ANÁLISE – Na Argentina, monumental foi a desesperança com a Seleção
Brasil é goleado ao natural para uma Argentina muito superior

Se estava caro para os torcedores brasileiros assistirem à Argentina x Brasil nas arquibancadas do Monumental de Nuñez, imagina quanto não deve ter custado para os jogadores da Seleção, que assistiram ao clássico dessa terça-feira (25) de dentro de campo. Para Dorival, talvez custe até mesmo o emprego.
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Fazia tempo que o Brasil não fazia uma partida tão constrangedora quanto à dessa terça. Tomar um gol em três minutos às vezes acontece, mas sofrer dois em 12 minutos atesta que ou o time é muito inferior, ou que está perdido. Dado o que aconteceu dali até o fim da partida, ainda é difícil distinguir qual das duas características se encaixa melhor a esse Argentina 4 x 1 Brasil.
Matheus Cunha, que conseguiu a façanha de ser o único jogador brasileiro a conseguir chutar uma bola no gol em 95 minutos de jogo no Monumental de Nunez, dissera em entrevista no sábado, em Brasília, que não via a seleção argentina num nível acima da Seleção Brasileira. Usou as individualidades de cada equipe para justificar a resposta. Nesse ponto, talvez ele tenha um bom argumento. O problema é que o futebol é coletivo. Se 11 craques entrarem em campo e não concatenarem minimamente jogadas entre eles, não sai nada.
Foi mais ou menos o que aconteceu no segundo tempo de Argentina x Brasil. Não tínhamos 11 craques, mas tínhamos 11 jogadores de Seleção Brasileira soltos em campo.
Vendo que o Brasil apenas assistia à seleção argentina jogar, Dorival Júnior voltou para o segundo tempo com Léo Ortiz, João Gomes e Endrick, três jogadores que só haviam atuado juntos em três treinos — e entre os reservas! Dois deles, aliás, nem estavam na primeira lista de convocados pelo treinador.
Dorival e a culpa pelo fiasco da Seleção diante da Argentina
Após a partida, o treinador se apressou em dizer que a responsabilidade pelo fiasco da Seleção era dele. Foi provavelmente a análise mais próxima da precisão entre todas as que Dorival Júnior fez num pós-jogo desde que assumiu a Seleção, há um ano. Ainda assim, seguiu imprecisa.
A culpa é exclusivamente do treinador quando uma derrota desse quilate é um resultado fora da curva. Mas a goleada sofrida para a Argentina é apenas mais um capítulo de uma Seleção que, na última década e meia, se acostumou a perder torneios, cair precocemente em Copas do Mundo e a relativizar futebol feio. E isso não é culpa de Dorival Júnior. É culpa de todos aqueles que passam os anos reclamando de arbitragem, de calendário, de gramados e de tudo que envolve o futebol, mas que na véspera de um Argentina x Brasil não apresentam um único voto de discordância ao rumo que tomou o futebol brasileiro.
Nelson Rodrigues um dia escreveu que toda unanimidade é burra. Mal sabia ele que ela era capaz também de aplicar 4 a 1 naquela que, um dia, foi a seleção mais temida do mundo.


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