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Maruca defende SAF 100% do Santos no início e prepara projeto para manter Neymar

Em entrevista exclusiva ao Lance!, candidato à presidência propõe modernizar a gestão, priorizar contratações estratégicas, estruturar uma SAF e plano para Neymar

PorRafaela Cardoso•São Paulo (SP)
03/11/2026 12:10
Maurício Maruca
Maurício Maruca (Foto: Divulgação)

Maurício Maruca quer promover uma reformulação nos métodos de gestão do Santos. Em entrevista exclusiva ao Lance!, o candidato à presidência do clube defendeu uma auditoria externa, a profissionalização de todos os departamentos e mudanças na forma como o Peixe administra suas finanças e investe no futebol. Para ele, o modelo associativo atual está "falido", mas a criação de uma SAF precisa ser feita com planejamento, e não como uma solução imediata para as dívidas.

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Na área esportiva, Maruca propõe dar autonomia à equipe de futebol, utilizar tecnologia na prospecção de jogadores e priorizar a qualidade em vez da quantidade nas contratações. Também defende uma integração entre as categorias de base e o profissional, com respeito ao tempo de formação dos jovens. Sobre a Vila Belmiro, a ideia é modernizar o estádio e ampliar, sempre que possível, a capacidade, enquanto o Santos passaria a disputar mais partidas em arenas maiores de São Paulo para aumentar a arrecadação.

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Outro ponto central do projeto envolve Neymar. Maruca afirma que pretende conversar com o atacante e sua família para apresentar uma proposta que permita ao jogador permanecer por pelo menos mais dois anos no clube. Além da importância técnica e comercial do camisa 10, o candidato acredita que o craque pode ajudar a atrair reforços experientes e jovens talentos. A seguir, veja os principais pontos da entrevista.

Gestão e finanças: auditoria e modernização

Qual seria a primeira mudança caso fosse eleito presidente do Santos?

A primeira mudança seria nos métodos internos de gestão. É preciso mudar e modernizar tudo logo de cara, porque o Santos tem uma metodologia arcaica de administração. Há zero transparência, e isso precisa ser mudado imediatamente. Para isso, vamos precisar de uma auditoria externa competente. Teremos que auditar o clube de cabo a rabo para tomar as atitudes corretas e, principalmente, não cometer injustiças.

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Como reduzir a dívida sem deixar de investir no elenco?

Temos uma parceria muito forte com a Outfield justamente para captar recursos para o clube. O Santos precisa de recursos mais factíveis, e não de empréstimos bancários que você contrata hoje e precisa pagar daqui a pouco, com um monte de juros. É preciso alongar o perfil da dívida e, principalmente, profissionalizar o clube para que ele possa gastar com mais inteligência. Você só consegue montar um time melhor com o pouco dinheiro que o Santos tem, se houver mais inteligência nas finanças.

Não podemos deixar de investir no futebol. O futebol é a razão de existir do clube. Por isso, precisamos de muita inteligência, muita tecnologia e, principalmente, de uma metodologia de gestão muito mais moderna.

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Quais áreas precisam ser profissionalizadas com mais urgência?

Todas as áreas. Não dá para escolher apenas uma para modernizar. Será necessário profissionalizar todas. Para isso, já temos uma equipe de profissionais de primeira linha.

Na área financeira, por exemplo, já temos profissionais preparados para assumir. Vou citar um nome que não dá para esconder: o senhor Pacello. Ele foi o braço direito e um dos responsáveis por toda a mudança e recuperação do Palmeiras no período de Paulo Nobre. É essa metodologia de administração e gestão financeira que estamos trazendo para o Santos.

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Na área de marketing, estamos trazendo um nome muito respeitado no mercado. É alguém que traz toda a metodologia do marketing norte-americano: matchday, produtos e relacionamento com os sócios. Tudo baseado em um modelo muito forte nesse aspecto. O esporte norte-americano fatura muito com o engajamento do torcedor. É isso que o Santos precisa: modernidade.

Futebol: contratações, scout e valorização da base

Como encontrar o equilíbrio entre jogadores experientes e jovens na montagem do elenco?

Entendo que, quando você está em uma situação perigosa como a que o Santos estava vivendo, há uma tendência de o dirigente fazer loucuras maiores. Não há dúvida de que vieram jogadores de ótima qualidade, mas o preço a pagar será alto.

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Não sou contra contratar jogadores de primeira linha, desde que o Santos tenha condições de pagar. Mas, como o clube enfrenta uma dificuldade financeira maior neste momento e ainda deverá passar por isso por alguns anos, vai precisar investir no futebol de uma maneira diferente: buscando jogadores mais jovens, prospectados corretamente e que possam trazer retorno financeiro e esportivo.

Qual modelo de gestão do futebol pretende implantar?

A equipe de gestão do futebol terá autonomia para quase tudo. Mas vai precisar trabalhar com um scout moderno, baseado em tecnologia, para a prospecção de jogadores. O diretor de futebol terá que fazer todo esse trabalho junto com a equipe técnica, mas sempre em diálogo com o setor financeiro do clube.

