ele é uma referência forte. Eu acho que ele vai buscar o que faltou, talvez um pouco mais de regularidade, um pouco mais de experiência, serenidade. Acho que tudo isso vai vir também com esse revés emocional, vamos dizer assim, esse revés, que eu não acredito, porque o profissional do nível dele está acostumado tanto com o sucesso como com o fracasso, entre aspas, porque dizer que é um fracasso estar numa pré-lista da seleção e não ir é um pouco forte também. Ele está entre os seis principais goleiros e acho que ele vai usar isso como um combustível positivo — seguiu.
Lisca também comentou sobre o papel da comissão técnica no processo de ajudar os atletas a lidar com frustrações e momentos de decepção na carreira.
— O papel da comissão técnica é tranquilo nesse momento. É valorizar bem a pré-convocação, a possibilidade de ele estar ali entre os seis principais goleiros, que são coisas do nosso cotidiano. No momento da pausa, você está numa lista, você não está, claro que é uma Copa do Mundo. Mas o treinador valoriza isso, valoriza a participação dele no clube, no caso, o Corinthians. Incentivá-lo também a evoluir, a passar por cima das dificuldades, a usar como combustível, como a gente já falou positivamente nas duas primeiras questões, dar maturidade, dar resiliência, e ele evoluir também no aspecto técnico, no aspecto tático, no aspecto físico. Sempre que você chega próximo e não conquista, alguma coisa faltou. Não ficar culpando ninguém, não ficar procurando justificativas. Eu acho que é isso que a comissão técnica tem que fazer. Mostrar para ele esse caminho — apontou Lisca.
O futuro é no Corinthians?
Até o momento, o Corinthians recusou duas ofertas por Hugo Souza. A primeira aconteceu no ano passado, quando o Milan tentou sua contratação.
Neste ano, o Beşiktaş ofereceu 10 milhões de euros (cerca de R$ 61,5 milhões, na cotação atual) pelo jogador alvinegro, mas o clube paulista optou por mantê-lo. Em novembro de 2024, o Corinthians acertou a compra de Hugo Souza junto ao Flamengo em uma operação de R$ 4,8 milhões.
— Isso é algo muito pessoal e que depende de vários fatores (possível saída). No Corinthians, ele pode construir uma grande história, porque vive um ambiente de confiança e protagonismo. Mas, se surgir uma oportunidade na Europa, também é compreensível pensar em sair, porque o futebol hoje envolve muitas questões além do campo. Existe a visibilidade internacional, a questão financeira, além de fatores como tranquilidade e segurança, que acabam pesando bastante para muitos jogadores. Acho que essa decisão passa muito pelo atleta, pelos empresários e pelo staff, avaliando o que é melhor para o futuro dele — explicou Zé Elias.
O próprio goleiro Hugo Souza chegou a abordar o tema. Em entrevista após a derrota para o Botafogo, pelo Campeonato Brasileiro, o camisa um negou um possível acordo com a diretoria para deixar o clube na próxima janela.
— Estou aqui para cumprir o meu contrato e, até quando estiver aqui, foi dar o meu melhor pelo clube. Vi que essa semana saíram várias coisas sobre ter acordo para sair, ter conversa para sair, mas não tem nada. Existem notícias, saem coisas que acabam colocando a torcida contra o jogador. A gente sai de ingrato, a torcida fica chateada, vai e nos xinga. Eu nunca falei nada, nunca abri minha boca para falar que vou embora, que vou ficar, nunca falei nada — afirmou.
— Sou um jogador que estou trabalhando e dando meu melhor pelo clube. O meu trabalho vai chamar a atenção, é normal e comum que cheguem propostas. Quando tiver alguma coisa, a gente senta, conversa e vê o que tem. Quero acalmar o torcedor porque não tem proposta, não tem nada acontecendo. Da minha parte, é fazer pelo clube o meu melhor até o último dia em que eu estiver aqui — completou.

Números de Hugo Souza
Em 2026, Hugo Souza manteve protagonismo absoluto no gol do Corinthians. Em 30 partidas como titular, o goleiro acumulou 13 jogos sem sofrer gols e média de 0,8 gol sofrido por jogo. No período, registrou 2,4 defesas por partida, com 1,2 intervenções em finalizações dentro da área e 74% de aproveitamento nas defesas. Além disso, defendeu quatro pênaltis, teve 68% de acerto no passe e 31% nas bolas longas, alcançando nota média de 6,84 no Sofascore.
No recorte geral pelo Corinthians, Hugo soma 120 jogos como titular, com 51 clean sheets e média de 0,9 gol sofrido por jogo. O goleiro acumula 2,7 defesas por partida e 1,4 em chutes dentro da área, com 75% de eficiência nas defesas. São 14 pênaltis defendidos no total, além de 68% de acerto no passe e 36% nas bolas longas. A nota média no Sofascore é 7,04 ao longo da passagem pelo clube.
Apoiado nos números e no apoio da torcida, Hugo Souza segue com esperança de convocação para a Copa do Mundo de 2023. O próprio jogador chegou a divulgar, nas redes sociais, o momento em que ficou sabendo que não foi convocado e afirmou que usará os próximos momentos como combustível para o futuro.
— Acho que é comum a gente compartilhar quando as vitórias vêm, quando as coisas acontecem da forma que a gente imagina, mas eu fiz questão de mostrar um pouco da realidade também do que são os nãos que a caminhada oferece. Até botei na minha legenda porque faz parte da nossa vida, não só no futebol, mas na vida de todo mundo. A vida não é feita só de vitórias — disse.
Então esse foi o intuito de compartilhar um pouco dessa dor, mas uma dor que vai servir de combustível daqui pra frente para que eu possa continuar fazendo meu trabalho, dar o melhor pelo Corinthians sempre. Para que o clube chegue onde deve chegar, conquiste o que tem que conquistar e, através disso, eu conquiste meus objetivos pessoais também. Porque, se o clube ganhar, eu ganho — completou.
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