Pedro Emanuel lamenta derrota do Vasco para o Santos: 'Cruel'
Cruz-Maltino perde por 3 a 0 para o Peixe em São Januário

Técnico do Vasco, Pedro Emanuel lamentou a derrota por 3 a 0 para o Santos neste domingo (16), pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro. Em entrevista coletiva após o duelo em São Januário, o treinador avaliou que a equipe cruz-maltina estava melhor no jogo até sofrer o primeiro gol, mas se perdeu ao sair atrás do placar.
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— Se pudermos resumir, acho que dividíamos a partida em dois jogos: um jogo até o primeiro gol, em que sabíamos que íamos ter dificuldades pela forma como o nosso adversário se apresentou, natural por jogarem fora de casa. Tínhamos de ter a capacidade de ter a bola sem nunca permitir contra-ataques por parte do adversário e, acima de tudo, manter a mobilidade e o espaço entre linhas. A diferença tem muito a ver com a eficácia. Na segunda parte, de facto, fomos dominadores. Logo no primeiro minuto, tivemos ali duas oportunidades que não conseguimos concretizar, e isso é altamente preocupante para nós. Já sei que a pergunta seguinte será sobre o fato de não marcarmos gols há três jogos. A questão é que criamos muitas oportunidades. Hoje não foram muitas, mas foram algumas que efetivamente nos podiam dar aquilo que tínhamos intenção de levar daqui: um bom resultado — disse o português.
— Isso, mais do que a parte mental, faz parte do momento da equipe. Costumo dizer que, no futebol, o jogo em si pode se transformar de um momento para o outro. Hoje tínhamos tudo e fizemos tudo até o primeiro gol sofrido. Deixo uma palavra de apreço aos nossos torcedores, que estiveram em peso, nos apoiaram e compreenderam o final do jogo. Todos ficamos desiludidos, frustrados e revoltados com o resultado final, mas é disto que são feitas as equipas: saber viver nos momentos difíceis. Estávamos em crescimento, numa sequência de jogos sem perder e com a competência que vínhamos a revelar, mas hoje não fomos capazes de a manter durante os 90 minutos. É um resultado cruel e penalizador contra um adversário que, na primeira parte, teve a melhor oportunidade numa situação do Gabriel. No geral, sei que se vai falar da derrota por 3 a 0, o que é uma realidade. Hoje é um dia negro, mas amanhã é um novo dia e uma nova oportunidade. Acreditávamos muito que hoje seria o dia da viragem, mas não foi possível. Estamos desiludidos e revoltados, mas isso exige uma reação no futuro. Não podemos desligar do jogo aos 70 minutos por termos sofrido um gol; tínhamos de ter capacidade de reação. É nisso que temos de trabalhar acima de tudo: na questão mental. O futebol não é só técnico, tático ou físico, é muito mental — completou.
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O Vasco passou em branco, apesar de ter criado um número maior de finalizações que o adversário. Pedro Emanuel voltou a citar a eficácia como um problema ofensivo da equipe cruz-maltina.
— Se pudermos analisar de uma forma geral e completa, até o momento do primeiro gol estávamos claramente por cima do jogo. As alterações que fiz foram no sentido de injetar energia, nos dar um bocadinho mais de profundidade e empurrar um pouco mais os dois centrais adversários, criando logo no início duas grandes situações de gol. A grande diferença é, de facto, a eficácia. Se formos ver os números… E nem é a posse de bola que me interessa tanto, mas sim onde a fizemos e quantas vezes conseguimos rematar na área adversária. Essa foi bem a diferença entre as duas equipes. Falta eficácia e decisões brilhantes, sem dúvida, mas falta, acima de tudo, uma palavra que devíamos usar mais vezes quando entramos na área adversária: altruísmo. Ou seja, passar a bola ao colega para que ele possa rematar melhor — analisou o técnico do Vasco.
— Isso significa que temos capacidade de definir melhor. Se temos de rematar dentro da área, temos de ter a coragem de o fazer, mas escolhendo melhor. Acho que hoje até o conseguimos em muitos momentos, quer na primeira, quer na segunda parte. Tivemos mais oportunidades e mais remates dentro da área adversária no geral. No entanto, não fomos eficazes, e isso resolve-se com trabalho e encorajamento. Não há um dia em que nos julguemos a melhor equipa do mundo, nem hoje penso que somos a pior. Sabemos qual é o nosso caminho e que temos estes percalços, duros e dolorosos, não vou mentir. Saio daqui com o sentimento de estar a defraudar a nossa torcida, pois acho que fizemos o suficiente, mas no final temos de aceitar um resultado penalizador. É a realidade e temos de seguir em frente — completou.