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Não quero mais que o Santos cometa loucuras e faça contratações equivocadas. Vamos contratar e trazer jogadores sempre que necessário, mas com inteligência e qualidade. A partir de agora, pretendemos priorizar muito mais a qualidade do que a quantidade.

E como fazer com que as vendas de jogadores da base sejam estratégicas, sem servir apenas para cobrir dívidas?

Você não pode criar buracos no time profissional e depois tentar tampá-los com jogadores ainda malformados ou que não estão formados. Você está desperdiçando talentos, queimando jogadores e, principalmente, queimando dinheiro.

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O Santos está vendendo um atrás do outro. O jogador aparece no time, é vendido e, pouco depois, é negociado na Europa por seis ou sete vezes mais. Por quê? Porque aceleraram a entrada desse jogador e tiveram que recorrer àquela história de vender o almoço para pagar o jantar. O que precisa ser corrigido é a gestão. A gestão está toda errada.

O que pretende mudar nas categorias de base?

A base é o coração do Santos. Quero um profissional moderno, jovem, estudioso, com ambição de crescer cada vez mais e, principalmente, que tenha muito cuidado ao trabalhar com as categorias de base. Vamos ter que usar muito a base.

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O que precisa mudar é a metodologia de administração. Ela tem que ser mais respeitada em relação aos prazos de formação. Acho que o garoto que chega ao clube precisa receber uma formação forte, principalmente em princípios básicos. Hoje, na minha opinião, a base do Santos está contratando jogadores semiprontos, e isso não tem cabimento. Você tem que trazer o jogador para formá-lo, transmitir a ele o que é o Santos.

O clube também precisa ter uma metodologia de jogo e de trabalho que comece nas categorias mais jovens da base e siga até o profissional. Tem que ser a mesma metodologia. Isso precisa mudar radicalmente.

E há uma coisa que considero primordial: respeitar o amadurecimento do jogador. A diretoria não tem o direito de cometer erros, criar problemas sérios no time profissional e correr para pegar um garoto que ainda não está formado para tampar o buraco que ela mesma criou. Isso é erro de gestão.

Maurício Maruca
Maurício Maruca (Foto: Divulgação)

Vila Belmiro e jogos em São Paulo

Como aumentar a arrecadação com bilheteria?

Antes de mais nada, o Santos precisa melhorar a arrecadação com bilheteria. Para isso, vai ter que jogar muito mais em São Paulo. Eu adoro a Vila Belmiro, ela é um marco do futebol e precisa ser muito respeitada, mas está muito limitada em termos de faturamento.

Você coloca 13 mil, 14 mil pessoas na Vila, enquanto outros times colocam 50 mil, 60 mil pessoas em seus estádios a cada jogo. Então, vamos ter que fazer um planejamento voltado a jogar mais em São Paulo e aumentar a receita com bilheteria.

Em segundo plano, precisamos começar a renegociar toda a parte de direitos de imagem. Também temos que ter um time capaz de buscar premiações, porque, se você não briga por colocações melhores, também não fatura.

Como seria esse planejamento para levar mais jogos à capital?

O Pacaembu é um desejo, lógico. Estamos nos movimentando para isso. Mas o que já é possível fazer é um planejamento logo no início da temporada, com acordos com clubes da capital que tenham arenas disponíveis em determinadas datas, para que o Santos possa utilizá-las e faturar melhor.

É preciso fazer o planejamento antes da temporada e acertar com os clubes. Acho que todos precisam de receita e que os grandes clubes não vão abrir mão de faturar também com o Santos. Mas isso tem que ser organizado com antecedência. É o que vamos fazer.

O gramado sintético do Allianz Parque seria um impedimento?

Não posso descartar o Palmeiras por ter gramado sintético. Não posso. Acho que, antes de mais nada, tenho que pensar que o clube precisa melhorar seu faturamento. Tem gramado sintético? O Palmeiras joga lá, todos jogam lá. O Santos também joga quando é obrigado. Então, vai ter que jogar lá se houver necessidade.

Eu entendo e respeito que alguns jogadores tenham dificuldade com esse tipo de gramado. Acho que o sintético é um pouco mais difícil para quem não está habituado. O Palmeiras está acostumado a jogar lá e tem equipamento para isso. O Santos precisa se modernizar, inclusive em termos de equipamentos. Vou falar uma coisa até simples: precisa ter chuteiras diferentes para jogar nesse tipo de gramado.

Qual é o plano para a Vila Belmiro?

Entendo que a Vila Belmiro é um monumento ao futebol. O Rei jogou ali, surgiu para o futebol dentro daquele estádio. Então, acho que a Vila precisa ser muito mais respeitada do que é hoje.

Minha ideia é modernizar a Vila como ela é e, se possível, aumentar um pouco sua capacidade, mas principalmente pensando no conforto do sócio e do torcedor que vai ao estádio. Hoje, a Vila ainda tem instalações antigas e precárias, e isso precisa ser modernizado.

