'Você quer se sentar na mesa em que há poder e influência', diz Textor sobre entrada de Botafogo na Libra
Novo dono do Alvinegro explicou mais uma vez os motivos da entrada na Liga de Clubes

O acionista majoritário da SAF do Botafogo, John Textor, explicou mais uma vez os motivos que o levaram a assinar a adesão do clube à Libra (Liga Brasileira de Clubes). Em entrevista ao portal 'Globo Esporte', ele explicou que quer ver o Glorioso sentado na mesa dos gigantes do futebol brasileiro.
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- Acho que, da perspectiva do Botafogo, estamos sendo perguntados: você gostaria de sentar-se à mesa com os maiores clubes do Brasil, os que provavelmente continuarão a ser líderes, as grandes marcas do país, quando as pessoas pensam em futebol brasileiro? Quando a Premier League começou, imagina se o Crystal Palace fosse perguntado: você prefere ser o menor clube do Big Six ou o maior clube de um grupo de 14? A decisão é óbvia. Você quer se sentar na mesa em que há poder e influência. Não é o exemplo perfeito, porque o Botafogo em si é um clube grande e muito bem-sucedido, com grandes campeões, um clube que todo mundo sabe que é um gigante adormecido. É apropriado estar à mesa com os grandes clubes no Brasil.
Textor ainda explicou que não fez nenhuma exigência especial aos integrantes da Libra (os paulistas na Série A, Flamengo, Vasco, Cruzeiro e Ponte Preta) para se decidir pela entrada.
– Eu já vi na imprensa que eu fiz demandas, e isso não é verdade. A palavra 'demanda' é muito forte. Fomos convidados para uma fraternidade de clubes, e todo mundo tem algo para trazer à mesa. Existe uma diversidade incrível no modelo de propriedade, alguns clubes são privados, como o Bragantino, alguns são associações civis. Entre os presidentes dessas associações, existe uma grande diversidade em relação às experiências deles, eles têm excelentes currículos. Então eu cheguei apenas como uma pessoa que se sentou à mesa.
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O estatuto da Liga prevê que 40% da receita seja dividida igualmente entre todos os participantes da competição, 30% de acordo com performance e outros 30% por engajamento. Esse último item é definido por critérios como média de público no estádio, base de assinantes de pay-per-view, número de seguidores e engajamento em redes sociais, audiência na televisão aberta e tamanho da torcida.
O Forte Futebol, grupo formado por 23 clubes das séries A e B, que se reunirão na segunda-feira (16), no Rio de Janeiro (RJ), é contra alguns desses critérios de engajamento. E quer que seja reproduzida a divisão adotada na Premier League, da Inglaterra: 50% igualmente, 25% por performance e 25% da receita nos critérios de engajamento, que poderia ser rediscutida adiante.
O objetivo do Forte Futebol é reduzir a distância de receitas entre o último colocado e o campeão em no máximo 3,5 vezes. Pelo estatuto da Libra, essa diferença pode chegar a seis vezes.
Há discordância também em relação à Série B. No estatuto dos fundadores, há cláusulas que repassam de 15% a 20% do total arrecadado para a competição, isso em caso de queda de grandes. Os clubes da segunda divisão, contudo, querem 25% do bolo e parte do total ganho com direitos de TV.
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- Na fórmula, não tenho certeza sobre como ela está agora, mas do jeito que ela começou, com 40-30-30… 40% para dividir igualmente, 30% baseados em performance e 30% em engajamento dos fãs. A única coisa que tentei dizer é: agora, e com o tempo, porque essa fórmula será usada por tantos anos, será incrível se as regras forem colocadas para incentivar certos tipos de comportamentos, aqueles que ajudarem todo mundo. Sim, essa fórmula é muito pensada em relação ao passado, em quem traz valor. Sim, Flamengo, Corinthians e Palmeiras merecem isso. Mas também é muito sobre o futuro. Você quer as pessoas que estão agora, e os investidores que ainda vão entrar nessa equação, você quer que eles invistam de uma maneira que ajude todo mundo - justificou Textor.
- Em vez de ter essas métricas difíceis de medir, fáceis de manipular, como seguidores em redes sociais, esse tipo de coisa, acho que isso pode gerar consequências ruins no futuro. O que interessa é quem traz atenção para o jogo. Torcedores importam, torcedores que torcem de verdade. Audiências de televisão importam, que são medidas de maneira muito precisas no mundo. Streaming importa. Quais clubes estão fazendo o melhor trabalho para trazer atenção ao todo da liga brasileira? Isso deve ser recompensado, porque é assim que temos de incentivar até os clubes pequenos a conseguir investidores. O mundo está mudando, o Brasil também. Queremos dizer: isso é o que todos devem buscar, e as regras de como distribuímos o dinheiro te dizem como se comportar. Eu só sugeri que não olhemos tanto para as fórmulas pensando em onde estamos agora, mas que incentivem onde queremos estar no futuro - completou o dono do Alvinegro.
TABELA
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