Outras respostas de Pedro Emanuel após Vasco x Santos
Uso da base no ataque
— Nós percebemos perfeitamente a qualidade que temos na base. Mas não quero queimar etapas. Eu quero promover a base, dando oportunidades nos momentos certos. Acredito muito que há qualidade ali. Alguns treinam conosco e tem muita gente boa ali. Não são só o futuro, mas serão o presente do Vasco. Hoje era um jogo muito específico; a ideia era fazer algo e, às vezes, surge um revés, que foi o gol (do Santos), que altera o comportamento da equipe. Tínhamos tempo para alterar o rumo dos acontecimentos, e vamos melhorar nisso. O primeiro gol foi penalizador para nós. Estávamos bem confortáveis, e às vezes o excesso de confiança faz mal no futebol.
Lesão de Jair e estreias de Sosa e Colidio
— Infelizmente sentiu um desconforto pela sequência de jogos. Acredito que não seja nada, foi mais pela precaução (a saída). Depois do tempo parado que ele ficou, é melhor não arriscar. Ele tem uma influência grande na equipe. Sosa é um jogador novo, só teve quatro ou cinco treinos com a gente, ainda é muito pouco para a gente se inteirar. Eu me joguei um pouquinho no fogo, poderia ter optado pelo Barros. Pela forma como estava o jogo, preferi ter mais qualidade na posse e escolhi o Santiago. Barros fez um excelente jogo na quinta-feira (Sul-Americana), ele seria um complemento para nos fecharmos, caso estivéssemos com vantagem. Hoje foi uma grande lição para nós. Estamos atravessando um grande momento, mas foi uma pancada. Temos que corrigir o que precisa ser corrigido e crescer novamente.
Entrada de Marino
— A ideia do Marino e daquela tripla substituição, que até seria uma dupla, mas o Piton também não demonstrou o frescor que pretendíamos e, por isso, tivemos que substituí-lo, era dar mais profundidade ao nosso jogo, permitir ter uma presença na área mais fresca, mais agressiva, como é o caso do David, porque é nisso que ele é bom, efetivamente: no duelo físico, no ataque ao espaço. E, depois, dar profundidade com dois jogadores mais rápidos, potentes e que pudessem criar desequilíbrios no um contra um. O Marino tem isso. Não tem passado por bons momentos aqui no Vasco, mas eu também fui ver jogos anteriores do Marino, e é isso que ele poderia acrescentar à equipe. Tem treinado bem nos últimos dias e me pareceu que poderia acrescentar algo mais.
— Agora, isso é muito difícil para um jogador que entra, e não estou desculpando nem o Marino, nem nenhum dos outros que entraram e, dois ou três minutos depois, sofremos um gol. Isso altera completamente o estado de espírito da equipe. Essas opções poderiam ter sido o Adson? Claro que sim. O Adson tem feito muito bem aquilo que eu peço. É um jogador entre linhas, um jogador que consegue chegar. Inclusive, no último jogo, fez um gol que foi anulado. Agora, é um jogador entre linhas que não ataca tanto a profundidade, não é tão potente atacando a profundidade. É mais técnico. E o Santos estava se fechando muito bem entre as linhas, acumulando jogadores ali e fechando a zona da área. Precisávamos conseguir criar desequilíbrios no um contra um pelos corredores laterais.
Recardo ao torcedor do Vasco
— O que posso transmitir ao nosso torcedor é agradecer a quem estava aqui. É fantástico viver o futebol assim. Entendo a desilusão deles, eu queria dar alegria e hoje não foi possível. Sei que no próximo jogo eles estarão aqui para nos apoiar. Custa, mas isso faz parte do trajeto. Sou uma pessoa resiliente, acredito no trabalho em equipe e isso se identifica com o que temos que fazer. Temos que trabalhar em conjunto para sermos fortes.
Planejamento para jogo de volta da Sul-Americana
— Naturalmente vamos tentando pôr a equipe mais fresca em cada jogo. A minha ideia é frescura em cada jogo. Teremos um jogo na quinta-feira. Faz um mês que fizemos o primeiro jogo oficial e hoje fiz o nono jogo, é uma sequência pesada. A parte física condiciona a parte mental. Tentaremos ser competitivos contra o Olimpia para buscar a classificação.
*Matéria em atualização
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