Do Pinheiros à Granja: Seleção revive tradição de seis décadas em Teresópolis
Hotel que recebeu Pelé e Garrincha em 1966 está em ruínas.

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TERESÓPOLIS - A Seleção Brasileira chegou a Teresópolis ainda sem saber se poderá contar com seu camisa 10 para o período de treinos. Ele, aliás, precisou sair por uma passagem alternativa do aeroporto Santos Dumont para escapar do assédio dos torcedores ensandecidos. Já na cidade serrana, cerca de dois mil moradores fizeram festa para a chegada da delegação. Depois disso, o grupo de jogadores se dirigiu à concentração, isolada de tudo e de todos.
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O Brasil de Carlo Ancelotti se apresenta em Teresópolis apenas nesta quarta-feira (27), mas tudo o que foi relatado de fato aconteceu. Foi há exatos 60 anos, em maio de 1966, quando a Seleção Brasileira, então treinada por Vicente Feola, foi à cidade pela primeira vez para se preparar para uma Copa do Mundo.
E se hoje a panturrilha de Neymar causa preocupação na comissão técnica, em 1966 o temor era pela condição de Pelé e outros craques. "Em princípio, estão ameaçados de ficar de fora (do treino) Lima, Zito, Jairzinho, Pelé e Garrincha, mas nem o médico nem a comissão técnica sabem exatamente qual a condição física dos convocados", publicou à época o jornal "O Estado de S. Paulo".
Naquele ano, o CT da Seleção na Granja Comary ainda nem sequer estava nos planos — o Lance! contou essa história em reportagem publicada no início deste mês — e os convocados ficaram concentrados no Hotel Pinheiros, localizado em uma área verde a cinco quilômetros do centro da cidade.

A reportagem do Lance! esteve no local, que pertence a um empresário do ramo de transportes, nessa terça-feira (26). Sessenta anos depois da primeira ida da Seleção Brasileira a Teresópolis, praticamente apenas a área verde e a tranquilidade da região se mantêm; o hotel parou de operar nos anos 1990, e os chalés que serviam de hospedagem estão em ruínas.
Quem conhece o local conta que boa parte da mobília e das peças que ajudaram a construir a história do Hotel Pinheiros foi saqueada. Uma grande quantidade, por sua vez, foi vítima do tempo e se transformou em entulho no interior dos chalés, que possuem infiltrações. Muitas das estruturas internas desabaram.

Assim, não há mais registros, a menos que estejam muito bem escondidos sob o entulho, dos tempos em que a Seleção Brasileira se hospedou no Hotel Pinheiros. Alguns seriam verdadeiras relíquias, como o violão que Pelé costumava tocar em frente ao salão de jogos, ou mesmo as peças que embalavam a jogatina dos atletas no salão de jogos durante os períodos livres.
Mas, ao menos por ora, uma das vistas mais icônicas do antigo Hotel Pinheiros continua intacta: a frente de um dos prédios, local que ficou eternizado em uma foto que reuniu um sorridente trio com Garrincha, Pelé e Brito.

Em tempo: além de 1966, o Hotel Pinheiros voltaria a receber a Seleção Brasileira 12 anos depois, às vésperas da Copa do Mundo de 1978.
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