Não tenho como plano derrubar a Vila. Isso não faz parte dos meus projetos. Até porque existe uma limitação de espaço para construir uma arena como todos sonham para o Santos, com capacidade para 40 mil ou 50 mil pessoas. É quase impossível conseguir fazer isso ali.

A minha ideia é, durante o período da nossa gestão, modernizar a Vila Belmiro e levar uma boa parte dos jogos para arenas maiores em São Paulo.

SAF: estrutura pronta antes de buscar investidores

Qual é a sua posição sobre a SAF? O Santos precisa de um investidor?

Primeiro, o modelo associativo vigente hoje é falido. Ao mesmo tempo, sou absolutamente a favor da SAF. Defendo a SAF desde o primeiro dia em que ela foi criada no Brasil. Mas também defendo que ela seja feita com muito critério.

A SAF não pode ser montada para tapar buracos. Ao contrário do que muita gente pensa, fazer uma SAF não significa transformar imediatamente o clube em uma SAF. É criar um novo CNPJ, que será a SAF, e transferir principalmente a parte esportiva do clube para essa estrutura, para que ela seja desenvolvida como uma sociedade anônima.

O que vamos trabalhar para fazer é montar uma SAF, deixá-la pronta e, nesse primeiro momento, manter o Santos como dono de 100% dela. O clube já poderá se beneficiar do que essa estrutura oferece, como questões tributárias mais facilitadas.

Ao mesmo tempo em que a SAF estiver sendo estruturada, vamos trabalhar para melhorar a situação financeira do clube. Um ano depois, com o Santos em uma situação melhor, vamos consultar os sócios, os torcedores e o Conselho Deliberativo. A decisão final será deles, porque são os donos do clube.

Se a decisão for colocar a SAF no mercado, faremos uma concorrência internacional, aberta e completamente transparente, para receber propostas do mundo inteiro. Quero propostas para uma SAF pronta, e não uma SAF sendo montada às pressas para atender a uma proposta cuja origem não se conhece.

Neymar: projeto para tentar manter o camisa 10 por mais dois anos

Qual seria o papel de Neymar no projeto? Como aproveitar seu peso esportivo e comercial?

Sou fã do Neymar. Cresci vendo Pelé jogar e sou santista porque vi o Pelé em campo. Depois do Pelé, o jogador que mais me deu prazer e alegria com o futebol foi o Neymar. Então, não posso deixar de ser fã dele.

Acho que Neymar e Santos se confundem. Eles têm uma história que precisa estar sempre junta, dentro do possível. Vamos fazer o possível para manter o Neymar. Minha intenção é sentar com ele e com a família para conversar e ver o que podemos fazer para que permaneça no clube. Tenho certeza de que ele também vai pensar nisso, porque gosta do Santos.

A figura do Neymar é muito importante para o clube. Primeiro, pelo futebol: é um jogador que faz o time jogar melhor. Não há o que dizer sobre a qualidade técnica dele. Em termos de marketing, é um fenômeno. É inacreditável a quantidade de pessoas e de produtos que ele atrai por onde passa.

Acho que o clube aproveitou muito mal esse potencial. Desperdiçou mais de um ano de relacionamento e, pior ainda, realizou ações de marketing envolvendo o Neymar, recebeu por elas e não fez os pagamentos devidos ao jogador. Isso eu considero criminoso.

O Neymar gosta tanto do Santos que está esperando e renegociou uma dívida que, na minha opinião, nem deveria existir, porque o clube recebeu esse dinheiro. O contrato previa que boa parte desse valor fosse repassada a ele. O Santos recebeu e não repassou. Então, a culpa não é do Neymar.

Neymar também poderia ajudar a atrair jogadores para o Santos?

Acho que ele poderia ter esse papel, sim, desde que os jogadores se encaixem no time e que a contratação seja do interesse da presidência e da comissão técnica. Mas vejo uma possibilidade ainda mais interessante para o Santos.

Jogadores já formados, que fizeram sucesso e chegaram a uma fase da carreira em que não precisam mais provar nada, podem querer jogar ao lado do Neymar. Imagine, então, o que isso representa para um garoto com potencial, que teria a oportunidade de jogar ao lado dele. Para o Santos, isso é uma maravilha.

O Santos precisa ter o Neymar também nesse papel: atraindo garotos mais jovens, com potencial esportivo, comercial e financeiro. É claro que ele atrai. Quem não quer jogar ao lado dele?

Existe um projeto para convencer Neymar a continuar no Santos?

Já pensamos, e está quase pronto. Queremos sentar com o Neymar e apresentar um projeto para que ele tenha pelo menos mais dois anos de carreira no Santos.

Não adianta simplesmente chegar e dizer: "Vem jogar no Santos, o Santos gosta de você". Isso é tudo muito bonito, mas, para convencer um profissional do nível dele a permanecer, é preciso ter um projeto que desperte essa vontade.

Minha equipe está, sim, preparando esse projeto para apresentar ao Neymar e à família dele. Só acredito que isso seja possível com um planejamento bem estruturado de relacionamento com ele e com seu staff. Está quase pronto para conversarmos.

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