Bose Omolayo

Bose Omolayo faturou um dos seis ouros da Nigéria na Paralimpíada do Rio (Foto:Divulgação)

Bernardo Cruz
15/09/2016
07:05
Rio de Janeiro (RJ)

A Nigéria é o país do halterofilismo paralímpico. A alcunha foi ratificada durante o desempenho dos africanos durante os Jogos do Rio. Afinal de contas, o país conquistou nesta quarta-feira, último dia de competições da modalidade, mais um ouro com Josephine Orji, na categoria acima de 86kg. A atleta, de 37 anos e que disputava sua primeira competição paralímpica, era o retrato do sentimento de dever cumprido.

- Estou muito, muito feliz. Agora só penso em comer, celebrar e saborear esta conquista em minha carreira - afirmou esbanjando simpatia.

Os números não mentem. A Nigéria se estabeleceu como a nação a ser batida com um total de nove medalhas conquistadas. Foram seis de ouro, duas de prata e uma de bronze. O desempenho igualou Londres no número de vitórias, mas ficou abaixo na quantidade (foram 12). Foi justamente há quatro, inclusive, a mudança de patamar dentro dos Jogos, que na oportunidade era dominado por Egito e principalmente a China. Antes existia a tradição, mas não a predominância no resultado final (veja mais abaixo).

- Nós treinamos muito duro. Muito trabalho e pouco descanso. Durante os quatro anos que separam uma Paralimpíada da outra competimos em todos os torneios possíveis e que são referência. O segredo está na força do nosso povo, que vê na adversidade apenas um ingrediente a mais para seguir em frente e superar desafios - declarou Mike Ajiboye, um dos técnicos da equipe nigeriana, que destacou ainda que os resultados foram o principal condutor para elevar ainda mais a excelência do esporte no país:

- Resultados como esse são encarados como inspiração. Pessoas na mesma situação olham um semelhante conquistando uma medalha, superando limites, e começa a iniciar no esporte. A força do nosso povo está historicamente ligado. Uma coisa puxa a outra - afirmou.

As mulheres tem papel fundamental nesta arrancada. São elas que impulsionam a Nigéria para o topo do halterofilismo paralímpico. No Rio, foram quatro medalhas femininas contra duas masculinas. Em Londres elas foram responsáveis por cinco conquistas. 

O halterofilismo paralímpico é o esporte tão importante para Nigéria até mesmo no dado histórico. Desde a estreia em Barcelona 1992, foram 58 meldalhas, sendo que 39 vieram apenas desta modalidade. O sucesso alavancado desde Londres resulta em frutos também na classificação final. No momento, o país africano é o décimo colocado. Para Tóquio, em 2020, o pensamento é ousado.

- Já estamos pensando em Tóquio e nosso objetivo é sempre quebrar barreiras. Sempre foi assim. Pode anotar: daqui a quatro anos vamos faturar dez medalhas de ouro no halterofilismo - profetizou Mike Ajiboye.

O curioso é que o levantamento de peso não repete o mesmo sucesso. O raro momento de êxito aconteceu em Sydney, com a medalha de prata conquistada por uma mulher: Ruth Ogbeifo na categoria até 75kg. Como se vê, o casamento entre halterofilismo paralímpico e Nigéria é fadado ao sucesso.

A EVOLUÇÃO DA NIGÉRIA

RIO 2016 - Seis ouros, duas pratas, um bronze 
LONDRES 2012 - Seis ouros, cinco pratas e um bronze
PEQUIM 2008 - Dois ouros, três pratas e um bronze
ATHENAS 2004 - Um ouro, três pratas e três bronzes