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Opinião: há 86 anos nascia Pelé e recordar os feitos do Rei é resgatar a essência do futebol

Ídolo defendeu o Santos por 18 anos, parou guerra e mostrou ao mundo o amor pelo esporte

PorVinícius Espirito Santo Spada•São Paulo (SP)
23/10/2026 17:47
Pelé jogando pelo Santos, em 1965 - (Foto: Folhapress)
Pelé jogando pelo Santos, em 1965 - (Foto: Folhapress)

Falar do dia 23 de outubro é refletir sobre a data em que o futebol ganhou o seu Rei. Se estivesse fisicamente entre nós, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, completaria 86 anos nesta sexta-feira.

Os feitos do eterno camisa 10 do Santos e da Seleção Brasileira seguem sendo lembrados. O único jogador a ganhar três Copas do Mundo continua com a coroa, e relembrá-lo é um passo histórico para nos conectarmos com a história do esporte chamado futebol.

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O garoto, nascido em Três Corações, interior de Minas Gerais, filho de Seu Dondinho e Dona Celeste, desembarcou na Baixada Santista com apenas 15 anos, levado ao clube pelo ex-jogador Waldemar de Brito. A história dentro de campo mostrou para o mundo que o time da Baixada Santista tinha um Rei que vestia branco e representava o Santos Futebol Clube. A partir disso, o futebol brasileiro e mundial não seria mais o mesmo.

O Santos de Pelé desfilava nos gramados do Brasil e do mundo. Parou uma guerra, gerava euforia, lotava os estádios e entregou aos torcedores o privilégio de assistir o mais perto da perfeição com a bola nos pés.

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E somente um Rei como Pelé teria a força de interromper um conflito bélico. O feito, jamais visto na história do futebol, aconteceu em 1969, durante a Guerra de Biafra. O Santos desembarcou na África em excursão e foi a campo na cidade de Benin, próxima à fronteira com a região separatista. Ali, o povo nigeriano e as tropas em combate baixaram os fuzis e selaram uma trégua para ver o desfile do maior jogador de todos os tempos. Em campo, o Alvinegro Praiano venceu a Seleção do Meio-Oeste por 2 a 1 e sacramentou o primeiro e único cessar-fogo promovido por uma equipe de futebol.

Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores e mais influentes poetas da literatura brasileira, resumiu a genialidade do craque ao declarar que o difícil não é fazer mil gols, mas sim fazer um gol como Pelé.

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— O difícil, o extraordinário, não é fazer mil gols, como Pelé. É fazer um gol como Pelé — declarou Carlos Drummond de Andrade.

O clube que o formou prestou homenagem nesta sexta-feira e fez questão de lembrar que Edson Arantes do Nascimento segue vivo nas memórias e que seu legado será eterno.

A grandiosidade do camisa 10 transcendeu o campo e, desde 2023, virou adjetivo e faz parte das 167 mil palavras incluídas no dicionário Michaelis, um dos mais populares da Língua Portuguesa. E assim é definido:

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— Que ou aquele que é fora do comum, que ou quem, em virtude de sua qualidade, valor ou superioridade, não pode ser igualado a nada ou a ninguém, assim como Pelé, apelido de Edson Arantes do Nascimento (1940-2022), considerado o maior atleta de todos os tempos; excepcional, incomparável, único — segundo o dicionário Michaelis.

O dia de hoje, portanto, é de lembrança, de resgatar memórias e de recordar o amor com que Pelé jogava dentro de campo, a beleza de ver o eterno camisa 10 realizando as jogadas mágicas de um jogador inesquecível e que não pode ser igualado. Parabéns, Pelé, para sempre em nossos corações.

A despedida do Rei Pelé com a camisa do Santos
A despedida do Rei Pelé com a camisa do Santos - (Foto: divulgação / Centro de Memória do Santos FC)
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