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Matheus Cunha fala de irrelevância de número e ciclo turbulento na Seleção

Atacante fala também da formação que a Seleçao deve atuar na Copa

Márcio Iannacca
Enviado Especial
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Marcio Dolzan
Enviado Especial
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Lucas Bayer
Enviado Especial
Dia 29/05/2026
10:23
Atualizado há 2 minutos
Matheus Cunha durante a coletiva de imprensa da Seleção Brasileira (Foto: Marcio Dolzan / Lance!)
imagem cameraMatheus Cunha durante coletiva de imprensa da Seleção (Foto: Lucas Bayer / LANCE!)

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TERESÓPOLIS - A camisa pesa, a cobrança aumenta e as mudanças no comando técnico deixaram marcas ao longo do ciclo até a Copa do Mundo. Mas, na visão do atacante Matheus Cunha, a Seleção Brasileira chega mais forte emocionalmente para o novo momento iniciado com Carlo Ancelotti. Em entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira (29), na Granja Comary, em Teresópolis, o atacante falou sobre a irrelevância do número da camisa, a flexibilidade tática do futebol moderno e o amadurecimento do grupo após uma sequência de trocas de treinadores nos últimos anos.

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Questionado sobre a possibilidade de Neymar voltar a utilizar a camisa 10 da Seleção, Matheus Cunha minimizou qualquer discussão sobre numeração e destacou o significado de defender o Brasil.

Eu acho que o assunto de número é muito irrelevante para onde nós chegamos. Eu acho que é tão gratificante poder vestir essa camisa e realizar o nosso maior sonho. Assim como eu sempre falo, eu fico batendo nessa tecla, mas é muito verdade, é muito sonho. Assim como eu creio que muito para vocês estarem aqui fazendo essa coletiva, para nós não tem algo maior do que poder realizar esse sonho e pouco importa o número que você está usando. Eu acho que vestir essa camisa e voltar… A gente viu a reação dele ao voltar, alguém tão grande, com tantas convocações, e demonstrar todo esse orgulho de estar de volta. As questões de números ficam completamente fora do nosso alcance e o número que estiver lá na camisa a gente vai vestir com o maior orgulho possível disse Cunha, que completou 27 anos na última quarta-feira (27), dia da apresentação da Seleção Brasileira na Granja Comary.

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O atacante também comentou sobre as discussões em torno do esquema tático utilizado pela Seleção e afirmou que o futebol atual exige constante adaptação dos jogadores dentro das partidas. Para ele, os desenhos táticos são cada vez mais flexíveis no alto nível.

Eu acho hoje, sinceramente, essas questões táticas durante o alto nível do futebol em muitos momentos ilusórias. Eu acho que a gente começa jogando de certa forma e, durante o jogo, acho que todos os jogadores já são muito acostumados a se adaptar e mudar. Eu acho que, principalmente, o meu dia a dia durante o clube é muito fácil. Os grandes jogos que eu venho disputando são muito claros; a gente está marcando num 4-4-2 e tem que se adaptar, porque em 10 minutos de jogo o outro time já mudou a formação e a gente automaticamente também muda. Então é difícil responder qual é a formação mais fácil ou mais confortável, até porque você, durante várias formações, às vezes exerce a mesma função, joga num 4-3-3 e você está jogando de meia, flutuando entre linhas, criando, chegando para atacar afirmou.

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Na sequência, Cunha usou o próprio exemplo no Manchester United para mostrar como a versatilidade se tornou fundamental no futebol moderno.

Assim como no 4-4-2, principalmente no Manchester United, por exemplo, eu jogo mais aberto pela esquerda e no processo de criação, eu venho por dentro para ajudar o Bruno Fernandes. Então eu acho que a gente, como você falou, me sinto muito bem e privilegiado por ser um jogador versátil, mas, sem dúvida nenhuma, acho que a melhor formação é estar jogando, estar no campo, exercer isso da melhor forma possível. Eu acho que é o maior orgulho e adaptação em qualquer um dos esquemas que pode estar pronto para funcionar.

Por fim, o atacante refletiu sobre os momentos difíceis atravessados pela Seleção desde o início do ciclo pós-Copa do Catar em 2022. O grupo passou pelos trabalhos de Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior antes da chegada de Ancelotti, e Matheus Cunha acredita que a experiência serviu para fortalecer o elenco. No período, o Brasil foi derrotado pela Argentina por 4 a 1, em Buenos Aires, pelas Eliminatórias da Copa. O gol de honra foi de Cunha.

Eu acho que zerar nunca zera. Eu acho que você leva essa bagagem com o ciclo, sabe o quanto é difícil e tem certeza de que não quer revivê-los. Os momentos de dificuldade, momentos que eu acho que a Seleção Brasileira não deveria estar passando, mas faz parte também passar e superá-los, é como eu falei na outra resposta. Acho que isso é o mais gratificante, o mais prazeroso, é saber que, dentro dos momentos de dificuldade, você continua trabalhando, você continua se dedicando e sabendo que o mais importante é fazer essa página virar e virar para dias melhores.

A entrevista de Matheus Cunha reforçou um discurso de maturidade e adaptação dentro da Seleção Brasileira. Em meio à chegada de um treinador multicampeão e à expectativa para a Copa do Mundo, o atacante deixou claro que o elenco tenta transformar os tropeços recentes em combustível para um novo ciclo.

