Bruno Cassucci, Bernardo Cruz e Igor Siqueira
21/08/2016
07:10
Rio de Janeiro (RJ)

Ele não era nem para estar ali, à beira do campo, no que dependesse dos planos originais da CBF. Mas esse baiano com espírito de mineiro foi comendo pelas beiradas, ganhando respeito pelo trabalho feito e conseguiu o que badalados antecessores não conseguiram. Rogério Micale entrou para a história por ser o técnico campeão olímpico com a Seleção Brasileira.

- Hoje sou um felizardo, é o momento mais importante da minha vida - confessa o treinador.

Micale chegou à CBF meio de supetão, em maio de 2015, substituindo Alexandre Gallo. E também foi em cima da hora que recebeu a incumbência de treinar o time olímpico: dois dias antes de enviar a pré-lista de 35 nomes, para ser mais exato, já que Dunga fora demitido.

De cara, conseguiu transformar da água para o vinho uma Seleção sub-20 que tinha passado perrengue e jogado mal no Sul-Americano da categoria. O time acabou vice-campeão mundial, mas jogando um futebol vistoso, com características que viriam a ser reproduzidas no time campeão olímpico: atacantes de mobilidade, defesa com marcação adiantada, a procura por um toque de bola mais refinado.

Mas antes de ser Rogério Micale, o campeão olímpico, ele foi Aranha, goleiro de times de Londrina, como o próprio clube homônimo. A carreira foi mais rápida que uma arrancada do Neymar. Logo resolveu virar professor. Aquele que ensinava garotos no Paraná hoje conduziu um time ao topo mais alto do pódio.

- Entrei da forma que entrei, passei pelo que passei, e nos momentos mais difíceis quem me sustenta são minhas filhas, minha mulher. Chorei muito no momento do título, abracei as pessoas do meu lado... Passo um filme na minha cabeça, lugares que trabalhei,dificuldades que tive... Dedico isso a minha mulher Silvana, filhas Caroline, Natália e Silvana. Fiz aniversário de casamento e não pude comemorar, disse que as bodas de prata seriam de ouro - contou o treinador, lembrando da família após a conquista.

Medalha conquistada. Beleza. Mas e agora?

- Não tenho ideia do que isso vai gerar na minha carreira, mas pretendo continuar trabalhando, como sempre fiz. Vou continuar trabalhando, não sei o que o futuro me reserva. Continuarei com a minha forma de trabalho e de fazer futebol - disse o treinador campeão.

Ficando ou não à frente da Seleção sub-20, fato é que Micale já fez história. E deu uma contribuição imensa ao futebol nacional, passando por um início de campanha conturbado - com empates sem gols com África do Sul e Iraque -, mas concluindo-a com louvor, faturando o ouro no Maracanã.