Hipismo - Doda Miranda

Doda lamentou o fato do Brasil disputar a final por equipes com apenas três conjuntos (Foto: AFP/JOHN MACDOUGALL)

Bernardo Cruz
17/08/2016
14:05
Rio de Janeiro (RJ)

A quinta colocação da Seleção Brasileira de hipismo na final por equipes deixou quente as entrevistas pós-competição. Tudo começou na zona mista do Centro de Hipismo de Deodoro, local onde ocorrem as provas da modalidade nos Jogos Olímpicos. Álvaro de Miranda Neto, o Doda, concedia entrevista sobre o desempenho do anfitrião na prova decisiva.

Questionado se a ausência de Rodrigo Pessoa, principal nome do hipismo brasileiro e que não está disputando os Jogos por não aceitar a condição de reserva, fez falta em um momento de decisão, Doda afirmou que o companheiro poderia manchar seu nome se tivesse competido em casa com sua égua Cadjanine.

- Com o cavalo que ele tinha nem chegaria hoje. Ele poderia fazer várias faltas. Não tinha nenhuma condição e poderia até passar vergonha. Um cara que nem ele, um craque, necessita de um cavalo à altura e acredito que na atual condição poderia derrubar do primeiro ao último obstáculo. A sorte dele foi não ser convocado, pois poderia ser muito ruim para o nome dele - afirmou o brasileiro, que também elogiou o quinto lugar brasileiro, dada as condições de competir a final com apenas três conjuntos (Stephan Barcha foi eliminado).

- A equipe teve um resultado muito bom. É claro que para ser excelente teria que conquistar uma medalha, mas fica a sensação que fizemos o máximo. Tivemos a infelicidade de entrar apenas com três conjuntos, o que complica muito em uma final por equipes. Mas os cavalos saltaram bem e deixa uma boa sensação para a disputa de medalha na sexta-feira - disse Doda.

Rodrigo Pessoa
Rodrigo Pessoa esteve no Centro de Hipismo (Foto: Bernardo Cruz)

Rodrigo Pessoa, que estava no Centro de Hipismo acompanhando a final como comentarista de um canal de TV francês, foi questionado pelos jornalistas sobre a declaração de Doda. O brasileiro, no entanto, preferiu colocar panos quentes no assunto.

- Isso a gente nunca vai saber (se cometeria muitas faltas) porque não tive a oportunidade de mostrar meu potencial. Acho que ele está reagindo de cabeça quente. É uma decepção e entendo porque também estou decepcionado. Represento o Brasil há 26 anos. Acho que tem que colocar esse comentário em um contexto diferente e não vou entrar em polêmica, só digo que lutaram e o desfalque fez a diferença. Os Estados Unidos conseguiram e nós infelizmente não - disse Rodrigo, que mais uma vez fez questão de mostrar que as feridas entre ele e o atual técnico da Seleção, o americano George Morris, dificilmente serão cicatrizadas:

- Absolutamente, não (voltar à Seleção após os Jogos). Se ele fica, estou fora. Ele entrou como uma lenda e vai sair como uma lêndea. O projeto de aposentar depois das Olimpíadas está descartado porque são 26 anos de altos e baixos, aqui era uma oportunidade de desfrutar isso, acho que eu merecia essa oportunidade. Não quis me envolver com o grupo para não causar um tumulto, mas infelizmente bateu na trave - finalizou.

O Brasil terminou a final por equipes na quinta colocação em oito possíveis, com 13 pontos perdidos. Pesou para a equipe nacional a desclassificação de Sthepan Barchan, por abuso do uso da espora. Por conta disso, a Seleção só competiu com três conjuntos e não pôde descartas notas.