A Seleção Brasileira treina nesta sexta-feira, às 11h (de Brasília), na Granja Comary. O técnico Carlo Ancelotti iniciará a montagem da equipe titular para enfrentar o Panamá, no domingo (31), no Maracanã. O compromisso será o último antes do embarque para os Estados Unidos.

Outros techos da entrevista coletiva de Matheus Cunha

Aniversário e presente

Acho que é muito gratificante, depois de tudo o que eu passei, ver o meu nome na lista, dar um passo para o meu sonho. É bom, chegando no dia do aniversário, acho que vamos ver, né? Acho que a destino dá tudo certo, mais um ano de vida aqui, onde eu sempre sonhei, e, bom, fico muito feliz de estar participando de tudo isso.

Estilo de jogo na Seleção

Muito mais flutuações entre linhas, muitas situações, muitos momentos, jogando propriamente como meia e, sem dúvida nenhuma, acho que já é uma função que eu venho exercendo mais durante o clube, no período do clube, e muito feliz com tudo que vem acontecendo comigo, um clube que eu sempre sonhei em jogar, ter meu primeiro ano de volta à Champions League, de volta a competições que eu acho que o clube tem que estar todo ano, chegando aqui na seleção brasileira agora e espero que possa ser muito bem-sucedido assim como foi lá e possa dar o meu melhor dentro dessas funções que eu estou mais habituado a fazer.

É gratificante você poder demonstrar e ser reconhecido pelo, creio eu, ponto mais forte e ser julgado por isso. Então, chegar aqui agora, como eu falei anteriormente, numa posição que você é mais habituado a exercer durante o ano, sem dúvida nenhuma, te dá mais confiança, te dá mais propriamente a felicidade em estar exercendo uma função que você sente que está fazendo melhor e sem dúvida nenhuma. Mas, estando aqui, no período que sempre sonhei participar, pré-Copa, acho que, no que ele precisar de mim, eu vou tentar exercê-lo da melhor forma possível.

Trajetória até a Copa do Mundo

Existem dois Matheus, aquela criança que não tem muita noção das consequências e só sonha, e sem dúvida nenhuma, acho que, nesses momentos, acho que todos os sonhos são muito fáceis de se realizar, e quando você vai ter noção da dificuldade que é alcançá-los, da maturidade, do quão difícil é você estar em busca dos seus sonhos, e, bom, estar passando todos eles, conquistar o ouro olímpico, estar em uma pré-Copa do Mundo, se Deus quiser realizar o maior sonho da carreira de um jogador de futebol, e, cara, ter um ouro olímpico e um troféu de campeão do mundo, eu acho que não tem muito mais do que eu possa pedir a Deus, não.

Sem dúvida, eu acho que, pós aquela criança entendeu o quão difícil é alcançar todos esses objetivos, vai ser mentira eu falar que sim, era fácil lembrar disso, eu acho que não, eu acho que, quando eu comecei a entender, eu acho que comecei a duvidar do quão longe você poderia chegar, poderia alcançar, mas eu acho que o trabalho paga, eu acho que o foco e todas essas outras palavras positivas que você pode juntar dentro do seu caminho para que você, aos poucos, possa estar construindo o seu castelo, eu acho que, sem dúvida nenhuma, eu acho que é algo que é muito prazeroso estar alcançando.

Carlo Ancelotti e Rodrigo Caetano

É um prazer trabalhar com os melhores, sabe? Pessoas que têm experiência podem transmitir para você e ajudar a sonhar contigo algo tão grande. Eu acho que chega num momento em que as dúvidas têm que ser deixadas de lado, e essas pessoas são pessoas que, com tanta experiência e com tanta vivência dentro do futebol, são essenciais para esses momentos, para levar o barco na direção que todos queremos, tomar decisões difíceis em momentos importantes e, sem dúvida nenhuma, eu acho que está junto com a gente para que a gente possa realizar o nosso trabalho, assim como eles, da melhor forma possível e com um só objetivo, ter alegria e dar alegria para todo mundo.

Adaptação

Sem dúvida, eu acho que é como eu falei, o futebol é uma ramificação da vida. Eu acho que é difícil, sabe, você alcançar, apesar de todos os lugares que eu passei, a dificuldade é sempre muito presente e superá-la, eu acho que é o maior segredo que eu possa ter comigo, sabe? Todos nós temos dúvidas em nós mesmos, é a coisa mais normal do mundo, e eu acho que é nesse momento que tudo vale a pena, quando você supera, quando você passa pelas dificuldades e tem o orgulho de saber que, para chegar onde cheguei, o caminho não foi fácil, mas já é muito realizador.

Lesão de Neymar

Qualquer jogador que possa estar passando por um momento de dificuldade, de lesão, é triste, assim como eu compartilhei a tristeza de saber que o Estevão, o Rodrigo e o Militão estariam de fora. É o momento em que a gente está fechado, o momento em que ninguém quer passar por isso e, graças a Deus, acho que a lesão dele é uma lesão que vai claramente dar oportunidade de chegar bem para o nosso maior objetivo. E, assim como qualquer outro jogador, a gente quer que todo mundo esteja muito bem, bem preparado, pronto para nos ajudar, porque, sem dúvida nenhuma, acho que isso é o mais importante para o momento que estamos vivendo.

Matheus Cunha em coletiva de imprensa na Seleção Brasileira (Foto: Lucas Bayer/Lance!)
Matheus Cunha em coletiva de imprensa na Seleção Brasileira (Foto: Lucas Bayer/Lance!)

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